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Exército de anônimos ajuda a superar impactos da pandemia

Eles produzem máscaras para profissionais de saúde, cestas básicas a famílias vulneráveis e marmitas para caminhoneiros

| ACidadeON Campinas

Apesar dos prejuízos com a quarentena, dona de loja de noivas passou a produzir máscaras (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

Em meio à pandemia do novo coronavírus, grandes dificuldades são encontradas no enfrentamento da doença. Enquanto profissionais de saúde se desdobram no tratamento de pacientes, há famílias sem condições de comprar alimentos.

Mas, como uma luz em meio à escuridão, redes de solidariedade estão sendo formadas por pessoas comuns, que se dispõem a fazer a diferença e amenizar os impactos da doença a famílias na região de Campinas.

Mesmo com isolamento domiciliar, grupos cada vez maiores estão dispostos a enfrentar o momento com outra perspectiva: reunindo forças para transformar as sensações de medo em coragem.

As ações são erguidas em várias frentes, e com atitudes pequenas, fazem grande diferença quando reunidas. Em Campinas, a proprietária de uma loja de noivas, apesar de enfrentar os prejuízos com a quarentena, resolveu ajudar e, em vez de vestidos, a loja começou a produzir máscaras para proteção.

Segundo Lívia Bressiani Barta, a ideia da confecção das máscaras surgiu após ela ver a dificuldade enfrentada pelo marido, que é médico no Hospital Estadual de Sumaré e relatou a dificuldade em compra de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).

"Imaginei como as pessoas também deviam estar passando por isso. Resolvi fazer algo para tentar ajudar, já sabia que a minha loja ficaria fechada, e por que não usar para o bem? Acabei fechando a loja até antes mesmo do decreto municipal, e começamos uma força-tarefa para produzir as máscaras", contou.

O dinheiro arrecadado por quem consegue pagar pelas máscaras é destinado a entidades e hospitais da região, que necessitam de doações nesse momento. A empresária diz que já confeccionou mais de 9 mil máscaras, e conseguiu juntar cerca de R$ 10 mil, que foi revertido em doações.

Com o dinheiro das compras e também de doações, Lívia conta que já conseguiu entregar cerca de 400 máscaras ao Hospital Estadual de Sumaré, e prevê a entrega de mais 600. Já na Casa da Criança Paralitica foram entregues 180 máscaras. A empresária diz que além das instituições, agora foca na fabricação para entrega a pessoas nos grupos de risco.

"Ficamos muito contentes que conseguimos fazer as doações para o hospital e entidades. Agora toda a produção está sendo focada ainda mais para doarmos a pessoas que não têm condição e que estão no grupo de risco", comenta a empresária.

AJUDAR É PRECISO

Também em Campinas, uma rede de solidariedade foi formada com auxílio da comunicação em redes sociais. Um grupo no WhatsApp reúne famílias enfrentando dificuldades e pessoas dispostas a ajudar.

A criadora do grupo, a terapeuta Egle Prema, conta que a ideia surgiu inicialmente para ajudar um grupo de mães solteiras, mas acabou se tornando algo muito maior. O grupo já conseguiu arrecadar mais de R$ 1,5 mil em dinheiro e doações em alimento, roupas e produtos essenciais, conseguindo ajuda para mais de 58 famílias.

"Eu não esperava essa quantidade de pessoas abraçando causas como essa. Vejo que está sendo um momento de despertar para solidariedade, com pessoas se mobilizando para ajudar sem julgar".

A terapeuta diz que divulgou o grupo nas redes sociais, onde muitas pessoas compartilharam e aprovaram a ideia, e cada vez mais pedidos e voluntários se encontram.

"Conseguimos ajudar famílias de ocupações e outras tantas que chegaram ao nosso conhecimento. Hoje o grupo já conta com 70 voluntários, cada um tenta ajudar como pode, abraçando a causa e se envolvendo de fato com outras pessoas", comentou.  



NAS ESTRADAS

O guarda municipal Alex Barbosa é outro organizador de um grupo que tem conseguido ajudar um grande número de pessoas. O funcionário público conta que mobilizou amigos no último final de semana para ajudar caminhoneiros, mas a adesão foi tanta que decidiram por ampliar a abrangência.

O grupo fez a primeira doação de marmitas para caminhoneiros na segunda-feira (30), e conseguiu distribuir cerca de cem refeições, já na quarta (1º) o número de doações quadriplicou, o que fez os membros também pensarem em ações além da rodovia.

"Começou em forma de conversa, de amigos querendo ajudar nesse momento que é crítico. Iniciamos a distribuição de marmitas, mas na última começamos a perceber que não bastava só aquilo. Conseguimos juntar mais de R$ 4 mil e resolvemos fazer cestas básicas para entregar em bairros periféricos, para atingir ainda mais famílias", conta.

Barbosa conseguiu o apoio da Guarda Municipal, e com um caminhão reuniu amigos para entregar 100 cestas básicas no Jardim Santa Mônica, em Campinas. As cestas foram feitas pelo grupo, que decidiu comprar, além de alimentação, produtos de higiene para que as famílias consigam se prevenir do coronavirus.

"Montamos as cestas e tivemos o melhor retorno possível. Vimos a real necessidade de muitas famílias, e foi muito gratificante. Muitas famílias ficaram extremamente emocionadas, o que legitimou ainda mais a importância do que estamos fazendo", afirmou.

REDE

A empresária Andréia Pereira Ferraz é outro exemplo de fomentação de ações entre grupos. Ela movimenta três grupos de solidariedade.
Um deles é montado por voluntários que entregam cestas básicas a bairros da periferia em Campinas.

Além deste, a empresária ajuda um grupo que entrega marmitas à caminhoneiros, e conseguiu integrar também parceiros para ajuda na compra de materiais de limpeza, que são distribuídos para casas de repousos.

"É um momento importante para usar força de mobilização para ajudar a população. Conseguimos reunir pessoas e amigos, e cada vez mais a rede está ficando maior", afirmou.

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