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Unicamp reage contra uso de seu nome em produtos anticovid

Produtos são vendidos com promessa de matar o novo coronavírus usando testes feitos na universidade; instituição confirma pesquisas, mas diz que não pode garantir eficácia

| ACidadeON Campinas -

 

O Instituto de Biologia da Unicamp (Foto: Divulgação/IB)

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) reagiu em nota oficial contra o uso de seu nome em produtos que supostamente protegem contra o novo coronavírus. A universidade disse que apesar de terem sido realizados testes no campus, não há como comprovar a eficácia desses produtos. A Unicamp não revelou, no entanto, quais produtos especificamente são esses.

Oficialmente, a universidade diz que esses produtos foram divulgados em veículos de notícias. Recentemente, dois produtos foram citados com capacidade de inativar o coronavírus, sendo eles um saco de lixo e um aplicador de ozônio em ambientes, ambos com ação virucida.

Os dois foram testados pelo IB (Instituto de Biologia da Unicamp). O primeiro teste, do saco de lixo, apontou que o material plástico foi capaz de inativar 99,9% das estruturas de Sars-Cov-2. O segundo exame mostrou que a ação virucida do ozônio teve eficiência de 99,99%, em ambientes fechados para o coronavírus.  

ENSAIOS REALIZADOS

Em nota oficial, a Unicamp disse que os pesquisadores do IB realizaram de fato ensaios de avaliação de produtos desenvolvidos por outras entidades. Esses serviços, explica a universidade, faz parte de um "retorno social" da instituição enquanto ente público.

Com isso, "são utilizados a infraestrutura e o conhecimento de nossos profissionais para avaliar os efeitos sugeridos pelos fabricantes de diferentes produtos".

Apesar disso, alerta a universidade, verificou-se apenas a eficiência na inibição e inativação do vírus in vitro em ambiente controlado, dentro do laboratório. "Não foi, no entanto, verificada a segurança para a saúde e o meio-ambiente, no caso de uso livre do produto em ambientes fora de um laboratório".

Para verificar essa segurança, outros tipos de testes seriam necessários, que não foram solicitados, de acordo com a Unicamp. A universidade disse ainda que "não participou do desenvolvimento dos produtos".  

VETO À MARCA

Por isso, a instituição fez-se valer de uma resolução de 2004 que veda o uso da marca e do seu logotipo - seja este uso em papéis, documentos, tecidos, plásticos, adesivos e impressos em geral, bem como em outros objetos não oficiais da Universidade - sem autorização, por escrito, da Reitoria.

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