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Covid-19: 76,9% das mortes ocorreram em junho em Campinas

Primeira confirmação de óbito da nova doença ocorreu há três meses; desde então, cidade já tem 317 óbitos pelo novo coronavírus, a maioria no último mês

| ACidadeON Campinas

Campinas completou três meses de primeira confirmação de morte por covid-19 (Foto: Denny Cesare/Código19) 

Desde o anúncio da primeira morte pelo novo coronavírus em Campinas, no dia 30 de março, o cenário mudou drasticamente na cidade e, somente em junho, ocorreram 76,9% das mortes no período. Dos 317 óbitos confirmados até o momento, 244 ocorreram no mês passado, segundo dados da Prefeitura de Campinas.

A primeira confirmação, dada no dia 30 de março, informava sobre a primeira vítima fatal na cidade pela doença, sendo um idoso que morava em uma casa de repouso. De lá para cá, a situação tem se agravado, principalmente em junho, mês que marcou a reabertura do comércio e o posterior recuo com um novo fechamento.

Até o último dia de março, a cidade contava ainda com 33 casos confirmados da doença. Agora, já são 8.286 casos confirmados.

DISCUSSÕES DE REABERTURA


Mesmo com ascensão dos casos, o mês de junho foi marcado por discussões de reabertura do comércio. No último dia 23, a cidade completou três meses de quarentena, que ainda segue sem previsão de término.

Na cidade, após liberação estadual para o retorno do comércio não essencial, houve a permissão de reabertura que durou apenas 15 dias. Mesmo retardando a volta em uma semana do permitido pelo governo, a reabertura foi seguida de fechamento após a lotação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na cidade. A preocupação foi grande porque nas duas semanas que seguiram de comércio aberto, as ruas do Centro de Campinas ficaram lotadas.

Na primeira semana de reabertura circularam pela Rua 13 de Maio, principal via do comércio central, cerca de 325 mil pessoas, com aglomerações que chegaram a se assemelhar ao movimento em datas comemorativas, como o Natal.

Pouco mais de uma semana da reabertura do comércio de rua e dos shoppings, a ocupação de leitos na cidade atingiu níveis considerados críticos. Ontem (30) a cidade terminou o dia com apenas dois leitos disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde) estadual, e completou 18 dias com ocupação total dos leitos municipais.

Segundo a diretora do Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde), Andrea Von Zuben, o mês termina em uma situação crítica, que necessita de cumprimento das medidas de Saúde pela população.

"É um período crítico que estamos vivendo agora, e o que nos resta é cada um entender o risco de sair, de adoecer, ver que cada vez o sistema público está se esgotando e que ele tem capacidade finita, e se continuar assim não vamos dar conta", afirmou.

TESTAGEM


Ainda na segunda-feira (30), a Prefeitura divulgou o resultado da testagem em massa feita em várias regiões da cidade em parceria com a Unicamp. O estudo apontou que a cidade tem cerca de quatro vezes mais pessoas infectadas do que as notificadas pelos órgãos de Saúde, ou seja, a cada quatro pessoas com a covid-19, uma é notificada.

A testagem foi realizada entre 9 e 20 de junho em todas as regiões da cidade com o objetivo de conhecer a circulação real da covid-19 em Campinas. Foram aplicados testes rápidos por meio de sorteio em 1.937 pessoas. Do total, 2,22% das pessoas testadas, ou seja, 43 tiveram resultado positivo. Isso significa uma estimativa de que 27.087 campineiros já tiveram a covid-19. Até a data de hoje foram notificados para o Devisa 7.848 casos positivos.

PERFIL DAS VÍTIMAS

Na última sexta-feira (26) a Prefeitura divulgou no último boletim epidemiológico o perfil das vítimas fatais na cidade. Segundo o balanço, a maior parte das vítimas fatais na cidade são homens, representando 51,3% dos casos registrados.

A análise de mortes por região de Campinas apontou ainda que a maior letalidade (número de mortes) foi registrada na região do distrito de saúde da região Sul - onde estão CSs (Centros de Saúde) como o São Bernardo, Figueira e Paranapanema. A região teve 63 óbitos registrados.

Já a maior mortalidade (percentual de mortes por habitantes) ocorreu na região Leste (onde estão localizados os CSs do Centro, Taquaral e Sousas), com 58 mortes, o que representa 22,4 casos para cada 100 mil habitantes.

Segundo o balanço feito com os dados de ontem (30) das 317 mortes registradas, 178 aconteceram em hospitais públicos, e 131 em hospitais privados. Outras oito vítimas acabaram morrendo dentro de casa.

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