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Após fechamento, shoppings prevêem 10 mil demissões

Além do corte, há previsão de fechamento de 10% das lojas localizadas nesses grandes centros de compras.

| ACidadeON Campinas

Além do corte, há previsão de fechamento de 10% das lojas (Foto: Luciano Claudino/Código19)

O fechamento da maior parte dos shoppings de Campinas como medida preventiva ao coronavírus já traz um número bastante alarmante para o setor - a estimativa de demissão de cerca de 10 mil funcionários. Além do corte, há previsão de fechamento de 10% das lojas localizadas nesses grandes centros de compras.

Ao todo, são oito grandes shoppings em Campinas, e mais de 1,4 mil lojas. Do total, apenas três estavam funcionando na última sexta-feira (20), segundo dia da medida: Prado Boulevard, Unimart e Jaraguá Conceição - mesmo assim, com o horário reduzido.

Segundo o presidente da Comissão de Shoppings Centers da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Gustavo Manggioni, a orientação pelo fechamento partiu de uma reunião de empreendedores com a Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers) nesta quarta-feira (18) horas depois do governador João Doria (PMDB) anunciar o fechamento de todos os shoppings da capital e da região metropolitana de São Paulo para deter a propagação do coronavírus. Lá, o governador deu o prazo de até a próxima segunda-feira (23) para o fechamento das portas.

A Abrasce diz que recomendou aos associados a seguirem com as diretrizes municipais, sendo ao fechamento ou redução de horário de funcionamento.

Em Campinas, cinco shoppings amanheceram com as portas fechadas na quinta (18). A estimativa é que o fechamento dure entre 30 e 45 dias, com previsão de grande prejuízo ao setor. Nas últimas semanas o faturamento já havia tido resultados negativos.

"Vai ser uma crise enorme, com estimativa de mais de 10 mil demissões, entre funcionários da loja, da administração e serviços dos shoppings, caso não haja uma ajuda federal ou estadual, será um caos na área financeira", afirmou o presidente da comissão.

Segundo Manggioni, os shoppings ainda não informaram como vão agir com relação à cobrança de aluguéis dos comerciantes, e os escritórios estão recebendo muita procura de orientações jurídicas.

"Nos procuram muito para orientação em relação à demissões, e muitos lojistas não têm nem condições para pagarem os benefícios e indenizações aos funcionários. A gente estuda a questão de férias coletiva ou de corte em parte do salário. Muitos estão perdidos e sem saber o que fazer", disse o presidente.

"Há na legislação cláusulas que suspendem a cobrança dos aluguéis no período de suspensão, então esse período é de muita conversa jurídica para tentar evitar danos maiores na economia".

A INSEGURANÇA

Os lojistas ainda lidam com a incerteza em relação aos próximos meses, sem saber como manterão o faturamento dos comércios. Esse é o caso de Sidney Silva, que tem lojas de café e confeitaria em três shoppings de Campinas, e já prevê demissões ou até mesmo o fechamento de lojas. Silva tem lojas no Parque das Bandeiras, Unimart e Parque Prado. Até o momento apenas o primeiro shopping oficializou o fechamento.

"É difícil a situação. Eu já estou entrando com férias coletivas para os funcionários, e provavelmente tenha que demitir de 20% a 30% do quadro, e se essa situação continuar por muito tempo provavelmente tenha que fechar", afirmou o lojista, que diz que mantém funcionamento nas outras duas lojas em que os shoppings estão abertos.

"Nos shoppings que não oficializaram o fechamento, eles deixam a critério do lojista para o prejuízo e responsabilidade ser nossa, e poderem continuar cobrando o aluguel. É uma situação complicada, se não tivermos nenhuma ajuda em relação a isso muitas lojas vão fechar e muita gente vai ficar sem emprego", comentou.

O gerente de uma loja de roupas do Parque D.Pedro, Renato Siena, diz que tenta pensar positivo em relação à doença e ao emprego. "Nós por enquanto estamos de folga, e não fomos avisados de nada, nem de férias coletivas, nem se há a possibilidade de demissão. Fomos somente dispensados sem maiores informações sobre isso, mas estamos tentando pensar positivo em meio à muito medo, de todos os lados. É algo confuso, mas por enquanto eu estou pensando na medida pro bem, sem pensar no que pode acontecer".

A PREFEITURA

Na última quinta-feira (19) o prefeito Jonas Donizette realizou uma reunião com a Comissão de Shoppings Centers da OAB. Segundo Manggioni, foi pedido à Administração a isenção de tributos municipais, assim como medidas de emergência e liberação de linhas de crédito aos comerciantes, para evitar uma crise maior na economia.

O prefeito respondeu que protocolou as solicitações, e encaminhou um ofício com sugestões de ajuda para o setor privado. "Há muitas perguntas em relação a impostos e ajudas na parte econômica. Na reunião de hoje, mostrei encaminhamos um ofício, e algumas partes já foram acatadas, como suspensão de pagamentos de pessoas físicas e jurídicas de cobranças na Caixa Econômica Federal. Tentamos ainda autorizar a suspensão de contrato de trabalho a micros e pequenas empresas, com subsídio de rendas básicas por meio de seguro desemprego", citou Jonas.

O prefeito, no entanto, descartou por ora conceder algum tipo de benefício para pessoas físicas ou jurídicas em relação ao pagamento de impostos. "Minhas ações se baseiam em dois pilares. A preservação da vida e a garantia da sustentabilidade econômica para que a cidade viva", disse. "Há a preocupação econômica, mas a nossa primeira preocupação é com a vida das pessoas, e por isso o isolamento é importante", acrescentou.

OS SHOPPINGS

A Abrasce diz que ainda está analisando e mapeando os fechamentos de lojas e ainda não tem estimativa de quanto será o prejuízo no setor. Ainda segundo a Associação, não há uma posição sobre como as cobranças de aluguéis a lojistas serão feitas, e isso está sendo conversado com os empreendedores do setor.

Procurados, os shoppings de Campinas também não informaram sobre previsão do número de fechamentos de lojas e demissões. Os shoppings foram questionados sobre a cobrança de pagamento de aluguéis aos lojistas, mas disseram que não podem informar questões financeiras.

FECHAMENTOS

Os shoppings Iguatemi, Galleria, Parque Dom Pedro, Campinas Shopping e Parque das Bandeiras estipularam o fechamento até o dia 30 de abril, seguindo recomendações das autoridades competentes, por razões sanitárias e proteção de todos os funcionários, lojistas, clientes e fornecedores.

O Galleria, Parque das Bandeiras e Campinas Shopping responderam que manterão apenas operações especiais, como farmácia, clínicas e supermercado. O Campinas Shopping disse também que ficou facultado o funcionamento do Poupatempo e o Detran (que fecharão a partir desta segunda, 23) além dos serviços de delivery da praça de alimentação poderão ajudar a atender aos clientes que optarem por consumir os produtos em suas casas.

O shopping Prado Boulevard disse que funcionará com um horário reduzido, e por enquanto não deve fechar. Os shoppings Unimart e Jaraguá Conceição não responderam sobre como o funcionamento será mantido. Caso haja o retorno, a reportagem será atualizada.

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