
Um levantamento da Polícia Civil apontou um crescimento de 24% em furtos de fios de energia em Campinas entre os anos de 2019 e 2020. Ainda neste ano, entre janeiro e julho, os registros já chegam a 290 casos, segundo os dados.
Em 2019, foram 295 furtos de fios durante o ano inteiro. Já no ano passado, quando começou a pandemia de covid-19, foram 366 ocorrências. O aumento é de 24%. O principal objetivo dos criminosos é revender o cobre.
O crime causa prejuízo em diferentes setores e chega a afetar serviços para a população. Em Campinas, uma instituição sem fins lucrativos que ajuda deficientes visuais já teve que fechar as portas por conta do furto de frios,
Na última vez, danificaram até o poste, e a instituição teve que arcar com um novo. O valor do prejuízo foi de R$ 4 mil. “Já vem há algum tempo que ocorrem esses furtos de fiações. Isso já aconteceu umas dez vezes, perdemos as contas até”, disse a coordenadora pedagógica da instituição Margrit Yoshioka.
Em uma das ações, os criminosos levaram toda a cerca elétrica e também o relógio do local. A polícia foi chamada, mas os crimes se repetiram.
“É um prejuízo grande para uma instituição que trabalha só com arrecadação de doações e um pouco que entra pelo telemarketing. É bem complicado. Não podemos usar o dinheiro dos convênios, que é para o trabalho efetivo. Então quando acontece uma coisa dessa, é preciso usar recurso próprio, que entra muito pouco”, disse Margrit.
POLÍCIA
Segundo o delegado responsável pelo Deinter 2, José Henrique Ventura, os criminosos têm explorado as concessionárias de serviço público – sendo a maioria dos crimes – e também as construções em andamento.
“São locais que estão sem vigilância, além das casas que estão para alugar, ou abandonadas. E empresas que estão, por exemplo, paradas e sem atividade. Temos o aumento por conta do nosso ‘filão’ que observamos”, disse.
Para coibir o crime, a Polícia Civil identifica quem são os receptadores desse tipo de material.
“Quem adquire algo de alguém que não é do ramo e que não tem comprovação de origem, está assumindo o risco – principalmente se for a um preço muito baixo – de comprar um produto de crime. Ele pode responder dolosamente de 3 a 8 anos. Ou seja, sem fiança”.
Além da polícia, a GM (Guarda Municipal) também faz o rastreamento dos pontos que compram que compram fios furtados.
“Temos as informações de inteligência que nos levam a locais de receptadores. Entendemos que combater os receptadores é mais importante que o pequeno furtador, porque a ação é mais eficaz. Não que não seja investigado, mas o receptador acaba sendo mais eficaz”, explicou o secretário municipal de Segurança Pública de Campinas, Christiano Biggi Dias. (Com informações da EPTV Campinas)