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Comércio, escolas, igrejas: veja plano para reabertura em Campinas

Prefeitura de Campinas detalhou plano para encerramento da quarentena; retomada começa a partir do dia 4 se governo estadual permitir

| ACidadeON Campinas

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (Foto: Luciano Claudino/Código 19)  

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), apresentou nesta segunda-feira (27) o plano para reabertura de estabelecimentos comerciais, instituições religiosas e escolas na cidade após a quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus. Ele só será implantado, no entanto, se houver aval do governo estadual.

O plano foi dividido em três fases, cada uma com duas semanas de duração. A primeira está prevista para começar já na próxima segunda-feira (4), com a abertura do comércio varejista, academias, salões de beleza, ampliação em padarias e restaurantes (que atualmente estão sem receber público), igrejas e parques públicos (veja os detalhes abaixo).  
 
Clique aqui e confira o documento completo da Prefeitura com as regras por setor

A reabertura de shoppings e escolas está prevista na segunda fase, que começa dia 18 de maio, também com regras e restrição de acesso. A terceira fase, em 1º de junho, contempla a volta das atividades quase em sua normalidade - bares e casas noturnas ainda deverão operar com apenas 50% da capacidade, por exemplo (veja todos os detalhes abaixo).

O plano, no entanto, ainda será submetido para o governo do Estado, que prevê o início da reabertura, gradual, apenas no dia 11. "Se o governador vetar, vou obedecer. Não vou passar por cima. Mas fizemos um plano técnico, baseado em dados, na realidade da covid-19 na cidade. Não estou pedindo um favor ao governador", disse Jonas. O prefeito disse que não vai à Justiça caso o governador negue a retomada a partir do dia 4.

Caso seja de fato implantado, o plano só avançará para a segunda fase se, durante os 14 dias da primeira fase, não haja uma explosão na ocupação de leitos por pacientes com a covid-19.

O monitoramento de casos confirmados, óbitos, contaminação em profissionais de saúde e ocupação de leitos será feito diariamente. Caso haja alguma movimentação que comprometa o sistema de saúde, o governo poderá retroceder uma fase ou até mesmo voltar para o estágio atual, apenas com serviços essenciais funcionando.  

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ENTENDA O PLANO

Fase 1 (4/5 a 17/5)  

- Manutenção dos serviços essenciais (alimentação, saúde, materiais de construção)
- Abertura do comércio varejista, com a presença de funcionários trabalhando por turno e controle de entrada de clientes, de acordo com o tamanho do estabelecimento (respeitar distanciamento de 2 metros entre clientes e funcionários);
- Abertura de empresas de estacionamento de veículos;
- Academias de ginástica e pilates, para atividades individuais, desde que respeitado o distanciamento de 2 metros entre as pessoas e que haja limpeza de aparelhos após cada uso;
- Segmento de estética, beleza e tatuagem apenas para atendimento em domicílio ou
atendimento individual com hora marcada;
- Abertura de atividades de escritório (imobiliária, engenharia, arquitetura, advocacia, contabilidade, turismo), desde que o local permita ventilação natural e com distanciamento entre os profissionais; os trabalhos possíveis de serem executados em home office devem assim permanecer, manter áreas comuns dos estabelecimentos fechadas ou de acesso restrito. As viagens a trabalho devem ser evitadas;
- Serviços de alimentação, como restaurantes, padarias e congêneres, com atendimento in loco com no máximo 30% da capacidade, devendo priorizar os serviços de entrega;
- Empresas de todos os seguimentos devem considerar implantação de horas de trabalho escalonadas para reduzir a aglomeração no transporte público durante o horário de pico de deslocamento e evitar aglomerações dentro das empresas (refeitórios, cantinas, espaços comuns...) para trabalhadores cuja natureza da função não permita trabalho remoto;
- Empresas de todos os seguimentos devem aumentar a frequência de limpeza de superfícies frequentemente tocadas (por exemplo, telefones, botões de elevador, computadores, mesas, mesas de almoço, cozinhas, banheiros, caixas registradoras, áreas de estar, contadores de superfície, balcões de atendimento ao cliente, bares, mesas/menus de restaurantes).
- Escolas devem permanecem fechadas;
- Visitas a hospitais e asilos devem permanecem proibidas
- Cirurgias eletivas podem ser retomadas, desde que sejam procedimentos, que usualmente, não requeiram internação;
- Atendimentos ambulatoriais podem ser retomados, incluindo dentistas, psicólogos e médicos em consultórios particulares

Fase 2 (18/5 a 24/5)

- Mantidos os serviços da fase 1;
- Abertura das atividades em shoppings, com limitação de 50% da capacidade instalada através de controle de vagas de estacionamento;
- Serviços de alimentação, como restaurantes, padarias e congêneres, podem atender in loco com no máximo 50% da capacidade, devendo priorizar os serviços de entrega; incluindo as praças de alimentação dos shoppings;
- Cinemas, estádios, igrejas e teatros podem abrir com regras de distanciamento e utilizando 30% de sua capacidade com recomendação de uso de máscaras;
- Espaços municipais que possam gerar aglomerações, como teatros, museus e bibliotecas devem funcionar com 30% da capacidade;
- Escolas e creches podem reabrir com menor ocupação (exemplo, uma semana aulas virtuais e outra semana, aulas presenciais por séries ou turmas ou um dia para certas turmas e outros para outras) e regras rígidas de distanciamento entre mesas e cadeiras (mais de um metro e oitenta), ventilação das salas de aula, higienização de superfícies, interrupção periódica de atividades para lavagem de mãos ou uso de álcool gel, limitação de alunos em áreas comuns como refeitórios e pátios para manter distanciamento e estímulo ao uso de máscaras. Pais que possam manter crianças em casa devem ser estimulados a fazer isto, sem prejuízo de registro de faltas;
- As viagens de trabalho devem ser restritas ao mínimo possível;
- Cirurgias eletivas que requeiram internação podem ser realizadas.

Fase 3 (1º/6 a 15/6)

- Mantidos os serviços das fases 1 e 2;
- Abertura de escolas de esporte e academias para atividades coletivas e de contato;
- As escolas em geral e todos os estabelecimentos comerciais ou de escritório podem abrir dentro da sua capacidade instalada, desde que mantenham as regras de etiqueta respiratória, higienização de mãos e ambiente para trabalhadores e usuários;
- Serviços de alimentação, como restaurantes, padarias e congêneres, podem atender in loco dentro da capacidade instalada, mantendo regras rígidas de higiene;
- Bares e casas noturnas podem operar com 50% ocupação;
- Cinemas, estádios, igrejas e teatros podem abrir com regras de distanciamento e utilizando ainda 50% da capacidade instalada com recomendação de uso de máscaras;
- As pessoas devem evitar ficar muito tempo em locais com grande número de pessoas e devem fazer uso de máscaras;
- As visitas em casas de repouso e hospitais estão liberadas com regras rígidas de higiene, distanciamento e máscaras;
- As viagens podem ser realizadas, se essenciais.

DADOS

Os dados que nortearam a decisão do governo também foram apresentados nesta segunda-feira (27). Segundo a Secretaria de Saúde, a cidade ampliou sua capacidade de testagem - há atualmente apenas 238 casos em investigação (este número já chegou em mais de 1 mil).

Segundo Andrea Von Zuben, diretora do Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde), a cidade vai contratar 10 mil testes da Unicamp, além de receber mais 29 mil testes do Ministério da Saúde nos próximos dias. "Não estamos mais no escuro. nossa capacidade de testagem no presente e a previsão para as próximas semanas é muito boa", disse.

Nesta segunda, a cidade confirmou 274 casos da covid-19, com 13 óbitos. Há 1.264 casos descartados.

Ainda segundo Andrea, o número de casos positvos é de apenas 15,1% do total de exames realizados, e Campinas tem uma taxa de 10,8 óbitos para cada grupo de 1 milhão de habitantes - no Brasil são 18 e, no Estado de São Paulo, 36.

"Isso permite que a gente saia do estado de distanciamento ampliado e avance para o distanciamento seletivo. É um algoritmo do Ministério da Saúde baseado na OMS (Organização Mundial de Saúde), não é uma coisa da nossa cabeça", disse.


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