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Aéreas reduzem salários em 50% e adotam licença não remunerada

Funcionários estão apreensivos com medidas econômicas tomadas pelas companhias aéreas, em crise por conta do novo coronavírus

| ACidadeON Campinas

Novo coronavírus tem impactado em receita econômica de empresas áreas, que adotaram medidas para os funcionários (Foto: Luciano Claudino/Codigo19) 

Os comissários de bordo, pilotos de avião, funcionários do check-in e administração das principais companhias áereas do país poderão ter seus salários cortados em 50% - conforme preconizou o governo federal por causa da crise gerada pela suspensão do trabalho com o avanço do novo coronavírus. Além disso, há também planos licença não-remunerada para os funcionários, que estão apreensivos com o cenário.

As medidas fazem parte de um plano econômico das três principais companhias - Azul, Gol e Latam, que dominam quase 90% do mercado de aviação do Brasil. As três operam voos regulares no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

Funcionários da Gol e Azul ouvidos pela reportagem do ACidade ON Campinas contaram que já foram afetados pelas medidas. Na Gol, membros da tripulação estão tendo salários cortados pela metade. Um deles disse que recebeu comunicado informando sobre um mínimo de folgas a partir deste mês. Serão, no mínimo, 16 folgas em abril, 18 em maio e 20 em junho. Isso tudo com redução de 50% no salário.

Ele contou que estão todos apreensivos em perder o emprego e pela empresa declarar falência. O funcionário contou que a Gol disse que a crise é, de fato, sem precedentes e que não há perspectiva de quanto tempo ela vai durar. Por telefone, o trabalhador disse que está preocupado porque o setor será um dos mais afetados, pois as pessoas não poderão viajar, hotéis estarão fechados e o dólar está alto. O leasing (aluguel) dos aviões, assim como a manutenção, são feitas na moeda estrangeira.

Já na Azul, alguns funcionários já aderiram ao programa de licença não remunerada como forma de manter o emprego durante a crise econômica. No entanto, a reportagem apurou que a empresa esperava adesão de mil trabalhadores e que, até hoje, esse número não foi atingido.

Essa licença remunerada, segundo um funcionário que também pediu para não ser identificado, é por um período mínimo de um mês e máximo de seis meses. Os benefícios, como plano de saúde, foram mantidos. Ambos os funcionários ouvidos moram em Campinas. 

Outro trabalhador, da Latam, afirmou que a empresa sugeriu um plano de licença não-remunerada de 30 a 90 dias, mas que os funcionários ainda devem votar a proposta em uma assembleia. A Latam confirmou o caso (leia abaixo).
 
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OUTRO LADO

Em nota, a Azul confirmou a licença não remunerada e disse que "em virtude das incertezas geradas pela propagação do coronavírus, adotou um plano de contingência que contempla a possibilidade de licenças não remuneradas. Obedecendo a diversos critérios, a iniciativa permite que Tripulantes possam aproveitar o período para se dedicar a projetos pessoais sem perder o vínculo empregatício com a companhia, preparando, ao mesmo tempo, a empresa para o futuro".

Além disso e do cancelamento de voos, a Azul contou está implementando várias medidas para reduzir o custo fixo de suas operações, que representa em torno de 40% do total de custos e despesas operacionais da companhia.

Entre elas estão a redução de salário de 50% dos membros do comitê executivo até a normalização da situação, suspensão de novas contratações e postergação do pagamento referente à participação nos lucros e resultados de 2019. A empresa também suspendeu viagens a trabalho e despesas discricionárias, o estacionamento de aeronaves e suspendeu entregas de novas aeronaves.

Já a Latam disse, em nota oficial, que está em negociação com os sindicatos da classe e tem se esforçado para a manutenção dos empregos. "Uma das propostas apresentadas, por exemplo, é a implementação da licença não-remunerada", disse a empresa.

A Gol anunciou as medidas na última semana para se adequar a este novo cenário por conta do coronavírus, com o declínio da demanda em todo o mercado de viagens aéreas no Brasil.

As ações que estão em vigor são: todos os diretores, vice-presidentes e o CEO terão uma redução salarial de 40%, válida para os meses de abril, maio e junho (inicialmente) e a jornada os Colaboradores internos, aeroviários, será reduzida em 35%, e com isso remunerações e benefícios adequados na mesma proporção.

Além disso, também foi postergado o pagamento de PLR (Programa de Participação nos Lucros e Resultados) 2019 para a partir de agosto de 2020 e implementado o trabalho remoto para todos os Colaboradores de áreas administrativas.

Para os tripulantes, os aeronautas, a empresa adotou a a redução de remuneração e jornada também acontecerá, levando em conta as horas de voo que serão adequadas à demanda do período.

Em nota, a empresa disse que "todos esses os movimentos são feitos com as informações atualmente disponíveis, e que futuras revisões não estão descartadas".

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