A alta de furtos de fios e de outros materiais de cobre em Campinas e na região está diretamente relacionada a esquemas criminosos que se aproveitam da situação vulnerável de parte da população. A realidade, que envolve pessoas em que vivem nas ruas e dependentes químicos, é exposta por órgãos de segurança e especialistas, que alertam para a necessidade de identificar os financiadores.
Além de lojas e outros tipos de estabelecimentos, lugares públicos também são alvos frequentes dos ladrões. Nos últimos dias, por exemplo, o Túnel Joá Penteado, em Campinas registrou dois crimes deste tipo em um intervalo de dois dias. No primeiro caso, um receptador foi identificado e preso no Centro. No segundo, a dupla criminosa foi presa antes que pudesse vender os cabos.
NO CENTRO DE CAMPINAS
O inspetor da GM (Guarda Municipal) de Campinas, Wallace Martins Soares, explica como os financiadores e receptadores de fios e outros itens se organizam para recrutar e pagar pessoas para cometer os crimes. Depois dos furtos, eles buscam revender o material, que possui alto valor e também grande demanda.
“Algumas pessoas se instalam na área central, onde a circulação de pessoas em situação de rua é maior, e fazem a aquisição desse material. Alguns locais são fixos e outros são itinerantes. Essas pessoas chegam também com os veículos e estacionam na área central para poder receptar esse material furtado”, diz ele.
Ainda de acordo com a corporação, os próprios receptadores estimulam os roubos por moradores que vivem e conhecem as regiões onde os furtos acontecem. Depois disso, o caminho dos itens furtados passa, muitas vezes, por ferros-velhos irregulares, que vendem o cobre para empresas que não verificam a procedência. Por esse motivo, o material é derretido e volta ao mercado.

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OUTROS LOCAIS E CIDADES
Mas nem todas as ocorrências são registradas no Centro de Campinas. No Jardim Roseira, por exemplo, um homem foi flagrado no início deste mês se pendurando em um fio para cortar e levar o material. O flagrante foi parecido com um crime ocorrido no final de março em Valinhos, onde um homem escalou um poste para romper a fiação de uma serralheria e fugir com o fio.
COMO REPRIMIR?
O advogado e professor da Facamp (Faculdades de Campinas), Fábio Martins Bonilha Curi, explica que a repressão a esse tipo de crime passa, principalmente, pela compreensão da elevação da demanda de possíveis receptadores. “É pago tributo pela aquisição? Cadê as notas fiscais dos produtos? São obrigações que as empresas possuem e que o estado tem o dever de fiscalizar”, esclarece ele.
A busca pela prevenção também é citada por Bonilha. O trabalho, segundo ele, envolve preocupações com a saúde e também questões sociais. “A assistência social é o foco municipal pra tirar essas pessoas em situação de rua, respeitando os direitos humanos e a Constituição”, complementa o advogado e especialista.
O QUE DIZEM AS AUTORIDADES
A secretaria de Assistência Social de Campinas explicou que tem programas para ajudar moradores de rua e usuários de drogas. Porém, alega que o trabalho é complexo, já que não se pode recolher e atender pessoas sem que elas aceitem.
Pelo lado repressivo, a secretaria de Segurança Pública de São Paulo informa que faz operações pra combater todos os tipos de crimes. Entre elas, ações em desmanches e depósitos de sucatas pra combater roubos e receptação de fios.

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