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Empresária denuncia abuso de fiscais: "prefiro pegar coronavírus"

Dona de loja de sapatos no Cambuí disse que foi ao local pegar boletos e arrumar estoque quando foi autuada por fiscais da Prefeitura; ela gravou a ação

| ACidadeON Campinas

Empresária filmou ação de fiscais e disse que houve excesso em atuação (Foto: Reprodução) 

Uma ação de fiscais da Prefeitura de Campinas para evitar que lojas e comércios da cidade fiquem abertos durante a quarentena por causa do novo coronavírus, decretada oficialmente no dia 23 de março, gerou indignação na proprietária de uma loja de sapatos no Cambuí.

A empresária Ivone Maria Rahd Tolito gravou um vídeo do momento em que os fiscais a autuavam por estar no local, que está fechado desde o começo da quarentena. Ela disse que foi ao local para pagar boletos e pegar mercadorias para venda on-line. O caso ocorreu no dia 14 de março e o vídeo viralizou nas redes sociais.

Indignada, ela diz que "ia adorar pegar coronavírus, para acabar com tudo isso. Estou louca para morrer, para acabar com as dívidas. Perdemos o direito de ir e vir, é isso? Vamos virar uma China? É comunismo", disse no vídeo. Ela conta que a ação foi excessiva e que inclusive teve que ser escoltada pela GM (Guarda Municipal) para sair pelos fundos da loja, por conta do alarme.

"A loja fazia 20 dias que estava fechada. Mas tenho que ir lá, quando vende pelo site. Nesse dia, chamei minha gerente, porque no último dia antes da quarentena havia chegado estoque, e precisava ver o que tinha", disse.

Ela afirmou que manteve a porta de vidro fechada durante o inventário, mas que foi denunciada anonimamente para a Prefeitura. "Era por volta de 10h. A gente já trabalha com a porta fechada, mas tem vitrine. Devem ter visto a gente lá e chamaram os fiscais", disse ela.  



Ivone afirmou ainda que o fiscal do Urbanismo que aparece no vídeo foi grosso com ela, dizendo que a empresária deveria estar em casa. "Falei para ele: 'mas e você, também não deveria?'. Estava trabalhando. Me trataram igual bandido", afirmou. Ela disse ainda que se recusou a assinar a autuação.  

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OUTRO LADO

A Prefeitura de Campinas foi procurada para comentar o possível abuso e se posicionar sobre o caso. Em nota, disse que a comerciante citada foi autuada e não multada, além de ser orientada a fechar o estabelecimento, conforme determina o decreto. Caso ela reincida, terá o alvará cassado e poderá ser multada. 
 
Sobre a ação fiscalizatória como um todo, a Administração explicou que  elas estão sendo feitas a partir de denúncias dos cidadãos que constatam o funcionamento de serviços não essenciais. As denúncias são recebidas pelo serviço 156 via ou pelo site da Prefeitura e direcionadas para a Guarda Municipal, Urbanismo, Procon, Setec e Vigilância Sanitária.  

"Os estabelecimentos que descumprirem o decreto de quarentena estarão sujeitos às penalidades previstas em lei, como auto de infração, multa e até lacração do estabelecimento",  finaliza a nota.

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