
Um levantamento apontou que o crime de estupro a vulnerável foi o crime que mais cresceu em Campinas no primeiro semestre de 2022, em comparação com o mesmo período do ano passado – veja outros dados abaixo.
De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo, os registros de estupros contra menores de 14 anos ou pessoas com deficiências subiu de 79 para 126, um aumento de 59%.
Segundo o especialista em segurança pública, Ruyrillo Magalhães, a maior parte desse tipo de ocorrência costuma acontecer dentro de casa e que os familiares precisam estar atentos ao comportamento das crianças e deficientes.
“Normalmente e infelizmente, isso se dá com pessoas do ciclo da vítima, muitas vezes alguém não tão próximo, padrastos, tios, mas pode acontecer até com pais, mães, então é necessário que se tenha uma vigilância. Quando a pessoa percebe que a criança começa a ter reações diferentes, principalmente quando vai ficar sozinha com essa pessoa, então é necessário ficar atento a essas coisas.”
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O estupro a vulnerável representa 78,2% do total de estupros cometidos na cidade no primeiro semestre deste ano. Ao todo, foram 161 registros em 2022, enquanto em 2021 foram 110, aumento de 46%. Só no terceiro bimestre do ano (maio e junho) foram 56 ocorrências.
Para Magalhães, esse aumento pode estar atrelado à maior segurança que as vítimas têm para registrar a ocorrência e levar a denúncia à diante: “A divulgação de casos e o trabalho de entidades de defesa das mulheres e direitos humanos fazem com que as vítimas tenham mais segurança para registrar boletim de ocorrência”.
OS CRIMES QUE MAIS AUMENTARAM EM 2022
– Estupro a vulnerável: alta de 59%
– Estupro: alta de 46%
– Furto: alta de 33%
– Roubo: alta de 17%
– Furto de veículos: alta de 13%
– Roubo de veículos: alta de 8%
ROUBOS E FURTOS
O terceiro crime que mais cresceu em Campinas no primeiro semestre de 2022, em comparação com os seis primeiros meses de 2021, foram os furtos, que aumentaram 33%.
Os furtos de veículos também cresceram, mas em menor proporção, 13%, saindo de 1.448 para 1.643 no período.
Já os roubos, quando há a subtração de algum item com uso de violência ou ameaça, apresentaram um aumento de 17% em comparação com o ano passado, saltando de 2.587 para 3.023. Já roubo a veículos foi de 875 para 949, crescendo 8%.
CRISE ECONÔMICA
Para Magalhães, o aumento no número de furtos e roubos está associado à crise econômica e o desemprego. “A pessoa fica sem emprego, sem dinheiro e acaba partindo para o crime. Claro que tem outros que se aproveitam da situação e da malandragem para obter esse ganho”.
Ele acrescenta que fatores urbanísticos também favorecem esse tipo de crime. “Cidades bem planejadas, bem organizadas, bem administradas, elas mudam a ação dos criminosos. As ruas são mais bem iluminadas, têm menos conflitos sociais, menos problemas, o que resulta em menos crimes desse tipo”.
O especialista em segurança pública ressalta que outro fator determinante para o aumento da criminalidade é a falta de investigações, já que a Polícia Civil, segundo ele, não tem estrutura para ir atrás de todas ocorrências:
“Lamentavelmente, há anos, a Polícia Civil é deixada de lado. Não fecha o sistema de segurança pública se não tiver uma Polícia Civil bem estruturada, bem organizada, bem estimulada para evitar a impunidade. Se o marginal souber que, se burlar a Polícia Militar e a Guarda Municipal, vai ter uma boa investigação e ele vai ser preso, isso vai gerar um receio nele de cometer o crime”.
OUTRO LADO
A SSP informou, em nota, que apesar dos aumentos em relação a 2021, os casos de estupro e roubo tiveram queda de 16,9% e 14,9% em comparação com o primeiro semestre de 2019, último ano pré-pandemia.
A pasta também ressaltou alguns números da produtividade policial nos primeiros seis meses de 2022:
– 5.654 prisões realizadas
– 1.802 veículos recuperados
– 426 armas de fogos ilegais retiradas das ruas da cidade
OPERAÇÃO SUFOCO
De acordo com o CPI-2 (Comando de Policiamento do Interior 2), o policiamento é reorientado constantemente com base na análise dos indicadores criminais. A Polícia Militar pretende intensificar as ações em Campinas a partir de agosto, através da Operação Sufoco, que foi anunciada pelo governo estadual em maio deste ano.
Magalhães considera que esse tipo de ação é uma “cortina de fumaça”: “Se ficasse permanente, esse policiamento, ótimo. Mas isso aí vai quebrar o galho, nesse período vai ter menos ocorrência, mas não vai resolver o problema. É fazer uma média com a população”.
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