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Mulher morta durante enxurrada é sepultada em Campinas

Homem em situação de rua foi o primeiro a tentar salvar a vítima; vizinhança cobra e Prefeitura promete obras

| ACidadeON Campinas -

Denise Gabiatti tinha 59 anos (Foto: Reprodução/Redes sociais)
 

Denise Gabiatti, de 59 anos, morta após cair e ficar presa embaixo de um carro durante uma enxurrada em Campinas, foi sepultada na tarde deste sábado (1º) no Cemitério Flamboyant. O caso aconteceu nesta sexta (31) na Avenida Princesa d'Oeste, perto da esquina com a Rua Joaquim Roberto de Azevedo Marques. 

De acordo com vizinhos e conhecidos da vítima, ela visitava a mãe no momento em que chovia forte e desceu para retirar o carro da enchente na via. Com a força da água, porém, caiu e ficou submersa. Resgatada por um grupo de ao menos 10 pessoas, ela foi socorrida e levada ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, mas não resistiu. Ela deixa três filhos.

DESESPERO    

Orlando Schelbauer foi o primeiro a tentar salvar a mulher (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)

Orlando Schelbauer vive em situação de rua e é conhecido dos moradores do bairro. Ele foi alertado por uma amiga sobre a queda da mulher durante a chuva e a enxurrada e correu para tentar ajudar.

"Saí correndo e fiquei 10 minutos tentando tirar ela de lá e chamando pessoas, mas foi difícil. Ao cair, ela entalou embaixo do carro. Se não aparecesse ninguém, minhas pernas não aguentariam", conta ele.

Além de Orlando e de vizinhos, entregadores de aplicativos que passavam pelo local também auxiliaram no salvamento. Antes da chegada dos bombeiros, o grupo prestou os primeiros socorros.

RECLAMAÇÕES

Esta não foi a primeira vez que uma morte por afogamento foi registrada na Avenida Princesa d'Oeste. Em janeiro de 2019, um homem morreu afogado após a forte chuva que caiu na via, em frente à padaria Piracam, no Jardim Proença.

Segundo testemunhas, o homem vinha de moto pela avenida, quando caiu com a força da enxurrada, ficou preso e se afogou. Ele tinha 41 anos. Os bombeiros foram chamados e tentaram reanimar a vítima por cerca de 20 minutos.

Em 2003, um bombeiro também perdeu a vida na via ao tentar resgatar uma pessoa ilhada durante uma enchente.

Os moradores reclamam que, mesmo com algumas intervenções para amenizar os problemas ao longo dos anos, a situação segue preocupando quem passa e é vizinho da avenida.

"Sempre tem enchente e tem problema. Desde criança aqui, há 30 anos ou mais, há enchentes. Precisa resolver pra não ter mais mortes aqui", reclama Ivo Almeida.

PROMESSA
 
Questionada, a Prefeitura informou neste sábado que trabalha na elaboração de um projeto executivo contra enchentes e alagamentos no entorno da via. Porém, não deu prazo para o início e a conclusão da análise e das obras. 

Na nota, o Executivo detalha que os estudos sobre as obras nas microbacias hidrográficas do Ribeirão Anhumas (Princesa d'Oeste) e a microbacia do Córrego Serafim (Orosimbo Maia) deverão propor uma série de obras de drenagem urbana.

"Incluindo piscinões, alargamentos e aprofundamentos das calhas hídricas, com o objetivo de obter um melhor e mais eficiente controle das águas pluviais nos momentos de vazantes. Serão obras de grande proporção, de alto custo e com um período longo para sua execução", diz o comunicado.

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