A ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Carla Ariane Trindade, é um dos alvos de mandado de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (12), durante uma operação para investigar suspeitas de fraudes em contratos públicos.
Carla Ariane Trindade seria integrante do núcleo político da organização criminosa, exercendo papel de lobista e intermediária, responsável por defender os interesses da empresa Life Tecnologia Educacional junto a órgãos públicos federais, especialmente o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), atuando para liberar, em licitações do Ministério da Educação, valores para a empresa, além de ações em órgãos municipais. Vale destacar que não há mandado de prisão contra Carla, e sim, o cumprimento de mandado de busca e apreensão em endereços ligados a ela (saiba mais abaixo).
A Life Tecnologia Educacional, com sede em Piracicaba, é a empresa alvo da operação, investigada por suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos.
Carla Ariane Trindade foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho de Lula com a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Carla e Marcos tiveram um filho durante a relação.
Além da ex-nora de Lula, a Polícia Federal ainda diz que o empresário Kalil Bittar, ex-sócio de um dos filhos de Lula, também atuou para a Life. Kalil Bittar é filho do ex-prefeito de Campinas, Jacó Bittar.
Relação de Carla com a Life Tecnologia Educacional e André Mariano
Carla Ariane Trindade é citada em diferentes trechos como alvo de investigação em um inquérito que apura suposto esquema envolvendo André Gonçalves Mariano, dono da Life Tecnologia Empresarial e alvo de mandado de prisão na operação de hoje, e Carlos Augusto César, conhecido como Cafu, vice-prefeito de Hortolândia preso nesta quarta-feira, durante a operação, e outros investigados.
O relatório da Polícia Federal aponta que Carla teria inclusive realizado diversas viagens para Brasília, muitas delas acompanhada de André Mariano, ou utilizando-se de seus dados pessoais. Ela teria utilizado também dados cadastrais de Kalil Bittar, outro dos investigados, e ex-sócio de Lulinha, filho de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em outro momento, Carla é citada na agenda pessoal de André Mariano com as designações “amiga de Paulínia”, “nora”, além do nome pessoal, conforme apuração vinculada ao procedimento da Polícia Federal.
A primeira menção de Carla na agenda de André Mariano teria ocorrido em 24 de janeiro de 2024, durante uma possível tentativa de regularizar pendências judiciais e administrativas da empresa Life e do próprio André Mariano.
Os agendamentos e arquivos encontrados na quebra de sigilo bancário e telefônico de Carla Ariane Trindade, abrangendo o período de 01/01/2024 a 31/08/2025, evidenciam que o contato entre André Mariano e Carla se deu por intermédio de Fernando Gomes de Moraes, secretário de Educação de Hortolândia, também preso nesta quarta-feira, e por Kalil Bittar. André chegou a se reunir com Carla utilizando a sala do secretário, na sede da prefeitura.
Na decisão, a 1ª Vara Federal de Campinas diz que Carla alega ter influência em decisões do Governo Federal, notadamente no FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), e administrações municipais, além de influência nos municípios de Mauá, Diadema e Campinas.
A investigação indica ainda que Carla, posterior a alegação, teria viajado pelo menos duas vezes a Brasília com passagens pagas por Mariano e defendido interesses privados dele em órgãos públicos, especialmente na busca por recursos e contratos.
Registros de agenda mostram encontros frequentes entre “Carla” e “André Mariano”, com anotações como “café”. A autoridade policial afirma que há fortes indícios de pagamentos em espécie a Carla como contrapartida dos trabalhos prestados.
Negociações de Carla em Hortolândia
As suspeitas da Polícia Federal é de que a empresa Life Tecnologia Educacional teria recebido cerca de R$ 70 milhões para fornecimento de kits e livros escolares para três prefeituras do interior de São Paulo, entre elas em Hortolândia, onde Carla também teve participações nos intermédios.
Segundo a investigação, com o apoio de Carlos Augusto César (Cafu) e Fernando Gomes de Moraes, a Life venceu o Pregão Eletrônico nº 43/2025, do Edital nº 51/2025, e o Processo Administrativo nº 90799/2025, tendo por objeto o “fornecimento de livros para manutenção do projeto de ciência e tecnologia educacional da rede municipal”.
Ainda de acordo com a PF, foram colhidos fortes indícios de direcionamento, já que o Termo de Referência do referido pregão apresentou lista de livros que só poderiam ser fornecidos pela Life. No dia 04/06/2025, data do julgamento, esse direcionamento se confirmou. A Life foi a única participante, e adjudicação, ação onde o agente de contratação declara o licitante vencedor, e a homologação dos lotes vinculados ao edital nº 51/2025 ocorreram no mesmo dia.
A ação, segundo a apuração da Polícia, evidenciou novamente a participação de Carla Trindade no patrocínio dos interesses privados de André Mariano e como pessoa influente nos contratos da Life em Hortolândia.
O que dizem os envolvidos
A prefeitura de Hortolândia disse que aguarda o acesso às informações da denúncia para avaliar quais medidas serão adotadas. Enquanto a defesa do vice-prefeito de Hortolândia, Cafú Cesar, informou que assim qeu finalizar a análise do inquérito irá ingressar com as medidas para a reversão da prisão preventiva.
A empresa Life Educacional, principal alvo da investigação, apenas informou que não vai se pronunciar.
Os demais investigados foram procurados pelo Grupo EP, mas ainda não se manigestaram até a publicação desta matéria.
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