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Corregedoria investiga policial que agrediu motociclista durante abordagem

Motociclista agredido por policial durante abordagem aparece como investigado em boletim de ocorrência sobre o caso

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A Corregedoria da Polícia Civil, de Campinas, vai investigar o caso do motociclista que foi agredido por um policial civil durante uma abordagem no último sábado (17), no bairro Jardim do Sol. Segundo o motociclista, ele passava pela via quando o agente, sem uniforme, desceu de um carro vermelho, apontando uma arma e realizando a abordagem.

O motociclista afirmou que o policial apresentava sinais de embriaguez e que começou a agredi-lo sem motivos. Em certo momento, o homem armado o teria questionado sobre um adesivo de “Cachorro Loco” e se o motociclista teria realizado algum roubo na região. Segundo ele, teriam sido mais de três minutos de agressões e ameaças.

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Após alguns minutos, o motociclista fugiu a pé, momento em que o policial teria disparado contra ele. Testemunhas afirmam que teriam ouvido quatro disparos. O motociclista só retornou quando a Polícia Militar chegou ao local.

Motociclista: “achei que ele me mataria ali”

“Eu estava vindo de Betel. Ainda tinha um Fiesta na minha frente e eu ultrapassei ele e ele me falou para encostar, disse ser policial. Daí encostei. Coloquei a mão na cabeça e tudo. Ele já desceu apontando a arma para mim”,

o motociclista contou em entrevista a EPTV Campinas.

“Daí ele já desceu cambaleando, parecia alterado e começou a bater em mim, me agrediu, falando se eu era bandido, que estava roubando a região de Barão Geraldo. Começou a me questionar muito. Fiquei nervoso, tremendo as pernas. Não sabia o que fazer. Achei que ele fosse me matar ali. Abandonei a moto e saí correndo em zigue-zague, e só ouvi os disparos só”,

completou.

Ainda segundo o motociclista, ele correu vários quarteirões para pedir ajuda e, após encontrar um vigilante do bairro, conseguiu retornar ao local na motocicleta do homem. Neste momento, ele teria se apresentado à PM como vítima, mas imediatamente recebeu ordens para colocar as mãos para o alto e foi revistado.

Uma testemunha contou que enquanto o motociclista foi abordado, o policial civil não foi revistado.

“A polícia já solicita que ele levante as mãos, já pede pra ele levantar a camisa, pergunta se ele está armado. E faz todo procedimento de abordagem da vítima no caso. Com o agressor isso não aconteceu”, disse.

Uma segunda pessoa contou à EPTV Campinas que chegou a perguntar se o policial civil não realizaria o teste do bafômetro.

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“Eu perguntei pro policial se ia fazer bafômetro ou toxicológico. Aí ele falou que parecia que era da Polícia Civil, então tinha que esperar chegar uma outra pessoa. E aí depois chegou a esposa dessa pessoa que estava com o revólver. E aí ficaram horas aqui até levar todos pra delegacia”, relatou.

Outro lado

Em depoimento, o policial civil disse no boletim de ocorrência que “decidiu realizar a abordagem em razão dos inúmeros roubos ocorridos naquela região”. Porém, o relato não especifica qual foi o motivo para suspeitar justamente do motociclista.

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O policial afirmou que a vítima não obedeceu às ordens dadas durante abordagem, motivo pelo qual “efetuou um disparo para cima com sua arma de fogo”.

No boletim também consta que a equipe da PM realizou buscas pelos arredores e localizou o motociclista. Porém, imagens de câmeras de segurança mostram o momento que ele retorna com o vigilante.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que, segundo o boletim de ocorrência, “um policial civil, que estava de folga e em um veículo particular, abordou um homem de 26 anos, que conduzia uma motocicleta, após suspeitar de seu envolvimento em casos recentes de roubos e furtos de motos na região”.

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“Durante a tentativa de abordagem, o condutor não obedeceu às ordens policiais e fugiu do local. Ainda segundo o registro, diante da desobediência, o policial civil realizou um disparo para cima, sem atingir ninguém. O motociclista foi localizado posteriormente por equipes da Polícia Militar. A arma utilizada pelo agente foi entregue voluntariamente”, diz a nota.

O caso foi registrado no Plantão Policial do 1º Distrito Policial de Campinas como disparo de arma de fogo e desobediência, citando o motociclista como investigado.

À EPTV, o motociclista afirmou que se sente indignado por ser tratado como acusado, uma vez que ele foi a pessoa agredida.

No boletim de ocorrência não existe nenhum relato de que o motociclista teria sido ouvido na delegacia. As informações atribuídas a ele no documento se referem ao que os policiais militares disseram que o rapaz teria relatado para a equipe no local onde foi abordado.

Ainda de acordo com a SSP, a Corregedoria da Polícia Civil vai apurar as circunstâncias do disparo para o alto durante a abordagem.

*Com informações da EPTV Campinas

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