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Sem álcool em gel: como as comunidades enfrentam o coronavírus

Moradores da comunidade Buraco do Sapo, em Campinas, não encontraram produto nas farmácias; muitos estão com medo

| ACidadeON Campinas

Moradores da comunidade Buraco do Sapo não encontraram produtos para higienização (Foto:Sarah Brito/ACidade ON Campinas)

Apesar do avanço exponencial dos casos do novo coronavírus no país, a rotina de prevenção dos moradores da comunidade Buraco do Sapo, no Jardim Flamboyant, em Campinas, é muito distante do ideal.

Isso porquê muitos moradores não conseguem encontrar álcool em gel para esterilizar as mãos e superfícies, e ainda precisam continuar trabalhando. Na favela, que fica ao lado do Shopping Iguatemi, muitas crianças - dispensadas das escolas - brincam livremente na Praça da União, o centro do Buraco do Sapo, onde há uma pastelaria e um bar.

A dona do boteco, Gláucia Pereira Cavalcante, de 44 anos, conta que, mesmo sem ter o álcool gel, continua trabalhando normalmente pois tem várias contas para pagar. "Estamos por enquanto só em alerta. Fui no mercado para comprar as coisas das porções que vendo. Em geral, não temos condição de comprar muita coisa", disse ela.

Para higienizar o bar, ela tem lavado o comércio com água sanitária e passado álcool líquido nas bancadas e mesas dos clientes. "Ontem, lavei tudo aqui, na minha folga. E também limpei dentro de casa", disse.

Vizinha e dona da pastelaria, Maria Francisca do Prado, de 75 anos, contou que não achou o álcool em gel para comprar e evitou abrir o comércio nesta semana. Mas, a partir de amanhã, deve voltar a trabalhar. "Não encontrei álcool em gel na farmácia da Avenida José Bonifácio, nem no mercado. Encontrei um pequeno, que já acabou, e vou voltar a trabalhar porque não quero ficar dura", contou.

Outro morador que continua o trabalho é o segurança Edson de Assis, de 52 anos. Ele conta que não está com tanto medo e que fez mais compras para casa. "O trabalho continua. Vamos saber como vai ficar no dia 23, que talvez tenha mudança. Tenho fé em Deus que vai dar tudo certo. É uma fase que vamos superar", disse.

Já a moradora e empregada doméstica Patrícia Alves da Silva, de 35 anos, contou que recebeu um pote de álcool em gel da patroa, para continuar indo trabalhar. "Estou indo trabalhar até segunda ordem. Mas ela disse que se ficar grave, é pra eu ficar em casa", disse. Patrícia diz que está com medo da doença. "O negócio é sério. Tem que ter muita limpeza e estou jogando cloro em tudo", disse.  


CASOS 

Na noite desse sábado (21), Campinas confirmou nove casos do coronavírus na cidade. Destes, sete estão em isolamento domiciliar e dois internados. O município conta também com 253 em investigação e 39 descartados.   

A RMC (Região Metropolitana de Campinas) soma 15 casos, sendo nove em Campinas, um em Jaguariúna, três em Valinhos, um em Paulínia e um Hortolândia.

Para conter a doença, o prefeito Jonas Donizette (PSB) instaurou estado de calamidade pública neste domingo (22) e a cidade entra em quarentena a partir desta segunda-feira (23). 

As medidas determinam o fechamento de todos os serviços, com exceção dos considerados essenciais, como saúde, segurança e alimentação. LEIA MAIS AQUI 

Além disso, estão fechados todos os 25 parques e bosques da cidade.

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