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Após morte, Prefeitura diz estudar obras na Princesa d'Oeste

Estudos devem propor drenagem, incluindo piscinões; morador em situação de rua relata como tentou salvar vítima

| ACidadeON Campinas -

 

Homem em situação de rua foi o primeiro a tentar salvar a mulher (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)

Após uma mulher morrer afogada em uma enxurrada na Avenida Princesa d'Oeste, em Campinas, nesta sexta (30), a Prefeitura informou neste sábado (1º) que trabalha na elaboração de um projeto executivo contra enchentes e alagamentos no entorno da via.

Na nota, o Executivo detalha que os estudos sobre as obras nas microbacias hidrográficas do Ribeirão Anhumas (Princesa d'Oeste) e a microbacia do Córrego Serafim (Orosimbo Maia) deverão propor uma série de obras de drenagem urbana.

"Incluindo piscinões, alargamentos e aprofundamentos das calhas hídricas, com o objetivo de obter um melhor e mais eficiente controle das águas pluviais nos momentos de vazantes. Serão obras de grande proporção, de alto custo e com um período longo para sua execução", diz o comunicado.

O CASO

A mulher de 59 anos morreu na tarde desta sexta após ser arrastada pela enxurrada e ficar presa embaixo de um carro na Avenida Princesa d'Oeste. O caso ocorreu na esquina com a Rua Joaquim Roberto de Azevedo Marques.

A vítima ficou submersa e foi resgatada por um grupo de ao menos 10 pessoas. O resgate do Corpo de Bombeiros foi chamado por volta das 15h e tentou reanimá-la na calçada.

Depois do socorro, ela foi levada em estado gravíssimo para o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, mas não resistiu. A morte foi confirmada pela Prefeitura pouco antes das 18h.   

De acordo com testemunhas, a vítima era moradora de um dos condomínios localizados na via e desceu para retirar o carro da enxurrada quando caiu com a força da água e foi arrastada para debaixo do veículo.

RELATO DO SALVAMENTO 

Orlando Schelbauer vive em situação de rua e é conhecido dos moradores do bairro. Ele foi alertado por uma amiga sobre a queda da mulher durante a chuva e a enxurrada e correu para tentar ajudar. 

"Saí correndo e fiquei 10 minutos tentando tirar ela de lá e chamando pessoas, mas foi difícil. Ao cair, ele entalou embaixo do carro. Se não aparecesse ninguém, minhas pernas não aguentariam", conta ele.  

Além de Orlando e de vizinhos, entregadores de aplicativos que passavam pelo local também auxiliaram no salvamento. Antes da chegada dos bombeiros, o grupo prestou os primeiros socorros. 

PROBLEMAS RECORRENTES

Esta não foi a primeira vez que uma morte por afogamento foi registrada na Avenida Princesa d'Oeste. Em janeiro de 2019, um homem morreu afogado após a forte chuva que caiu na via, em frente à padaria Piracam, no Jardim Proença.

Segundo testemunhas, o homem vinha de moto pela avenida, quando caiu com a força da enxurrada, ficou preso e se afogou. Ele tinha 41 anos. Os bombeiros foram chamados e tentaram reanimar a vítima por cerca de 20 minutos.

Em 2003, um bombeiro também perdeu a vida na via ao tentar resgatar uma pessoa ilhada durante uma enchente.

Os moradores reclamam que, mesmo com algumas intervenções para amenizar os problemas, a situação segue preocupando quem passa e é vizinho da avenida.

"Sempre tem enchente e tem problema. Desde criança aqui há enchentes. Precisa resolver pra não ter mais mortes aqui", reclama Ivo Almeida.

 

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