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Se dependesse só da Saúde, comércio não reabriria, admite Carmino

Secretário de Saúde de Campinas reconheceu que, se critérios fossem apenas técnicos, flexibilização ainda não seria permitida

| ACidadeON Campinas -

O secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, durante audiência na Câmara (Foto: Divulgação)

O secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, disse nesta segunda-feira (8) que a posição da Saúde era contrária à reabertura do comércio na cidade, que voltou a funcionar hoje, em horário flexível. A declaração foi dada durante a participação do secretário em uma audiência pública na Câmara Municipal.

"A questão se tinha ou não que flexibilizar, ao meu ver é que do ponto de vista técnico puro da Saúde, não deveria", afirmou, justificando em seguida a decisão municipal com a questão social do momento, em que as pessoas não seguem mais as orientações de isolamento.  

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"Do ponto de vista da sociedade nenhuma cidade do país conseguiu fazer o isolamento mantido num período muito longo, isso é um problema", disse. Carmino citou a exaustão da população em relação às medidas de segurança, que segundo ele devem continuar, mas que o "cansaço" levou à decisão de reabertura.

"Estamos a cinco dias de completar três meses do primeiro ato de distanciamento. O que vimos foi que a população aderiu de maneira razoável num período, e depois parou de aderir, começou a ficar cansada, sair, vimos muitos estabelecimentos agindo clandestinamente e o lockdown seria muito dificil de ser aceito pela sociedade. Eu prefiro viver um estado civil do que policial. A ideia é fazer mobilização com corresponsabilidade", afirmou Carmino.

A declaração do secretário foi feita em audiência pública na Câmara de Campinas para apresentação dos dados do RDQA (Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior), sobre gastos de Saúde no 1º quadrimestre do ano, e gerou indignação e questionamento do presidente da Comissão de Política Social e Saúde, o vereador Pedro Tourinho (PT).

"Não é questão de estado civil, mas não quero um estado omisso. O que se espera dos gestores é que não dialoguem com essa negligência política e se comprometam em proteger a vida daqueles que estão sob a nossa responsabilidade. O senhor acabou de falar que do ponto de vista da saúde não teria que abrir, então o senhor tem que ter voz. Nosso papel é de enfrentar, de ser médico, de defender a vida das pessoas", apontou Tourinho.

O vereador justificou o questionamento pela ascensão no número de casos de covid-19 na cidade, e na lotação dos leitos na última semana. Hoje Campinas conta com 103 mortes e 2.692 casos confirmados.

Na quinta-feira (4), último dia em que foi divulgada a relação de ocupação dos leitos de Campinas, 94,25% dos leitos municipais de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para infectados com covid-19 estavam ocupados.

Em resposta à omissão citada por Tourinho, Carmino diz não vai se responsabilizar caso haja aumento nos casos pela reabertura.

"Rejeito qualquer responsabilização, temos feito tudo do que é possível na nossa cidade. Se piorar, o próprio prefeito já disse que volta atrás, mas hoje vivemos uma exaustão e sociedade não consegue mais tolerar o isolamento. Essa é a realidade que temos e do ponto de vista da saúde temos que cuidar das pessoas independentes da situação", respondeu.

Durante o primeiro dia de reabertura o Centro de Campinas já apresenta lotações das principais ruas do comércio. Apesar de reabrir somente ao meio-dia, durante a manhã filas já eram formadas na Rua 13 de Maio, principal corredor de compras do comércio popular.

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