Aguarde...

Colunistas

Ainda não é possível saber quando uma vacina eficaz estará disponível

Pode ser que a vacina segura e efetiva nunca seja encontrada

| Especial para ACidade ON

Juliana Oba Costa é médica patologista (Foto: Divulgação) 


É impossível saber quando e se teremos uma vacina verdadeiramente eficaz contra o novo coronavírus. Embora as estimativas apontem que algumas vacinas estejam disponíveis até o fim do ano ou no mais tardar, no início de 2021, pode ser que a vacina segura e efetiva nunca seja encontrada. Isso porque, como já foi demonstrado por inúmeros estudos, o SARS-Cov-2 sofre mutação e, para saber se ao ser exposto pela segunda vez ao vírus o indivíduo continua protegido, será necessário estudá-lo constantemente.  

Para se certificar de que uma vacina é segura e eficaz, são necessárias várias etapas. Na fase pré-clínica são realizados testes em laboratório com o vírus em células e/ou animais, para avaliar a eficácia e segurança do composto. Na fase 1, a vacina é aplicada em um número pequeno de pessoas e visa assegurar que ela é segura, avaliando as dosagens ideais e a ocorrência de efeitos colaterais. Na fase 2, os testes envolvem centenas de pessoas e os resultados são comparados com um grupo controle, que recebe um placebo.  

O objetivo é avaliar se a vacina consegue imunizar os voluntários contra o vírus. Já na fase 3 são vacinadas milhares de pessoas, que também são comparadas com um grupo controle. A ideia é verificar como a vacina se sai no mundo real. Para isso, os voluntários devem se expor ao vírus, para saber se realmente estão protegidos e não adquirem a doença. Como não é possível infectar os voluntários propositalmente, é necessário que eles se exponham por conta própria ao vírus, e isso pode levar anos. Somente após essa fase, é possível aprovar ou não uma vacina.  

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo temos 33 vacinas contra o novo coronavírus sendo testadas em seres humanos, sendo que 10 delas estão na fase 3. Embora estudos avancem por todo o planeta, é impossível saber quando uma vacina eficaz estará disponível. A vacina mais rápida já criada foi a de caxumba e, levou pelo menos quatro anos para ficar pronta.  

Além disso, existem outros fatores a serem avaliados quando se trata da possibilidade de imunização por meio da vacina. Há doenças como o sarampo, por exemplo, para as quais a imunização é de longa duração. Já para a gripe é necessário formular uma nova vacina a cada ano para reestimular o sistema imunológico por conta das mutações do vírus. Isso sem falar no vírus do HIV, por exemplo, que é conhecido há mais de 30 anos, e suas constantes mutações nunca permitiram a criação de uma vacina.  

Segundo a OMS a proporção de pessoas que precisam estar imunizadas contra o novo coronavírus para que a população esteja protegida é de 65 a 70%. Estudos estimam que apenas 5 a 10% da população global tem anticorpos por exposição ao vírus, o que significa que a maior parte das pessoas está susceptível e a infecção pode continuar em ondas. A vacina seria uma forma de chegar a essa proporção de imunização protetora com mais segurança e eficiência.  

Existem correntes que defendem que a imunidade de rebanho poderia ser obtida por meio da infecção natural das pessoas através da exposição ao vírus. No entanto, isso levaria bastante tempo, além de causar mortes desnecessárias e sobrecarregar os sistemas de saúde.  

Fato é que, sem a vacina, o mais seguro a se fazer é manter as medidas que minimizam a transmissão, como uso de máscaras, distanciamento, lavagem frequente das mãos e evitar aglomerações. Além disso, diversos estudos têm sido realizados na busca por um tratamento eficaz. Ter a garantia de um tratamento que funcione pode nos trazer mais segurança.  

Juliana Costa é médica patologista dos Laboratórios DMS Burnier. Formada pela Unicamp, possui título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e MBA Executivo em Saúde pela Fundação Getúlio Vargas

Mais do ACidade ON