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Vereador diz que "vírus da informação" é pior que coronavírus

Parlamentar disse acreditar que o coronavírus é o vírus menos ofensivo, e o pior mal do momento é o "vírus jornalístico"

| ACidadeON Campinas -

Fala foi dita pelo vereador Fernando Mendes (Foto: Câmara Municipal de Campinas)

O vereador de Campinas Fernando Mendes (Republicanos), disse, usando seu tempo de fala na sessão de hoje (22) cedo na Câmara, que o pior vírus que o país enfrenta nesse momento é o "vírus da informação".  

Durante a reunião ordinária, o vereador disse acreditar que o coronavírus é o vírus menos ofensivo que o brasileiro enfrenta nesse momento, e defendendo a ignorância, disse acreditar "que o pior vírus seria o jornalístico". 

"Temos vários vírus no país, temos o vírus jornalístico, o vírus do Doria, o vírus da Globo e tem o coronavírus, que é o menos ofensivo nesse momento", declarou o parlamentar.  

O vereador criticou ainda o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB) por "falta de inteligência" ao seguir as orientações do governador paulista, João Doria (PSDB), no decreto de isolamento social.  
 
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Mendes disse que falta ao prefeito "o uso de inteligência e coerência a respeito a diversos setores", e que isso se dá "a partir do momento que se dá ouvido ao governador João Doria". 

Mendes, que é chamado de "bispo" por seus colegas na Casa, é pastor da Igreja Universal em Campinas - a mesma de Edir Macedo, dono da Rede Record. O setor faz pressão para que as igrejas sejam reabertas e os cultos possam voltar a ser realizados. Por isso, seus integrantes têm criticado autoridades que impõem a quarentena como forma de prevenção ao novo coronavírus. 

Mendes não precisou nem esperar a repercussão de sua fala ao público para ser repreendido. O próprio presidente da Câmara, Marcos Bernardelli (PSDB), usou a Tribuna para repudiar a fala do vereador. 

"Temos que ter cuidado com o que falamos nessa Casa, somos movedores de opinião pública", declarou o presidente, que defendeu as medidas da Prefeitura e do Estado.  

"As medidas de isolamento foram determinadas pelo Conselho Nacional de Saúde, do Ministério, e essa ordem sai do gabinete da Presidência, talvez ele nem saiba, mas foi. O prefeito deixou isso bem claro e para deixar de obedecer, é necessário outra ordem do gabinete da Presidência", afirmou. 

O vereador Pedro Tourinho (PT), presidente da Comissão de Saúde da Câmara, também usou o tempo de fala para se posicionar contra o pedido do vereador, que incitou a necessidade de retomada das atividades do comércio.  

"Eu concordo com a situação dramática no setor econômica, com grande potencial negativo, mas da mesma forma temos o vírus, que pode causar um caos ainda pior. Saber o tempo certo para sair e fazer o controle é um grande desafio para qualquer gestor. Eu acho que os colegas não deveriam assumir esse discurso", declarou o vereador. 

"Nesse momento, ele (Doria) está fazendo uma ação adequada, e se peca é pelo cuidado. Qualquer suspensão de restrição que implique circulação poderíamos ter estouro de casa. E não é PT defendendo Doria, é defendendo a vida. Não dá pra defender mortalidade alheia em prol de outra coisa", afirmou.

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