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Doações para área da saúde da Unicamp já somam mais de R$ 12 mi

A maior parte dos valores são oriundos de verbas indenizatórias destinadas à universidade pelo poder judiciário

| ACidadeON Campinas

HC é centro de referência para covid-19 na região (Foto: Divulgação/Unicamp)

As doações financeiras recebidas pelas unidades de saúde da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) já somam mais de R$ 12,6 milhões. A maior parte dos valores, aproximadamente R$ 10,3 milhões, são oriundos de verbas indenizatórias destinadas à universidade pelo poder judiciário. Os R$ 2,3 milhões restantes foram recebidos de doações feitas por empresas e pessoas físicas. 

A solidariedade tem sido fundamental para que os serviços do HC (Hospital de Clínicas) da universidade, referência no tratamento da covid-19, Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) e demais unidades continuem beneficiando os cerca de 6,5 milhões de habitantes da região de Campinas. 

Segundo a superintendência do HC, até o momento já foram empregados R$ 7 milhões na compra de equipamentos de proteção individual (EPIs) para suprir a demanda de pacientes durante a pandemia. 

A principal destinação dos valores obtidos por meio das doações é a compra de EPIs, como máscaras, toucas, luvas, face shields e aventais, além de medicamentos. 

Segundo Rodrigo Bueno de Oliveira, médico coordenador de administração do HC, cerca de 5 mil máscaras são utilizadas por dia pelas equipes de saúde. "Desde fim de fevereiro até agora, nós temos feito um esforço muito grande para a compra nesses EPIs. O mercado mudou muito, se desabasteceu, os preços subiram, então tem sido um esforço muito grande manter o hospital provisionado de EPIs", relatouo coordenador.

Para que as unidades não corram o risco de ficarem desabastecidas, foram adotadas duas medidas: a formação de um comitê de direcionamento e gerenciamento de EPIs, composto por médicos, enfermeiros e demais profissionais que atuam nas unidades, para promover o uso racional dos equipamentos, considerando a necessidade de cada setor. 

Outra frente de atuação foi desempenhada pela DGA (Diretoria Geral de Administração) e o setor de compras do HC, que fizeram uma análise de mercado para que os estoques necessários fossem adquiridos levando em conta os melhores preços e prazos de recebimento de mercadorias. Outras ações nesse sentido também foram incentivadas, como a produção de aventais dentro do próprio HC.

Com essas medidas, a estimativa é que o HC tenha suprimentos para cerca de um mês e meio a dois meses. No entanto, devido à alta demanda, o apoio por meio de doações continua necessário. "O hospital continua precisando de doações, tanto de EPIs quanto financeiras, para comprarmos medicamentos e insumos necessários. Nesse momento de crise, é importante sustentar e aumentar as doações", pontua Oliveira.  

DIRECIONAMENTO

Para dar conta da solidariedade vinda de empresas e pessoas físicas, foi criada na DGA uma célula dedicada a fazer o direcionamento das doações recebidas, tanto em dinheiro quanto em insumos e equipamentos. A equipe também é responsável por organizar a prestação de contas da aplicação dessas doações, garantindo a transparência de todos os processos. 

De acordo com Andrei Narcizo, coordenador da DGA, o trabalho exige cuidado, pois várias doações vêm para a Unicamp com a destinação pré-definida, como a compra de máscaras descartáveis ou a manutenção de equipamentos médicos. Isso ocorre principalmente com as verbas repassadas pelo judiciário. 

"Há todo um protocolo de gastos e de prestação de contas com os recursos que vêm da área judicial, o que é feito aqui pela DGA. Existem também empresas que pedem um retorno do que vamos fazer com os recursos. Mas também há outros recursos que não têm a necessidade de prestar conta de como serão utilizados, mas independente disso nós destacamos esses valores, para que fique dentro do nosso controle e a gente possa dizer no que cada recurso foi aplicado", explicou Andrei.  

Outra célula que faz a gestão das doações recebidas e também é responsável pela captação de novas doações o grupo Amigos do HC. A ideia de formar uma associação para captar recursos para o hospital por meio de ações solidárias já existia antes da pandemia e vinha sendo organizada pela superintendência do HC em parceria com ex-alunos da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) e outras empresas. Com a emergência imposta pelo coronavírus, o que já havia sido criado foi aproveitado e a campanha teve início direcionada a apoiar o trabalho de combate à pandemia.

Até o fim de junho, o grupo arrecadou cerca de R$ 790 mil. A meta é chegar no total de R$ 10 milhões. Os canais para doação são concentrados no site amigosdohcunicamp.com.br, onde também é disponibilizada a prestação de contas de toda a campanha. "Tem sido muito importante, está dando muito resultado, as pessoas estão reconhecendo e identificando isso como uma forma de ajudar o HC não só agora, mas que seja algo perene. Nós queremos que isso continue depois da pandemia. A ideia é fazer uma parceria com a sociedade para que todos nós trabalhemos juntos pela saúde da região, para que a gente possa atuar da melhor maneira possível para a sociedade", analisa Antonio Gonçalves Filho, superintendente do HC. 

COLABORAÇÃO

As destinações de verbas vindas do judiciário também beneficiaram os trabalhos da Força Tarefa Unicamp contra a Covid-19. De acordo com Marcelo Menossi, coordenador da frete de captação de recursos da força tarefa, esses recursos vindos de repasses e doações deram mais tranquilidade para que os trabalhos da equipe fossem desenvolvidos. Confira a entrevista completa que o professor concedeu à Rádio e TV Unicamp na série "Em que pé está?": 

 

TEMPOS DIFÍCEIS

Apesar dos bons resultados que as campanhas vêm apresentando, o HC ainda depende da solidariedade de pessoas físicas e de empresas e também da colaboração de todos para que os cuidados com o coronavírus sejam mantidos. 

Segundo os médicos dirigentes da unidade, a pandemia ainda não está controlada no país e, mesmo que o número de novos casos e de mortes comece a apresentar uma estabilização, para os hospitais os efeitos duram um tempo maior. "A pandemia está chegando no pico agora em Campinas. Nós temos mais dois ou três meses duros pela frente. Muita gente acaba achando que pela liberalização do comércio que a coisa está controlada, mas a nossa percepção aqui é contrária: nós estamos no pior momento da pandemia e vamos precisar de mais recursos, mais EPIs por pelo menos mais três meses", explicou Rodrigo Oliveira.

O hospital também tem trabalhado para aumentar o número de leitos em UTI destinados ao tratamento da Covid-19. Segundo o acordado com a Secretaria de Estado da Saúde, 30 novos leitos de UTI devem ser abertos na unidade, sendo que 20 deles já estão em funcionamento. 

Com isso, o hospital totaliza o oferecimento de 56 leitos de UTI exclusivos para tratamento da Covid-19. "O HC tem se esforçado para fazer o atendimento da melhor forma possível, cuidando dos funcionários, realizando testes, tudo isso dentro de um plano que vem sendo construído desde o início do ano", esclareceu o superintendente Antonio Gonçalves.  

Ainda assim, eles alertam para a importância das medidas de isolamento social e de higiene. Segundo os médicos, são ações simples que evitam a sobrecarga do sistema de saúde e podem salvar vidas. "É o momento de reforçar as medidas de isolamento social e pedir para que as pessoas fiquem em casa. Apesar dos nossos esforços de abrir leitos, a gente opera com a capacidade de ocupação dos leitos de UTI próximo da saturação, então é muito importante manter uma taxa de infecção mais baixa por meio de medidas de distanciamento social", ressaltou Rodrigo.

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