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Vereadores debatem megaferiado com festival de ataques

Polarização que toma conta do país em meio a medidas contra a pandemia também invadiu a Câmara de Campinas

| Especial para ACidade ON

Com sessões remotas, confronto na tribuna migrou para a tela do computador (Foto: Divulgação)

Durante a votação da desta quinta-feira (21) que culminou na aprovação do megaferiado para a próxima semana, a sessão da Câmara de Campinas foi palco de um verdadeiro festival de ataques entre os vereadores, que além de divergirem sobre o projeto, discutiram sobre as medidas de isolamento e da política brasileira no momento da pandemia.

Dos vereadores envolvidos nas brigas, estão os que votaram contrários ao projeto - Nelson Hossri (PSD), Marcelo Silva (PSD) e Tenente Santini (PP).

Durante o tempo de fala para discussão do projeto, o vereador Tenente Santini, apoiador do governo federal, usou o espaço para criticar as medidas de isolamento e o projeto. Além disso, o parlamentar que teve sua fala posterior ao da vereadora Mariana Conti (PSOL), acabou também por criticar a parlamentar, dizendo que, como comunista, ela não conhece a necessidade do povo brasileiro.

"Vou chamar a 'mãe Rússia' pra vir aqui e pagar as contas, pra sustentar o que está falando aí. É fácil estar quietinha na sua casa e falar pra ficar em casa, destruindo a economia. Você conhece a favela, Mariana? Eu conheço. As pessoas ficam em casa, mas morrem de fome. O governo federal não tem dinheiro pra pagar todo mundo, a economia tem que voltar. Vai fazer parte da Rede Globo que fica fazendo brincadeira e falando pras pessoas ficarem em casa? Já deu emprego pra alguém? Eu tive que mandar 400 pessoas embora. Você não sabe nada", declarou.

Sobre o feriado, o vereador citou ainda que "não existe comprovação de efeito positivo", e o adiantamento retira a possibilidade do setor de turismo faturar posteriormente.

Em tom de lavação de roupa suja, a vereadora Mariana Conti respondeu as acusações. "Eu acho impressionante que faz esse discurso para dar ibope. Faz esforço gigantesco pra passar pano pro Bolsonaro e fala que conhece a realidade. Tem que parar de viajar com a família em avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e conhecer de fato a realidade", respondeu.

A sessão continuou a ficar calorosa com os discursos posteriores, dos vereadores Campos Filhos e Nelson Hossri, ambos contrários ao projeto. Hossri citou a corrupção como responsável pelas mortes de covid-19, e acusou de "hipócritas" governantes que aplicam as medidas neste momento de pandemia.

"Na realidade das pessoas já existe diversos riscos, que nunca foram motivos de preocupação. Queria saber por que agora estão preocupados com a covid, sendo que pessoas sempre morreram nas filas de hospitais, acho muita hipocrisia dar essa importância agora", declarou o parlamentar.

Hossri citou ainda a medida de antecipação dos feriados como algo "sem pé nem cabeça", e disse que "daqui a pouco o prefeito vai querer antecipar o Natal e o Ano Novo".

Entre os vários parlamentares que deram resposta aos comentários dos vereadores, o vereador Pedro Tourinho (PT), presidente da Comissão de Saúde, refutou os argumentos.

"É deplorável, lamentável que uma discussão que deveria ser tratada com nível de razoabilidade mínima é contaminada com discurso do governo federal de assassinos, genocidas, de absolutos crápulas que vão todos para o esgoto da história como o grupo de pessoas mais asquerosas que governaram o país. São pessoas que promovem o assassinato ativo com essa completa irresponsabilidade, forma cretina de lidar com isso. Nós já tivemos mais de 18 mil mortes computadas por causa dessa incapacidade dessas medidas e desse discurso", declarou.

O líder do PT na Câmara ainda chamou os vereadores de "puxas-sacos" e reprodutores de um discurso que segundo ele é genocida.

"Manter esse discurso de negacionismo, disputa, o Brasil poderia estar unido e organizado para poder enfrentar a pandemia de forma organizada. Mas, no entanto temos que ver o governo federal e seus pequenos puxas-sacos, reprodutores desse discurso horrosoro, contra quem está querendo defender a vida das pessoas. O sistema de saúde vai entrar em colapso e por causa desses boicotes", criticou. (Com Bárbara Gasparelo)

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