
A Fazenda Barra é um dos patrimônios históricos mais importantes do município de Jaguariúna. Nos últimos anos, o local que costumava funcionar com o cultivo de café e cereais passou por uma série de restaurações e já opera como sede de diversas atividades da administração municipal, como o Canil da Guarda Municipal e as instalações do curso de gastronomia da Escola das Artes.
Segundo a prefeitura, a fazenda ainda contará com visitação aberta ao público por uma galeria dos prefeitos, e irá sediar uma exposição com ambiente didático e acervo de notícias da Revolução Constitucionalista de 1932. Além disso, a Capela Centenária presente no terreno também está em fase final de restauração, de acordo com a administração.
Patrimônio histórico
A história da Fazenda da Barra começa a ser contada em meados do século XIX, quando houve a divisão da sesmaria do Coronel Luís Antônio Sousa e de seu sócio, Bernardo Guedes Barreto. Após o falecimento de seu pai, José Guedes de Sousa, conhecido como Barão de Pirapitingui, José Alves Guedes herda as terras e assume 1,5 mil alqueires, sendo que 150 alqueires foram utilizados para o cultivo de café, alterando com o cultivo de milho, feijão, arroz e outros cereais.
Dentre os anos de operação, a Fazenda da Barra recebeu a visita de personalidades ilustres, como o Imperador Dom Pedro II, durante a inauguração da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, em 1873, e do poeta Mário de Andrade.
O local também foi a moradia de Olívia Guedes Penteado, uma grande personalidade feminina do século 20, sendo a primeira deputada do Brasil, mecenas das artes e influenciadora da Semana de Arte Moderna de 1922. Além disso, ela lutou pelo direito ao voto para as mulheres e foi apoiou as famílias paulistas durante a Revolução Constitucionalista de 1932.
Com a abolição da escravatura, a fazenda recebeu um grande número de imigrantes italianos, que vieram para a região em busca de trabalho na plantação de café. Com a morte de José Alves Guedes, sua viúva decide vender a área de 400 alqueires que constituía a propriedade em 1932. Entretanto, a Revolução Constitucionalista atrapalha a negociação, e a fazenda é invadida pelas tropas mineiras e sofre sérios danos materiais.
Nos anos seguintes, o local se tornou a sede de uma nova plantação de café, e nas mãos de Joaquim Machado, a fazenda começou a ter outras culturas agrícolas, como o arroz, mamão, algodão e milho, além de avicultura e pecuária.
A Fazenda da Barra e uma área envoltória de 16 alqueires foram adquiridas pela prefeitura de Jaguariúna em 2008.