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Livros: Unicamp faz três alterações para o vestibular 2021

Lista de obras literárias exigidas exclui Guimarães Rosa, Dias Gomes e Érico Veríssimo; entram Lygia Fagundes Telles, Fernando Pessoa e Raul Pompeia

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Vestibular da Unicamp (Foto: Código 19) 

A lista de obras literárias para o vestibular 2021 da Unicamp tem três alterações em relação à lista anterior (a das obras que cairão no vestibular 2020). Entraram na listagem: "O Seminário dos Ratos", de Lygia Fagundes Telles; "O Marinheiro", de Fernando Pessoa, e "O Ateneu", de Raul Pompéia. Saíram: "A Hora e a Vez de Augusto Matraga", de Guimarães Rosa, do livro "Sagarana"; "O Bem Amado", de Dias Gomes; e "Caminhos Cruzados, de Érico Veríssimo.

A alteração foi divulgada nesta quinta-feira (23) pela Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp) e mantém o mesmo número de obras (12 ao todo).

"É muito legal que a Unicamp libere a lista com tanta antecedência porque permite aos alunos que se programem nas leituras. Um vestibulando típico tem que ler a lista da Fuvest, a da Comvest e de todas as demais universidades que vá prestar, porque todo mundo tem lista própria. E é preciso lê-las na íntegra porque os vestibulares hoje não trazem questões que são respondidas só com o conhecimento superficial do enredo", diz o professor Marcelo Pavani, diretor do curso pré-vestibular da Oficina do Estudante.

ALTERAÇÕES

A cada ano, a Unicamp renova parcialmente as obras que compõem a lista, para permitir o planejamento do professor e, ao mesmo tempo, acompanhar a dinâmica própria do sistema de ensino, cujo público se renova todos os anos, informou a universidade.

Já os critérios utilizados para a substituição foram a representatividade dessas manifestações literárias nas tradições culturais de língua portuguesa, o padrão de elaboração estética e a presença de núcleos temáticos adequados à formação pedagógica do aluno no ensino médio, acrescentou.  

ENTENDENDO AS NOVAS OBRAS 

"O Seminário dos Ratos", de Lygia Fagundes Telles 
O conto é uma espécie de realismo fantástico. "Trata-se de seminário feito por ratos ditando as políticas de uma determinada sociedade; e, portanto, é um livro que está inserido dentro de um contexto da ditadura militar. E é muito interessante que esse conto entre na lista agora", afirma o professor de literatura, Marcelo Maluf, da Oficina do Estudante.

"O Marinheiro", de Fernando Pessoa 
"Essa é uma obra diferente, principalmente porque Pessoa é conhecido por escrever poesia, não teatro. Mas é uma obra de teatro inovadora, quase de vanguarda, dentro dos preceitos do modernismo, em que ele desenvolve o tal Teatro da Imobilidade. Não há ação, não há conflito, apenas personagens conversando. Muito silêncio, muitas reticências. Não é uma peça longa, mas muito interessante enquanto estrutura porque vai influenciar todo o teatro do século 20", afirma o professor.

"O Ateneu", de Raul Pompeia
"O Ateneu é uma obra clássica, canônica , que já esteve outras vezes na lista, e que faz parte do realismo, naturalismo, do final século 19 brasileiro. Mas, mais interessante do que isso tudo, talvez, seja a temática: trata-se de uma escola, no Rio de Janeiro, no final do século 19, com dramas escolares, violência e projetos educacionais discutidos no livro", declara o professor.

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