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RMC tem pior semana epidemiológica desde o início da pandemia

Entre os dias 31 de maio e 6 de junho foram registrados 1.447 novos casos e 48 óbitos na região

| ACidadeON Campinas -

Movimentação no camelódromo no Centro de Campinas. (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

Com inicio da flexibilização do comércio, a RMC (Região Metropolitana de Campinas) apresentou a pior semana epidemiologia desde o início da pandemia do novo coronavírus, de acordo com uma pesquisa técnica feita pelo Observatório PUC Campinas.  

Entre os dias 31 de maio e 6 de junho foram registrados 1.447 novos casos e 48 óbitos na região. Já em Campinas, que iniciou na segunda-feira (8) a reabertura do comércio apresentando aglomerações, o cenário na semana anterior foi de 871 novos casos e 27 mortes no período de sete dias.  

Segundo o estudo, ao término da semana epidemiológica, encerrada no último sábado (6), a RMC contabilizava um total de 4.562 casos e 186 óbitos provocados pela doença, crescimento de 75,8% em casos e 26,3% de mortes em relação à semana anterior, evidenciando a tendência crescente da curva de contágio.   
 
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Com os resultados, o DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas, que inclui 42 municípios, já é o terceiro do Estado em números de casos e mortes, atrás apenas da Grande São Paulo e da baixada Santista. 

Entre as cidades com menores incidência de casos considerando toda a abrangência do DRS, estão Pinhalzinho e Pedreira com 13,5 e 17,1 casos por 100 mil habitantes. Na outra ponta, Paulínia e Campinas são os municípios com os maiores números relativos de ocorrência do vírus, com mais de 221 casos notificados a cada 100 mil pessoas.  

Já em relação às mortes, segundo o estudo, na RMC as estatísticas de falecimento são maiores em Indaiatuba, Campinas e Hortolândia. 

ANÁLISE DA REABERTURA
 
De acordo com o Observatório, com a flexibilização das medidas de isolamento, o crescimento nos índices de contágio deve ser inevitável. A análise é baseada na alta dos casos de municípios que adotaram o afrouxamento já desde o dia 1º de junho com aval do Estado.  

Para o professor de infectologia da PUC-Campinas, André Giglio Bueno, os potenciais efeitos das medidas de relaxamento causam grande preocupação, dado o momento de aceleração dos casos e óbitos registrados na região. Ainda segundo o infectologista, os efeitos serão notados depois de algumas semanas. 

"O crescimento da transmissão, que deve ocorrer a partir do aumento da circulação de pessoas a partir desta semana não será imediato e não deverá ser percebido de duas a três semanas, considerando o tempo entre o início dos primeiros sintomas e sua evolução para um quadro mais grave", afirmou o especialista, que também atua no Hospital da PUC. 

Já do ponto de vista econômico, levando em conta a reabertura do comércio, o economista Paulo Oliveira, que coordenou a análise do observatório, acredita ser necessária uma articulação entre as prefeituras que compõem os polos econômicos regionais, para que tracem estratégias que garantam o retorno seguro das atividades.  

"Sem articulação, decisões tomadas no âmbito municipal terão grandes impactos na contenção ou avanço da pandemia nos demais municípios, podendo, inclusive, sobrecarregar o sistema de saúde que também opera de forma integrada", destacou. 

Nesta última semana Campinas registrou sobrecarga no sistema de saúde, com lotação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para contaminados com covid-19. Ontem (8) a taxa de ocupação da rede pública municipal foi de 84%, e chegou na lotação máxima, com nenhum leito disponível no AME e HC (Hospital de Clínicas), ambos da rede estadual.

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