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Coronavírus coloca eleições municipais em xeque; veja opiniões

Possíveis candidatos acompanham evolução da doença e aguardam definições sobre a disputa

| ACidadeON Campinas

Prefeitura de Campinas. (Foto: Código 19/Arquivo)

Os pré-candidatos à Prefeitura de Campinas e diretorias de partidos já dão como certo o adiamento das eleições municipais 2020. A maioria acredita que postergar o pleito marcado para outubro é inevitável para o país lidar com as consequências sociais e econômicas da pandemia do novo coronavírus. Em Campinas são 10 casos confirmados e 308 em investigação ate esta quinta-feira (26).

Desde que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sugeriu no último domingo (22) que as eleições deste ano fossem adiadas para evitar aglomerações, deputados federais já começaram a formular PECs (Propostas de Emenda à Constituição) propondo a suspensão do calendário eleitoral e candidatos já dão a medida como certa.   
 
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Campinas tem hoje pelo menos 20 pré-candidaturas e muitos defendem a utilização dos R$ 2 bilhões do fundo eleitoral para ações contra a covid-19. Conhecido como "fundão", o recurso ajudaria a bancar campanhas. É o caso dos dois pré-candidatos do PSB, Rafa Zimbaldi e Wanderley Almeida. Adversários na disputa pela indicação da sigla, a mesma do prefeito Jonas Donizette, eles acreditam que não há clima político e nem condições financeiras para o debate eleitoral neste ano.  

Apesar de ainda não ter uma deliberação oficial do partido sobre o tema, Zimbaldi, deputado estadual, falou que hoje a disputa municipal virou uma questão secundária e que o adiamento não traria prejuízo às cidades.

"Imagina milhares na UTI, sem recursos, com falta de respiradores, tendo que discutir eleições a partir do meio do ano? É hora sim de cortar na própria carne. Além de usar o fundo eleitoral, deputados federais, estaduais, senadores devem abrir mão de benefícios para termos mais recursos", falou.  

Já Almeida, que além de atual secretário municipal de Relações Institucionais também é presidente da sigla em Campinas, afirmou que o PSB irá cumprir o prazo para fechar a chapa de vereadores, até o dia 4 de abril, mas que acha impossível um debate eleitoral em meio à pandemia.

"Pode parecer oportunismo de quem está no mandato, mas não é isso. Se técnicos já confirmaram que a curva de transmissão (do vírus) começa a descer só no mês de agosto, como vamos pedir votos com as pessoas preocupadas com a sua própria sobrevivência?", afirmou.  

Nome do PSD, o ex-vereador Artur Orsi acredita que se não houver uma diminuição da transmissão nos próximos três meses, e as medidas restritivas continuarem, as eleições devem ser adiadas. No entanto, ele defende também que, se a situação melhorar até junho, há condições de fazer o rito eleitoral em outubro.

"O princípio da rotatividade é fundamental. E em Campinas isso é muito necessário porque há um desgaste grande de quem está no poder. A renovação é importante".  

MUDANÇAS
 
No PT de Campinas, a quarentena mudou o modo de operar do partido. Treinamentos de vereadores da chapa e reuniões agendadas com os diretórios estaduais e nacionais passaram a ser virtuais.

A sede do partido e diversos comitês, como o "Lula Livre", estão fechados. O presidente da sigla na cidade, Carlos Orfei, explicou que não há uma posição oficial em relação ao adiamento, e que eles aguardam orientações da nacional.

"Mas com certeza é uma discussão que deve chegar na nossa pauta em breve. Precisa ser de nível nacional, porque o adiamento altera a Constituição", falou. O pré-candidato do partido, Marcio Pochmann, preferiu não comentar o assunto.  

Presidente do PSOL Campinas, Marcela Moreira explicou que os esforços do partido estão concentrados em compartilhar informações corretas e em ajudar os mais vulneráveis na crise.

Ainda não há uma posição do PSOL sobre o possível adiamento, mas ela considera "hipocrisia" de deputados e candidatos falarem em utilização do "fundão". "Se tivessem de fato comprometidos, já teriam protocolado isso no Congresso antes. O PSOL está focado na luta contra a MP (Medida Provisória) do Bolsonaro, que ataca duramente os direitos dos trabalhadores. E propusemos um pacote de medidas emergenciais para garantir empregos e investimentos do Estado", disse.  

Novata na disputa municipal, Alessandra Ribeiro, pré-candidata do PCdoB, acredita que o tempo é curto e que é difícil fazer uma campanha apenas pelas redes sociais. "Nossas bases não têm tanto acesso à internet e as redes sociais ainda não são tão abrangentes. Estamos observando o que vai ocorrer, mas com certeza algumas datas dos calendários devem ser alteradas".  

ELEIÇÃO ÚNICA  

Há também uma ala entre os candidatos de Campinas que enxerga no adiamento das eleições uma forma de instaurar o pleito unificado no país: eleições municipais, estaduais e federais no mesmo dia.

Um dos defensores é o ex-secretário de Habitação e pré-candidato pelo DEM, Samuel Rossilho.

"Minha opinião pessoal, e não do partido, é que haja uma eleição só em 2022, sem a possibilidade de reeleição, com mandato de cinco anos. Os custos para o país são muito menores. Acredito que essa tragédia possa fazer com que essa possibilidade entre em debate".  

Nome do Podemos para disputar a Prefeitura na cidade, o vereador Campos Filho disse que, além da utilização do fundo partidário para combater o coronavírus, é a favor da unificação. "Economizaria muito. Mas acho que primeiro, antes de tudo, temos que cuidar dessa pandemia, que é uma questão de salvar vidas".  

O médico e secretário de Esportes, Dário Saadi, explicou que o Republicanos ainda não tem uma deliberação. "Eu acho que é cedo para decidir, mas no caso a pandemia persistir em número significativo no mês de maio sou favorável ao adiamento".

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