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No Centro, trabalhadores redobram cuidados para evitar coronavírus

Quem não tem escolha e precisa trabalhar nas lojas o jeito é improvisar e redobrar os cuidados para evitar a contaminação

| ACidadeON Campinas

 

Vendedora trabalha com máscara no comércio de Campinas. (Foto: Renan Lopes/ACidade ON Campinas)

A região central de Campinas já começou a sentir os reflexos do novo coronavírus no comércio. Segundo os lojistas, o número de consumidores diminuiu bastante nos últimos dias. Apesar de ainda haver circulação de pessoas que se arriscam na Rua 13 de Maio principal corredor de compras as vendas estão caindo a cada dia. 

Mas para quem não tem escolha e precisa trabalhar nas lojas o jeito é improvisar e redobrar os cuidados para evitar a contaminação. Dentro das lojas, a higienização é indispensável. Muitos comerciantes estão orientando seus funcionários a lavar bastante as mãos, usar álcool em gel e até máscaras. 

Desde a semana passada, a recomendação da Prefeitura é que a população evite ambientes de aglomeração por conta do risco do contágio ao coronavírus. Ontem, a cidade confirmou três casos da doença. O número de suspeitas chegou a 127 casos investigados. Eventos foram suspensos e a Prefeitura recomendou que o comércio alterasse o horário para evitar aglomeração no transporte público. Hoje, o prefeito, afirmou que poderá determinar o fechamento compulsório de estabelecimentos comerciais na cidade "caso seja necessário" diante da pandemia de coronavírus (leia mais aqui).

CARA E CORAGEM 

Na Rua 13 de Maio, principal calçada do comércio Central, já houve uma grande diminuição no número de clientes. Sem parar o funcionamento, comerciantes afirmam que a queda nas vendas chegou a 90% nesta semana. Mesmo com portas abertas, os trabalhadores adotaram medidas para evitar a contaminação.  

Em uma loja de bijuterias e maquiagem, o proprietário orientou as funcionárias a trabalharem com máscaras, luvas e fazerem o uso constante do álcool em gel.   


 
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"Nosso patrão é chinês, então por ele ver como foi lá, fez toda a recomendação pra gente, para tomar todos os cuidados. A gente tem muito contato com cliente, então sabemos que estamos bastante vulneráveis", contou a vendedora Larissa Alves. 

A gerente da loja, Lindicacia Ferreira, diz que é uma preocupação dos dois lados, tanto em relação ao contato com a doença, quanto do medo de ficar sem emprego.  

"Dá para contar nos dedos quantos clientes entram na loja por dia. Os patrões já nos falaram sobre corte de funcionário, porque se continuar assim vai ser difícil manter. A gente tenta manter a calma, mas não tem como não ficar fica apavorada". 

A gerente de uma loja de roupa íntima na Rua 13 de Maio, Edilene de Andrade, diz que a loja seguiu a recomendação da Prefeitura, mas que pelo andamento das vendas acha que é provável o fechamento.  

"A diminuição foi muito grande, pelo menos 70% das procuras. Nós já reduzimos o horário, estamos seguindo as recomendações, mas há o risco de inclusive fechar".  

A vendedora Cleide Donizette, tem 62 anos e mesmo fazendo parte do grupo de risco, está trabalhando normalmente. Ela conta que adotou maneiras para tentar se proteger, mas que fica preocupada com a exposição.  

"Procuro atender mais longe, não tão em cima do cliente. Sempre lavar as mãos, mas é uma exposição. Todos estamos vulneráveis, mas a gente tem que trabalhar, então estamos aqui. A gente fica com medo, mas fazer o que?", questiona a funcionária.   



CIRCULAÇÃO  

Mesmo com orientação de evitar aglomerações, o Centro ainda recebe consumidores, que arriscam andar em meio as ruas com concentração de pessoas. Alguns se arriscam usando máscaras, outros com o álcool em gel na bolsa, como foi o caso da aposentada Helena da Rosa Lima, de 73 anos. Ela foi ao Centro com a neta, Larissa Bernardes, que está grávida de sete meses.  

"A gente acaba tendo que vir para resolver coisas, tivemos que passar no banco, não tem o que fazer e tem que vir, mas trouxemos a máscara e o álcool e gel na bolsa. A gente evita sair, fica mais em casa, mas não tem como ficar sempre, evitamos como conseguimos", comentou a idosa.

Já a aposentada Maria Auxiliadora, de 75 anos, também do grupo de risco, veio de Salvador para um casamento e passou no comércio para fazer compras.  

"Estou aqui com a minha máscara. Acabei de passar álcool na mão, estou tomando as precauções que a gente pode". . 

"No casamento vamos tentar evitar, mas vai ser difícil sem abraço, sem beijos, o noivo e a noiva ficam como? É uma situação bastante incomum, nunca vivi isso", conta a idosa. 

QUEDA NAS VENDAS
 
O Sindvarejista (Sindicato do Comércio Varejista de Campinas e Região) estima que o estabelecimentos deverão sentir o impacto da pandemia a partir de maio, com uma expectativa de queda de 2% nas vendas, em uma projeção feita em parceria com a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). Já para a Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas), a estimativa é ainda mais pessimista: perda entre 15% a 20% das vendas até o final de março.

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