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Isolamento não reduz número de mortes no trânsito em Campinas

Apesar do número apresentado pelo Estado, a Emdec informou que há erros na apuração e que houve sim, redução de mortes de trânsito no período

| ACidadeON Campinas

Levantamento foi feito pelo Estado. (Foto: Denny Cesare/Código 19)

Levantamento feito pelo Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) aponta que não houve redução de mortes no trânsito em Campinas durante o período de quarentena. Pelo contrário, entre os meses de janeiro a maio deste ano houve um aumento de duas mortes em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2019 foram 49 casos e neste ano, 51.  

Apesar do número apresentado pelo Estado, a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) informou que há erros na apuração e que houve sim, redução de mortes de trânsito no período.

Desde o início da quarentena de combate ao coronavirus a Prefeitura de Campinas informava que um dos principais reflexos das pessoas estarem em casa e não saírem seria a redução no número de acidentes e com isso diminui a demanda no sistema de saúde que atende acidentados. Inclusive, no mês de abril a Emdec informou que caiu o número de acidente na cidade. Segundo dados divulgados pela empresa, em abril a queda chegou a 37% .

"Tem quatro acidentes que vão ser revisados pela ferramenta do Infosiga. Dois em janeiro, que eles contaram como acidentes dentro do município, mas que não foram, e tem mais dois em análise. Se isso acontecer nós vamos chegar a um número melhor que em 2019, quando já batemos o recorde de menor número de mortes da série histórica", explicou o presidente da Emdec e secretário de Transportes de Campinas Carlos José Barreiro.   

NO ESTADO
 
Segundo o Infosiga, em todo o Estado, houve queda nos acidentes com mortes no período. Foram registrados 387 óbitos contra 487 no ano passado, queda de 20,5%. Acidentes de trânsito, que incluem ocorrências sem vítimas fatais, registraram queda de 28,4% em vias urbanas e rodovias do Estado (11,9 mil acidentes em maio deste ano contra 16,6 mil em 2019).  

De acordo com os dados do Infosiga SP para o Estado, houve queda de 14,7% nos acidentes fatais em vias municipais, que concentram 52,5% dos casos. Nas rodovias, a queda foi de 26,9%. Em 10 regiões administrativas do Estado houve redução dos índices.  

Meios de transporte  

A análise do programa Respeito à Vida para o Estado indica ainda queda nas fatalidades em todos os modais, com exceção dos motociclistas. Ocorrências envolvendo motos lideram as estatísticas, com 179 casos em maio deste ano, aumento de 7,2% na comparação com 2019 (167 óbitos). Em seguida, aparecem os automóveis com 93 ocorrências contra 117 em 2019, queda de 20,5%.  

A maior redução ocorreu entre os pedestres: foram registradas 73 fatalidades contra 130 em maio do ano passado (-43,8%). A queda também foi significativa entre os ciclistas, com 28 ocorrências fatais em maio contra 38 em 2019 (-26,35%).  

Perfil da vítima
 
No mês de maio, jovens com idade entre 18 e 29 anos representaram 31,3% das vítimas. Entre os motociclistas, essa proporção sobe para 48,6%. Em 68% dos casos, as vítimas fatais são os próprios condutores dos veículos. Homens seguem como as principais vítimas dos acidentes (86% do total), e as ocorrências estão concentradas nos finais de semana (51,7%) e no período noturno (54,8%). Cerca de 47% das vítimas faleceram nos hospitais.
 
"A quarentena desestabilizou demais as pessoas. Algumas estruturas foram abaladas, como extinto de preservação e extinto de pertencimento. Isso se reflete no trânsito. Sabemos que aumentou o número de ingestão de bebida alcoólica e nos tornamos cada vez mais dependentes do telefone celular que já era muito ruim essa falta de percepção de risco das pessoas em telefone celular ao dirigir. Tanto que entre as modalidades que mais estão acontecendo de acidentes é colisão traseira. São pessoas batendo no poste, são distrações por conta do telefone celular. Essa tentativa de reabertura faz com que as pessoas tentem correr para recuperar o tempo perdido. Muita pessoas confundem a velocidade com a eficiência. Mas não é isso o trânsito é uma regra. As pessoas precisam se reconectar de novo com a segurança", afirmou César Urnhani, piloto de teste.

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