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Covid-19: moradores de outras cidades são maioria em UTIs estaduais

O HC da Unicamp tem 44 dos 46 leitos ocupados. São 16 pacientes de Campinas e 25 de outras cidades

| ACidadeON Campinas

Leitos de UTI do SUS atingiram 87% da capacidade em Campinas (Foto: Reprodução/EPTV)
O ultimo balanço apresentado pela Prefeitura de Campinas mostrou que 87% dos leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensiva) da rede publica e particular para atendimento da covid-19 estão ocupados. No entanto, os números disponibilizados pelos hospitais da cidade indicam que a maioria dos pacientes internados no SUS estadual são moradores de outros municípios.  

Segundo o boletim divulgado no final da tarde de sábado pela Prefeitura, os leitos municipais estão com 100% de ocupação, ou seja, dos 122 leitos, todos estão ocupados. Já os leitos SUS estadual, que somam o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e o Hospital de Clínica da Unicamp operam com nove leitos vagos, ou seja, a taxa de ocupação é de 88% - as duas unidades têm juntas 72 leitos com 63 ocupados.

Na rede particular a taxa de ocupação é um pouco menor, é de 76%. São 151 leitos, dos quais 115 estão ocupados.

Vale ressaltar que Campinas é referência para 60 cidades da região que procuram tratamento para casos mais graves da doença e, com o avanço da contaminação pelo novo coronavírus, aumenta também a porcentagem de ocupação dos leitos de UTI. 

Na semana passada, Campinas ganhou 29 novos leitos exclusivos para tratamento de paciente com covid-19 no SUS (Sistema Único de Saúde) estadual. Destes, nove foram destinados ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades), que agora conta com 35 leitos, e 20 ao HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp, que agora tem 46 leitos.  

O preocupante é que essa ampliação no atendimento em casos graves da covid-19 não foi o suficiente. Isso porque a maioria desses novos leitos já está ocupada e grande parte dos pacientes vem de outras cidades.  

Segundo levantamento feito pela EPTV, o HC tem 44 dos 46 leitos ocupados. São 16 pacientes de Campinas e 25 de outras cidades, dentre elas Sumaré, Hortolândia e até cidades mais distantes como Bragança Paulista e Santa Cruz das Palmeiras. Durante coletiva, a Prefeitura informou que a maioria da ocupação nos leitos do AME também são de moradores de outros municípios.

A mãe do pedreiro Gilvan Pedro da Silva é um desses casos. Ele mora em Saltos, mas trouxe a mãe de 72 anos para a Unicamp quando ela foi diagnosticada com covid-19. Isso porque ela tem problema de saúde no fígado e já passava por tratamento no HC. Ele conta que não viu alternativa melhor, ao não ser trazer a mãe para Campinas. 

"Era a única solução que a gente tinha. A gente não a levou para Saltos porque não era o caso, se a gente levasse iria ser só por levar mesmo, porque a solução dela está aqui no HC, que tem os especialistas para o problema dela", relata. 

O superintendente do HC, Antônio Gonçalves de Oliveira Filho, confirma que a maioria dos pacientes tratados no hospital é morador de outras cidades. "O que nós temos visto é que tem chegado cada vez mais pacientes encaminhado e até mesmo um aumento de procura espontânea. A grande maioria é da região de Campinas", aponta. 

Segundo o Hospital, os pacientes que precisam de respiradores podem ficar até um mês internados. Para tentar diminuir o contágio do vírus, o comércio não essencial de Campinas voltou a fechar por determinação do prefeito na ultima sexta (19). No entanto, Antônio alerta que a população também deve colaborar para que os médicos não tenham que escolher entre quem atender primeiro. 

No geral, somando particular e público, há 300 leitos de UTI ocupados em Campinas com pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

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