Aguarde...

ACidadeON Campinas

Campinas
mín. 20ºC máx. 36ºC

cotidiano

Se hoje é aniversário de Campinas, por que não é feriado?

Faltou "sensibilidade histórica" para as administrações ao longo do tempo

| ACidadeON

Hoje é aniversário de Campinas, mas diferente de outras cidades, não é feriado (infelizmente). Uma lei municipal de 1949 institui como feriado o dia da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, em 8 de dezembro. Outra lei, de 1971, fala que em 14 de julho é a data comemorativa de fundação da cidade, mas não fala em feriado. A Prefeitura afirmou que realmente não existe uma lei que institui a data da fundação como feriado.

“Houve uma falta de sensibilidade histórica em relação a isso da própria administração municipal no passado e que foi seguindo sem ninguém dar-se conta. Acho que uma coisa é um feriado religioso, católico e outro, completamente diferente, é a data histórica de uma cidade. Tem que haver distinção”, afirmou o historiador, membro da Academia Paulista de História e da Academia Campinense de Letras (ACL), Jorge Alves de Lima, autor de quatro livros sobre a história da cidade.

Ele acredita que a data deve ser marcada como feriado para que Campinas receba as homenagens que merece. “Campinas é uma cidade maravilhosa, mas com a história pouco conhecida pelos próprios campineiros. Um feriado nesta data com eventos dá oportunidade das pessoas se interessarem mais pela história do Município e com isso o valorizarem mais. Muita gente nem lembra que hoje é o aniversário da cidade”, afirmou.

Para tentar “corrigir” esse lapso da cidade transita, desde o ano passado, na Câmara Municipal um projeto de lei que defende que a data da fundação de Campinas também passe a ser feriado. O PL já passou pela Comissão de Legalidade e agora aguarda para entrar na ordem do dia. Ela é de autoria do vereador Pastor Elias Azevedo (PSB), que defende a importância da história da cidade e acha que tornar a data um feriado não vai ter tanto impacto. Segundo o vereador, o projeto pode ser votado e aprovado este ainda neste ano. Se isso ocorrer a lei passa a ser válida a partir de 2018.

“A ideia não é mudar, acho que o feriado religioso deve continuar na cidade. A ideia é tornar a data de aniversário também feriado para que as pessoas possam valorizar e lembrar desse dia com atividades e ações que marquem isso. Economicamente acredito que o impacto não é grande”, afirmou o vereador.

Nas ruas da cidade a ideia da cidade ter um novo feriado divide opiniões. “Acho que demorou. Hoje os eventos de aniversário são espalhados, durante uns dias que nada tem a ver com a data. Tendo em um único dia, concentra a comemoração e todo mundo aproveita”, afirmou a estudante universitária Geisa Duarte. 

O bancário Ednaldo Costa acha que um dia a mais pra descanso é sempre bom. “Quem não gosta? Só que sei que o comércio acha ruim porque cai o movimento do Centro e vende bem menos”, afirmou.

A vendedora Maitê Soares confirma a opinião do bancário. “Meu gerente sente arrepios só de pensar em feriado. O movimento cai muito no Centro e com isso vende bem menos, o comércio perde e a economia também”, afirmou. 

O varejo de Campinas, entre comércio e serviços, fatura, em média, R$ 37 milhões por dia. Abrir em feriados não repõe todo esse volume, mas segundo levantamento, pode garantir uma média de 45% de faturamento de um dia normal. 

Mais do ACidade ON