Nesta segunda-feira (16), o HC (Hospital de Clínicas da Unicamp) fechou temporariamente 36 leitos de enfermaria para uma obra de climatização que deve durar um ano. Esse fechamento, que representa 12% dos 303 leitos do hospital, não afetará as UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), mas trará impacto direto no atendimento do pronto-socorro e na realização de cirurgias eletivas.
Reconhecido como referência estadual em alta complexidade, atualmente o HC da Unicamp atende não apenas Campinas, mas também pacientes de 86 cidades vinculadas a diferentes DRS (Diretorias Regionais de Saúde). Ao todo, o hospital cobre uma população de aproximadamente 6,5 milhões de pessoas.
Como as novas obras no HC da Unicamp vão impactar a população?
Segundo a superintendência do HC, por conta das obras, a superlotação do pronto-socorro, que já é uma realidade, pode piorar. Dos leitos 267 disponíveis, 232 estão ocupados.
“Até 70% das internações vêm do pronto-socorro. Com o fechamento dos leitos, é possível que mais pacientes permaneçam no pronto-socorro, o que pode causar atrasos no atendimento”, explica Elaine Attaide, superintendente do hospital.
De acordo com ela, as principais cidades que encaminham pacientes ao pronto-socorro do hospital são Campinas, Sumaré e Hortolândia. No entanto, ela explica que muitos dos pacientes que procuram o HC, sendo um hospital de alta complexidade, poderiam buscar atendimento em outros locais menos especializados.
“É importante que a população avalie se a ida ao pronto-socorro é realmente necessária”, afirmou. “Embora o HC seja um centro de referência, nem todos os casos precisam de alta complexidade. Ao chegar aqui, orientamos o paciente, e de repente esse não seja o melhor lugar para ele porque sua patologia não vai necessitar de alta complexidade”.
Além do aumento no tempo de espera para internação, as cirurgias eletivas – que são programadas com antecedência – também poderão ser adiadas devido à falta de leitos para a recuperação dos pacientes. Isso afeta diretamente aqueles que aguardam na fila para procedimentos menos urgentes.

O que está sendo feito para minimizar os impactos?
De acordo com Elaine, o HC da Unicamp comunicou em agosto à secretaria de Saúde do Estado sobre a necessidade de apoio durante o período de obras. O hospital solicitou que o governo contrate emergencialmente leitos de retaguarda em outros hospitais da região para absorver a demanda extra.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde diz compreender a urgência das obras de climatização do HC e que o DRS de Campinas está definindo, de maneira conjunta com a Unicamp, um “Plano de Contingência para que os impactos sejam minimizados”, sem informar qual seria a solução.
Procurada pela EPTV, a secretaria de Saúde de Campinas informou que está acompanhando de perto a ocupação de leitos na cidade. Até agora, o fechamento dos 36 leitos de enfermaria no HC ainda não afetou diretamente o SUS Municipal. No entanto, a secretaria acredita que o fechamento pode causar um aumento na demanda por leitos, o que pode levar a uma sobrecarga nos próximos dias.
“Por enquanto não foram registrados reflexos no SUS Municipal, mas a Pasta considera que o fechamento de 36 leitos de enfermaria no HC deve provocar sobrecarga nos próximos dias, o que reforça a necessidade do governo do Estado implementar leitos em outros locais para absorver as demandas da região. O prefeito Dário Saadi (Republicanos) está em tratativas avançadas com o Estado para a construção do Hospital Metropolitano em razão dessa procura de pacientes de outras cidades”, disse o comunicado.
Além disso, a secretaria de Saúde de Campinas afirmou que, na última semana de agosto, a Administração municipal aumentou a capacidade do SUS Municipal em 23 leitos, após estabelecer dois novos convênios com a rede privada.
“Atualmente, a densidade de leitos municipais por habitante em Campinas (2,48) já é superior aos indicadores verificados na região, por meio do Departamento Regional de Saúde VII (1,57), Estado de São Paulo (2,05) e Brasil (1,99)”, concluiu.
Entenda como será feita a obra
A obra é necessária para a instalação de um sistema de climatização nas enfermarias do hospital, que não tinham ar-condicionado até então. Segundo a superintendente do HC, Elaine Attaide, a climatização é fundamental para melhorar o ambiente, especialmente após os verões mais recentes, quando as temperaturas nas enfermarias ficaram muito altas, prejudicando o bem-estar de pacientes e profissionais.
“A obra é necessária desde o início da construção, mas agora, com o advento das emergências climáticas, percebemos que no último verão as temperaturas foram muito altas nesses locais. Inclusive, estamos optando por iniciar a climatização na área onde as temperaturas eram mais altas durante nossa observação. Isso vai trazer melhoria tanto para os profissionais quanto para os pacientes”, explicou.
Elaine explica que a obra será realizada em etapas e, em cada fase, uma parte dos leitos será fechada para a instalação do sistema. Cada etapa deve durar cerca de 45 dias, e o hospital continuará funcionando, porém com menos vagas de internação.
A previsão é que a obra dure um ano, podendo se estender por até um ano e meio. O investimento é de R$ 14 milhões.
“Vai ser um ano mais difícil, então pedimos à população que tenha um pouco de paciência se eventualmente houver alguma demora no atendimento de pronto-socorro. Mas também será um ano de muita luta e certeza de que, no final desse período, vamos entregar um hospital com mais qualidade para atender ainda melhor toda a população”, conclui Elaine.

*Com informações de Jorge Talmon/EPTV Campinas
Quer ficar ligado em tudo o que rola em Campinas? Siga o perfil do acidade on Campinas no Instagram e também no Facebook.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
LEIA TAMBÉM NO ACIDADE ON PIRACICABA
Temperatura máxima pode cair até 15°C nos próximos dias; veja a previsão do tempo
Piracicaba barra proibição do uso de celulares nas agências bancárias