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Quase metade da indústria da região prevê demissões até junho

Pesquisa do Ciesp Campinas aponta ainda que 73% do setor foi altamente impactado pela pandemia do novo coronavírus

| ACidadeON Campinas

Balanço foi divulgado nesta semana. (Foto: Fotos Públicas)

Uma sondagem realizada pela Regional Campinas do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e apresentada na última terça-feira (26) revela que 21,9% dos associados apontam para demissões em maio e outros 21,9% preveem demitir em junho - ou seja, 44,8% das indústrias da região preveem cortes de pessoal até o mês que vem. 

"Isso é o resultado de mais de 60 dias de isolamento social. A indústria está no seu limite e já usou todas as suas possibilidades", diz o diretor do Ciesp em Campinas, José Nunes Filho. 

A pesquisa revelou ainda que 73% das empresas associadas responderam que o covid-19 afetou o volume dos negócios. Com relação às medidas de contenção de despesas, entre as principais já adotadas pelas associadas destacam-se o controle rígido dos gastos (70,7%), adoção de férias para os colaboradores (43,9%), redução da jornada de trabalho (39%), férias para os grupos de risco (31,7%) e suspensão temporária do contrato de trabalho (24,3%). 

Entre as ações implementadas pelo governo, 41,4% das indústrias responderam que estão utilizando as prorrogações de pagamentos para o FGTS e impostos federais. A perspectiva de queda no negócio ou no mercado de atuação nos próximos meses é esperada para 73,1% das associadas ao Ciesp-Campinas. 

REABERTURA 

Nunes Filho espera que haja uma reabertura gradual das atividades a partir da próxima segunda-feira (1º de junho). 

"Cada município tem a sua característica própria e deve tomar medidas diferentes de acordo com a gravidade que a doença assume dentro do seu limite geográfico. Somos favoráveis a uma abertura gradativa e segura de acordo com os protocolos nesses municípios, a partir de primeiro de junho", afirmou. 

O discurso dele está afinado com os gestores ouvidos na pesquisa. A sondagem da entidade ainda aponta que 46,3% acredita na retomada dos negócios ainda em 2020, porém 51,2% avalia que isso deverá ocorrer no próximo ano. Na última questão da pesquisa, 92,6% dos respondentes afirmaram que são favoráveis a liberação consciente do fluxo de pessoas e reabertura do comércio. 

BALANÇA COMERCIAL
 
O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, informou que as exportações da região em abril foram de US$ 185,8 milhões e as importações US$ 694,3 milhões respectivamente, quedas de 38,3% e 18,1%. 

O déficit comercial em abril foi de US$ 508,5 milhões. A corrente de comércio exterior da região em abril/2020 foi US$ 880,2 milhões, cerca de 26,4% menor quando comparado com abril de 2019. No acumulado de janeiro a abril de 2020, o déficit da balança comercial regional é de US$ 2,2 bilhões, sendo 1,4% menor que no mesmo período de 2019. 

Na avaliação de Riso, alguns setores estão "sobrevivendo", como fármaco, químico e da área de saúde. Outros como o automotivo e eletroeletrônico estão em situação mais difícil. O setor ligado a energia alternativa apresenta uma perspectiva positiva para os próximos meses. "A recuperação (da balança comercial regional) deverá ser lenta e dependendo do setor, 2020 poderá ser considerado um ano perdido, com mais reflexos no desemprego da região", avalia Anselmo Riso. 

O Ciesp-Campinas conta com 494 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios da região. O faturamento conjunto das empresas associadas é de R$ 41,52 bilhões ao ano. Conjuntamente essas empresas empregam 98.894 colaboradores.

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