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Família de Vinhedo luta por tratamento para menino com síndrome rara

Ravi, de 3 anos, foi diagnosticado com Coffin-Lowry e os gastos atuais chegam a R$ 4 mil por mês

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Uma família de Vinhedo, no interior de São Paulo, enfrenta uma rotina intensa para cuidar de Ravi Grapeia dos Santos, de 3 anos, diagnosticado com uma síndrome rara. A luta da família envolve longas internações, procedimentos cirúrgicos e gastos que chegam a R$ 4 mil por mês.

O pequeno tem a Síndrome de Coffin-Lowry, uma doença genética rara que causa atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, deficiência intelectual, hipotonia e deformidades ósseas.

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Em entrevista para o acidade on Campinas, a mãe compartilhou os desafios diários e a luta para garantir os tratamentos e mais qualidade de vida para o filho.

Gestação de risco e nascimento prematuro

A gestação de Arieli Grapeia Amaro, de 27 anos, já indicava desafios. “Desde o início tive complicações: descolamento de placenta, sangramentos, dores e contrações”, conta a mãe.

Com 27 semanas, Arieli percebeu a saída do tampão mucoso, uma espécie de secreção que protege o útero durante a gestação, onde sinaliza que o corpo estava se preparando para um parto prematuro.

Sete dias depois, com 28 semanas e dois dias, no dia 12 de março de 2022, Ravi nasceu. O bebê pesava apenas 1,235 quilos e 38 centímetros, precisou ser intubado ainda na sala de parto e foi direto para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal, onde permaneceu internado por quatro meses.

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Ravi, de apenas 3 anos, foi diagnosticado com uma síndrome rara
(Foto: Arquivo pessoal)

Nesse período, passou por uma cirurgia cardíaca aos 16 dias de vida e enfrentou diversas intercorrências. A alta veio apenas o dia 28 de setembro do mesmo ano, mas apenas com o uso de cateter de oxigênio e sonda nasal para alimentação.

Diagnóstico e internações sucessivas

Após a alta, a família iniciou uma jornada em busca de respostas. “Quando ele estava na maternidade desconfiavam de acondroplasia. Fizemos todos os exames e não foi constatada essa síndrome”, relata Arieli.

Em março de 2023, a família precisou passar por mais um desafio. O pequeno Ravi enfrentou uma insuficiência respiratória grave e, por conta disso, precisou ficar internado até setembro.

O diagnóstico da condição rara veio por meio do exame exoma, realizado com recursos de uma rifa. E, após 30 dias, o resultado: Síndrome de Coffin-Lowry.

Além desse diagnóstico, o menino também tem displasia broncopulmonar e broncoaspira a própria saliva para o pulmão. De acordo com a mãe, por conta disso, a síndrome vai se agravando.

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Rotina e cuidados diários

Hoje, Ravi depende 100% da mãe. Ele se alimenta sete vezes ao dia via gastrostomia, faz uso de aparelhos respiratórios e medicamentos de alto custo.

“Ele acorda bem cedo, às 5h da manhã, e daí começamos o dia”, relata Arieli, que também cuida do filho mais velho, Lorenzo, de 7 anos.

Para manter os cuidados, a família gasta em média R$ 4 mil por mês, valor que inclui alimentação especial, insumos, energia elétrica, que acaba tendo um valor maior por conta do uso de aparelhos, além de combustível para deslocamentos para hospitais e clínicas.

Campanhas e luta por direitos

Sem conseguir trabalhar para cuidar do filho que precisa de cuidados especiais, Arieli sobrevive com a ajuda do BPC/Loas (Benefício de Prestação Continuada), apoio do pai das crianças e familiares. Para complementar, promove rifas e campanhas solidárias. “Em 2023, fizemos uma feijoada benéfica para a compra da cadeira dele”, explica.

A família também se prepara para entrar na Justiça para garantir o fornecimento de insumos, medicamentos e terapias intensivas pelo poder público.

Sobre a síndrome

De acordo com o médico geneticista do Departamento de Genética Médica e Medicina Genômica, da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), doutor Carlos Eduardo Steiner, a Síndrome de Coffin-Lowry é uma doença genética rara e faz parte de espectro do gene RPS6KA3.

“Varia desde transtorno do neurodesenvolvimento inespecífico até a manifestação mais completa que caracteriza a síndrome”, explica Steiner.

O diagnóstico da síndrome pode ser feito através dos sinais e sintomas que a criança manifesta e do histórico familiar, quando já existem outros casos. “O ideal é que seja confirmado por exames de DNA que comprovem a presença de variantes causadoras da doença nesse gene”, completa.

Atualmente, o exame mais utilizado para essa investigação é o sequenciamento completo do exoma.

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Vitória Amorim
Vitória Amorim
Vitória Amorim é natural da Bahia, está cursando o sexto semestre de Jornalismo na Unip, em Campinas. Estagiou no g1 de 2023 a 2025, além da apuração da EPTV, e, desde 2025, é assistente de Mídias Digitais do acidade on.

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