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Impasse: sindicato alerta para redução de ônibus com alta de diesel; Emdec nega

Em Campinas, cerca de 80% dos ônibus são geridos pelo sindicato; Emdec diz que em Campinas não há aval para redução de frota

| ACidadeON Campinas -

Aumento do diesel afeta custo do transporte público (Foto: Luciano Claudino/ Código 19)

O SetCamp (Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano e Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas) alertou que prevê um colapso nos sistemas de transporte público na região após a alta do diesel anunciada ontem (9) pela Petrobras. O reajuste, de 8,87% para as distribuidoras, começou a valer hoje (10). 

Em nota divulgada nesta terça-feira (10), o sindicato disse que estuda uma redução na frota de ônibus que circulam nas ruas, caso as prefeituras não apresentem soluções imediatas para manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. 

Em Campinas, a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) já adiantou que não existe a possibilidade de redução no número de ônibus da cidade, sem um aval da Administração (leia mais abaixo). 

ENTENDA 

O SetCamp é responsável pelas empresas de ônibus que atuam em Campinas e cidades da região. Em Campinas, cerca de 80% dos ônibus são geridos pela entidade. 

"Se nada for feito por parte do Poder Executivo, sejam os governos municipais ou estadual, uma das únicas alternativas que nos resta é reduzir a quantidade de ônibus nas ruas", alertou Paulo Barddal, diretor de comunicação do sindicato. 

IMPASSE 

Sobre a possibilidade da redução no número de ônibus em Campinas, o presidente da Emdec, Vinícius Riverete, disse que não há o aval da Administração. 

"Quem decide é a Administração e eles (o sindicato) só poderiam reduzir frota com o aval e não há nenhum. Não há nenhuma orientação para reduzir frota", afirmou Riverete. 

A EMTU (Empresa Metropolitana de Transporte Urbano), responsável pelos ônibus do transporte metropolitano, informou que mantém diálogo constante com as concessionárias a respeito do reflexo do aumento dos combustíveis nas operações.  

"No entanto, as empresas devem cumprir a tabela horária de viagens estabelecida, com a possibilidade de serem autuadas no caso de descumprimento", afirmou a empresa.

AUMENTO NO CUSTO 

"O anúncio de reajuste de 8,9% no preço do diesel trouxe uma grande preocupação para os sistemas de transporte sobre pneus na Região Metropolitana de Campinas. Os dados revelam que, somados aos reajustes anteriores do combustível, o diesel já subiu 47% este ano. Hoje, o diesel é o principal componente na cesta de insumos do setor de transporte", explicou o diretor do sindicato. 

Segundo o SetCamp, o custo do diesel já superou o da mão de obra, que historicamente era o maior peso. "Em abril, o diesel representou 37,3% enquanto a mão de obra respondeu por 36,8% dos custos", indicou.

EM MARÇO 

Em março, a Emdec, informou que os aumentos no preço do diesel afetaram diretamente o custo mensal operacional do sistema de transporte de Campinas. 

Na época, segundo a empresa, o custo mensal do sistema de transporte na cidade, que era estimado em R$ 39,8 milhões, passou para R$ 43,9 milhões - um aumento de 10,28%. 

NOVO IMPACTO 

Sobre os impactos com o novo aumento, a empresa disse que o custo ainda será analisado neste mês, visto que houve aumento no nível de passageiros. 

"Houve aumentos no diesel neste ano, mas também aumentaram passageiros, o que já trouxe um equilíbrio. Agora com esse novo aumento nós vamos analisar em maio para ver como vai ser o fluxo de usuários e os impactos do sistema de transporte", avaliou o presidente da Emdec. 

ENTENDA O SUBSÍDIO 

Para manter os sistemas em funcionamento, o sindicato apontou a necessidade de revisão do subsídio repassado pelas administrações municipais. 

Atualmente, a Administração Municipal de Campinas faz um repasse mensal, na ordem de R$ 10,2 milhões, como forma de subsídio, para manter o equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte público. O repasse é destinado "para não onerar, ainda mais, o valor da tarifa", segundo a Prefeitura. 

"Esse assunto vem sendo alvo de diálogo já faz bastante tempo. Só nesse ano houve aumento de 47% no diesel, e as empresas mensalmente apresentam a planilha de custo às prefeituras. Esse problema da defasagem é de conhecimento das autoridades, e agora com mais esse aumento as empresas vão começar a bater nas portas das prefeituras e do governo. A gente toma pancada todo dia, mas e o dinheiro? Da onde que vem? Hoje temos 80% dos passageiros de antes da pandemia, e isso representa muito, cada centavo faz diferença", disse o diretor do sindicato. 

Sobre a possibilidade de reajuste do subsídio, a Emdec reforçou que o aumento nos passageiros vistos nos últimos meses têm equilibrado os gastos. Segundo o presidente, não há previsão de revisão do subsídio, mas o custeio será analisado neste mês junto com observação sobre o fluxo de usuários.

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