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Covid-19: agentes são impedidos de realizar testes rápidos

Equipes do Ibope já foram barradas pela polícia e por moradores que não conhecem o estudo Epicovid19-BR; pesquisa é feita de casa em casa e vai até 15 de junho

| ACidadeON Campinas

Pesquisadores estão de porta a porta. (Foto: Divulgação)

Campinas é uma das 133 cidades escolhidas para integrar o Epicovid19-BR, um estudo populacional sobre o coronavírus no Brasil, conduzido por pesquisadores da UFPel (Universidade Federal de Pelotas). A coleta de dados e a aplicação dos testes rápidos são feitas de casa em casa por equipes do Ibope Inteligência. Na primeira etapa feita na cidade neste mês, 250 testes para covid-19 foram feitos e dois deram positivo para a doença.  

O problema é que grande parte da população desconhece o estudo e tem dificultado o processo por acreditar que estão sendo vítima de bandidos. Desde o início do trabalho de campo na cidade, as equipes de pesquisa têm passado por diversas situações constrangedoras.   

Eidy Natasha Pereira é diretora da empresa Tendência Pesquisa, fornecedora do Ibope Inteligência, e conta que em Campinas os entrevistadores foram abordados pela polícia diversas vezes e que a coleta foi prejudicada, visto que eram obrigados a paralisar a pesquisa e convencer os moradores e autoridades sobre a veracidade do estudo.   
 
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Ela revela que no primeiro dia de entrevista, em 14 de maio, a Prefeitura não tinha conhecimento do estudo e que, pela falta de suporte da gestão municipal, foram realizados apenas 50 dos 250 testes previstos. Tal desconhecimento por parte da Administração Municipal se deu por uma falha de comunicação entre o Ministério da Saúde e as prefeituras.  

"Muitos moradores que não sabiam sobre a pesquisa ligavam para o 156 e apareciam viaturas da polícia que impediam a gente de fazer os testes. Teve dias que todos os entrevistadores foram abordados. Tivemos problemas também com testes que estragaram porque perderam a validade, já que eles duram até 40 minutos fora das embalagens", explicou.

A pesquisa em Campinas é feita em três etapas, com cerca de 750 testes rápidos. A primeira ocorreu entre os dias 14 e 21 de maio, a segunda ocorrerá em 28 e 29 de maio, e a terceira e última ocorre em 14 e 15 de junho. Nesta primeira etapa, em que a coleta foi estendida até ontem (21), 250 testes foram realizados e dois deram positivo para a covid-19.  

O TESTE
 
Para fazer o teste é preciso colher uma gota de sangue da ponta do dedo da pessoa e essa amostra é analisada em poucos minutos pelo aparelho de teste. O morador deve assinar um termo de consentimento para participar e também precisa responder um breve questionário. As casas que recebem as visitas são selecionadas seguindo critérios estatísticos.  

Vale ressaltar que o teste rápido detecta a presença de anticorpos, que são as defesas que o organismo produz contra o vírus somente depois de sete a dez dias do momento do contágio. Antes desse período, o resultado do teste pode ser negativo mesmo que a pessoa tenho tido contato com o vírus.  

A empresa afirmou que todos os profissionais desta pesquisa receberam um treinamento para aplicar os testes. Além disso, estão usando equipamentos de proteção e receberam as orientações necessárias de cuidados de segurança à saúde.  

O ESTUDO

O Epicovid19-BR é financiado e apoiado pelo Ministério da Saúde e foi submetido à apreciação ética da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), no qual foi aprovado. Para a coleta de dados, foi contratado, via processo seletivo, o IBOPE Inteligência, empresa com larga experiência em pesquisas.  

Todos os requisitos éticos e de segurança são seguidos, incluindo o uso de equipamentos de proteção individual, a inclusão apenas de entrevistadores com teste negativo para coronavírus e protocolos para o descarte dos materiais, conforme pactuado com o Ministério da Saúde.  

Para a pesquisa, o MS responsabilizou-se por contatar os 133 municípios participantes da pesquisa, o que ocorreu por meio de ofício. Além disso, o estudo está divulgado na página oficial do ministério (clique aqui).  

OUTRO LADO 

O governo municipal informou que apesar de os pesquisadores terem vindo para Campinas para este trabalho na semana passada, somente ontem (20) à tarde a Secretaria de Saúde foi avisada oficialmente que o município estava incluído na pesquisa. 

"Isto é, não fomos informados com antecedência. A primeira etapa já acabou na cidade. No entanto, segundo as informações passadas para a Secretaria de Saúde pelo Ministério, haverão novas etapas desta pesquisa. Se o órgão federal comunicar a Prefeitura com antecedência sobre este trabalho de campo, a Secretaria de Saúde vai informar aos distritos e a população sobre a pesquisa para a segurança de todos em receber os pesquisadores", informou o governo municipal em nota.

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