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Unicamp inicia testes da CoronaVac com voluntários em Campinas

Vacina foi desenvolvida por empresa chinesa em parceria com o Butantan; é a primeira vez que testes são aplicados em pessoas que não atuam na saúde

| ACidadeON Campinas

Testes da vacina contra a covid-19 começam amanhã na Unicamp (Foto Ilustrativa: Denny Cesare/ Código 19)

O HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp inicia nesta quinta-feira (6) os testes da vacina CoronaVac - contra o novo coronavírus - aplicando a primeira dose entre os 500 voluntários que irão participar da pesquisa. A vacina é desenvolvida em parceria pela empresa chinesa Sinovac Biotech e o Instituto Butantan, em São Paulo. 

O imunizante está na terceira e última fase de testes em humanos antes de uma possível aprovação para comercialização. Ao todo, 9 mil voluntários participarão desta etapa, em Campinas serão 500 testes aplicados em profissionais da saúde. A Unicamp confirmou o inicio para amanhã, quando fará uma coletiva para dar mais detalhes do início da aplicação dos testes. O HC também irá fazer a demonstração da primeira da dose em voluntário. 

A Unicamp é o sexto centro de pesquisa a iniciar a testagem. A primeira aplicação foi feita no dia 21 de julho no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo. Depois, no dia 30 de julho, outros quatro centros de pesquisa deram início aos testes com a vacina chinesa da Sinovac. 

O hospital universitário de Campinas foi escolhido no mês passado como um dos 12 centros selecionados no Brasil para a testagem da vacina.  

No HC, a testagem da vacina será feita em 500 voluntários da região, e o estudo tem previsão de duração de 14 meses, sendo 12 com acompanhamento clínico dos voluntários.  

Como obrigatoriedade em todos os centros, os voluntários selecionados são profissionais da saúde, com prioridade ainda para aqueles que atuam em locais com risco médio ou alto de contaminação da doença.  

A vacina é aplicada em duas doses, com intervalo de 14 dias. Caso seja comprovado o sucesso da vacina, ela começará a ser produzida pelo Instituto Butantan (leia mais abaixo). 

ESPERA 

A universidade já tinha confirmado a testagem e o número de voluntários para a aplicação no mês passado, mas até então aguardava pela chegada de equipamentos e insumos, e ainda fazia a seleção de voluntários (leia mais aqui).  

Segundo o infectologista responsável pela pesquisa no HC, Francisco Aoki, a CoronaVac, como é chamada, é uma das grandes candidatas contra o vírus, e tem expectativas positivas sobre sua eficácia.  

"Ela é uma boa candidata, apresentou dose de eficiência muito grande, além de ser bastante segura e com capacidade de imunogenicidade muito eficaz, o que nos dá bastante tranquilidade para participar do estudo", declarou o infectologista.  

Caso comprovada a eficácia, o infectologista afirma que a vacina poderá ser produzida tanto no Brasil como em outros países, representando esperança na luta contra o vírus. Caso o estudo dê resultados positivos, Aoki ainda disse que acredita na possibilidade da produção de milhões unidades no Brasil.  

"Temos grande capacidade, com dois grandes laboratórios, o Butantan e o Fio Cruz, de assim que liberado, conseguirem produzir milhões de doses. Os parques tecnológicos já estão se adequando para essa possibilidade", declarou.  

Segundo o infectologista, ao todo, entre os 12 centros, 8.870 pessoas farão parte dessa fase da pesquisa.  

COMO VAI FUNCIONAR  

A terceira fase da vacina (fase atual) é responsável pela aplicação em grande quantidade de voluntários, e é feita depois de resultados positivos em estudos feitos em animais e em humanos, em que se observou poucos efeitos colaterais após o recebimento da dose. 

Entre os 500 voluntários que participarão do estudo do HC, metade deve receber a vacina, que contém o vírus inativo, e metade receberão placebo- medicamento neutro que não contém efeito direto em doenças.  

Os 500 profissionais devem ser chamados em fases, em até dois meses após o início das aplicações, e podem desistir durante a duração do estudo.  

A fase da pesquisa, classificada como "duplo cego", fará com que a pessoa que receba a dose, não saiba se recebeu a vacina ou o placebo, para a avaliação posterior da eficácia da substância. No entanto, ao final do estudo, os voluntários que receberem placebo devem também receber a dose da vacina.  

Os voluntários receberão duas doses das substâncias, a primeira no dia "zero", e a segunda 14 dias após o início dos testes. Segundo o HC, ao longo de 12 meses os pacientes farão oito visitas para averiguação imunológica, e ainda farão parte de um acompanhamento direto para observação dos efeitos da aplicação.  

A VACINA  

A CoronaVac, vacina da Sinovac, usa uma versão do vírus inativado, ou seja, que não tem capacidade de se replicar no organismo e causar a doença. Essa é a tecnologia mais tradicional de desenvolvimento de vacinas, usada no imunizante contra hepatite e gripe, por exemplo.  

Além dela, no Brasil ainda está sendo feita a terceira testagem da vacina de Oxford, que também é uma grande candidata a imunização contra a doença. 

Segundo o governado João Doria (PSDB), se comprovada a eficácia e segurança da vacina, a previsão é de produção no país e disponibilização pelo SUS (Sistema Único de Saúde) a partir de novembro deste ano, sendo possível que até fevereiro de 2021 toda a população já esteja imunizada.

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