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1º dia de quarentena tem ruas vazias e alguns "desobedientes"

Com poucos lugares abertos, ainda foi possível ver aglomerações e filas

| ACidadeON Campinas

Avenida Francisco Glicério, no Centro, com movimentação abaixo do normal (Foto: Bárbara Gasparelo/ ACidade ON)
No primeiro dia de quarentena em Campinas, para o combate da pandemia do novo coronavírus, o Centro da cidade amanheceu em um cenário bastante incomum. Com comércios fechados, moradores de rua assumiram as fachadas das lojas. Em funcionamento somente farmácias, mercados e alguns restaurantes. Mas apesar de poucos lugares abertos, ainda foi possível ver aglomerações e filas. 

O estado de quarentena entrou em vigor hoje (23) na cidade, para o combate a pandemia de coronavírus. Até o final de semana, Campinas registrou nove casos confirmados, e 253 casos suspeitos. Neste domingo (22) a Prefeitura decretou o estado de calamidade pública, mantendo o funcionamento apenas de serviços considerados essenciais. 

Mesmo com a recomendação de afastamento social, nos Correios a fila chegava a mais de vinte pessoas aguardando atendimento na manhã de hoje (23). Reunidas lado a lado, muitas pessoas não praticavam medidas preventivas. 

A vendedora Juscilene Cordeiro dos Santos era uma das pessoas aguardando atendimento. Ela foi ao local para retirar uma encomenda, mas afirmou que estava seguindo as recomendações.  

"Meu trabalho já parou, estou evitando sair de casa, mas precisava retirar essa encomenda então acabei vindo, mas fora isso estou tentando não sair, evitando aglomerações e aqui ficando o mais distante que posso das pessoas", se explicou. 

Os pontos de ônibus da Avenida Francisco Glicério também estavam com movimentação, e muitos que estranhavam a demora dos ônibus, sem saber do estado de quarentena. Esse foi o caso do estudante Kevin Sulivan, que veio de Monte Mor para Campinas para fazer aula da auto-escola.  

"Eu tô há bastante tempo esperando o ônibus, tinha estranhado o baixo movimento e a diminuição das linhas, mas não sabia da quarentena. Tentei ligar na autoescola mas ninguém atendeu, e ninguém cancelou comigo, então eu peguei ônibus pra vir, agora já não sei se vai estar aberta", comentou o estudante.  

Outra passageira que aguardava o transporte coletivo, Geovava Teixeira Elias, diz que foi ao Centro para uma entrevista de emprego.  

"Fiz o cadastro em uma agência e eles me chamaram hoje pra entrevista. Mesmo com a situação que a gente tá, vim por causa da oportunidade. Eles não falaram nada sobre fechamento, por enquanto tá normal".  


COMÉRCIO  

O dono de um restaurante em frente à Catedral Metropolitana, Gilmar Jackson Barbosa, disse que vai continuar com portas abertas, mas já diminuiu o quadro de funcionários de 30 para apenas seis. 

"O movimento já tinha caído 90% semana passada, agora a partir de hoje vamos ver como vai ser. Eu já diminui o horário que antes era das 7h às 22h pra entrar às 8h, e acredito que vamos fechar já as 15h por falta de movimento." 

O comerciante disse que para o restante dos funcionários deu férias coletivas, e que aumentou o critério e limpeza no restaurante.  

"A gente mudou todo o trabalho, agora não servimos mais self-service pra evitar filas e contaminação, só servimos pratos individuais, e com preparação com cuidado. Tiramos mesas e deixamos mais longe, são medidas pra tentar proteger os clientes e a gente também", afirmou.

A funcionária de uma loja de cosméticos do Centro, Elisangela Barcelos, disse que a loja vai seguir a determinação do Estado e fechar a partir de amanhã. 

"Hoje vamos trabalhar enquanto tiver público, mas a partir de amanhã são portas fechadas. Ainda não sabemos como vai ficar em relação a férias, ou como vai ser, mas também temos que nos cuidar", comentou a funcionária. 

Já o atendente de um estacionamento disse que o local não parou ainda por causa dos mensalistas, funcionários de banco, e que foi dispensado um funcionário no grupo de risco. 

"Clientes avulsos a gente quase não tem mais, a gente continua por causa dos mensalistas. Mandamos pra casa um funcionário que já é idoso, e continuamos com atendimento mas mais a distância, evitando entrar em carros e chegar muito perto da pessoa", contou.

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