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CampinasCotidianoExame identifica o que causa obesidade em cada paciente; entenda como funciona

Exame identifica o que causa obesidade em cada paciente; entenda como funciona

Análise da urina pode identificar a “assinatura metabólica”, permitindo diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados

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A obesidade é um problema de saúde pública e está sendo, cada vez mais, relacionada ao surgimento de outros doenças, entre elas, o câncer. A doença, que atingiu a marca de nove milhões de pessoas no Brasil em 2024 é uma condição complexa e ligada a fatores comportamentais, ambientais, metabólicos e até genéticos.  Por isso, é importante encontrar um diagnóstico preciso sobre cada caso para, consequentemente, buscar um tratamento mais adequado e é exatamente isso que uma pesquisa brasileira busca.

“Imagine que, daqui a 20 ou 30 anos, um paciente possa chegar ao pronto-socorro e, a partir de um exame de urina, o médico consiga identificar seu padrão de obesidade?”,

propõe a endocrinologista Aline Gurgel, professora da Ufersa (Universidade Federal Rural do Semi-Árido).

O que diz a pesquisa sobre obesidade?

O trabalho revelou que o excesso de gordura visceral — localizada na cavidade abdominal, entre os órgãos, e associada a maior risco cardiovascular — está ligado ao aumento de determinados metabólitos na urina. Essas substâncias, produzidas pelo metabolismo, indicam processos como inflamação, resistência à insulina e mudanças no funcionamento do organismo. A descoberta aponta para o uso de um método simples e não invasivo capaz de oferecer diagnósticos mais precisos e orientar tratamentos sob medida.

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O estudo foi publicado no periódico científico Metabolites e realizado no âmbito do programa Doutorado Interinstitucional (Dinter), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que permite a qualificação de docentes de universidades sem programas próprios de pós-graduação.

Gurgel foi a primeira professora da Ufersa a concluir o doutorado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) por meio do Dinter, sob orientação da endocrinologista Denise Zantut, docente da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) e coordenadora do programa de pós-graduação em clínica médica da universidade.


Metabolômica

A pesquisa teve como base a metabolômica, ciência que estuda o conjunto de metabólitos presentes no organismo.

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No Brasil, ainda são poucos os estudos na área voltados à obesidade, mas no cenário internacional essa abordagem já impulsiona avanços importantes, como o desenvolvimento de medicamentos de última geração contra a doença.

Segundo Gurgel, a técnica permite desvendar mecanismos específicos de cada paciente. Para isso, ela utilizou a ressonância magnética nuclear em amostras de urina, método que traça um “mapa” detalhado do metabolismo. “Isso é como uma impressão digital”, compara.

O projeto contou com a colaboração do professor Alviclér Magalhães, coordenador do Laboratório Multiusuário de Ressonância Magnética Nuclear e de Líquidos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

“O Dinter cumpre um papel importante no aprimoramento de docentes, especialmente em universidades mais jovens, onde ainda não há programas de pós-graduação. Assim, eles conseguem desenvolver pesquisas e obter o título sem se afastar por anos, o que seria uma grande perda para a instituição. Além disso, fomenta a produção científica”,

explica Zantut.


Como pesquisa foi conduzida?

Participaram do estudo 75 pacientes com sobrepeso e obesidade atendidos em uma unidade de pronto atendimento em Mossoró (RN). Com supervisão de Magalhães, Gurgel identificou e quantificou os metabólitos presentes nas amostras de urina, selecionando 40 substâncias associadas à obesidade e a distúrbios endócrinos. O resultado foi a identificação da assinatura metabólica individual de cada participante.

Para a endocrinologista, personalizar o tratamento é essencial.

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“Está claro que o futuro do combate à obesidade é o tratamento direcionado. Cada pessoa tem um metabolismo, um perfil genético e um padrão alimentar próprios”, afirma. “Quantas vezes o médico prescreve uma medicação e o tratamento não funciona? Muitas vezes, não é falta de adesão: o paciente simplesmente não tem o perfil metabólico para responder àquela terapia.”

Os dados obtidos foram comparados a exames de composição corporal, como bioimpedância e IMC (índice de massa corporal). O cruzamento mostrou que pacientes com mais de 16 kg de gordura visceral apresentavam níveis mais altos de três metabólitos: sarcosina (ligada à resistência à insulina), trigonelina (relacionada à massa e força muscular) e fenilalanina (associada ao metabolismo da glicose e da gordura abdominal).

“Acredita-se que o paciente com mais obesidade visceral absorve mais trigonelina para compensar o distúrbio metabólico associado à obesidade”,

explica Gurgel.

Magalhães destaca que o trabalho ajuda a criar uma metabolômica adaptada à população brasileira.

“Nosso perfil genético é um dos mais miscigenados do mundo, o que pode revelar aspectos ainda desconhecidos sobre a obesidade e outras doenças, inclusive com implicações econômicas”, afirma. Gurgel reforça: “O perfil de obesidade do brasileiro não é o mesmo de um japonês, por exemplo. Aqui, há mais obesidade visceral. Será que respondemos igual à medicação? Ou precisaríamos de estratégias específicas?”

Obesidade

Doença sistêmica causada por múltiplos fatores, a obesidade cresce no Brasil enquanto os recursos para combatê-la continuam limitados. “É uma questão de saúde pública”, ressalta Gurgel.

Para ela, a assinatura metabólica é uma ferramenta valiosa para definir a estratégia mais eficaz em cada caso, seja medicamentosa ou cirúrgica. A médica espera que os resultados do estudo inspirem novas pesquisas e, no futuro, permitam que médicos determinem com mais precisão quando a cirurgia bariátrica ou o tratamento medicamentoso são a melhor opção.

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Giovanna Peterlevitz
Giovanna Peterlevitz
Repórter no ACidade On Campinas. Tem experiência na cobertura de grandes factuais nacionais e internacionais, nas diversas áreas de jornalismo. Já atuou em direção de imagens, edição de vídeo, produção, reportagem, redação e edição de textos e também na apresentação de telejornais e programas de entrevista.

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