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CampinasCotidianoInternações por esclerose múltipla saltam 113% na região de Campinas

Internações por esclerose múltipla saltam 113% na região de Campinas

Esta sexta-feira (30) marca o dia mundial da doença, e acende o alerta para a importância do diagnóstico

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Casos de esclerose múltipla têm registrado um crescimento expressivo na região de Campinas. As internações pela doença tiveram alta de 113,7% entre 2023 e 2024, segundo dados da SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo). 

Durante todo o ano de 2024, foram 124 internações por esclerose múltipla no DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas, que atende 42 cidades do interior paulista. Em 2023, foram 58 internações.  

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Os atendimentos ambulatoriais também aumentaram, mas em menor proporção. Em 2024, foram 1.600 atendimentos contra 1.449 registrados em 2023.  

A doença que atinge o sistema nervoso central é crônica e autoimune, o que requer cuidados ao longo de toda a vida. Nesta sexta-feira, dia 30 de maio, é celebrado o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, que traz um alerta para os sintomas e importância do diagnóstico.  

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O que explica a alta nas internações por esclerose múltipla? 

Segundo o neurologista Felipe Franco da Graça, do Vera Cruz Hospital, não há uma explicação específica para uma alta nos atendimentos e internações pela esclerose múltipla. Esse aumento, muito provavelmente, tem mais relação com o maior conhecimento sobre a doença e seus sintomas. 

Sobre a doença 

A esclerose múltipla é uma doença autoimune, ou seja, é o corpo que age contra ele próprio. Nesse caso, ela ataca a “capinha” dos neurônios do sistema nervoso central, chamada de mielina, ainda conforme o neurologista. Então, é por isso é chamada de uma doença desmielinizante. 

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Por ser uma doença autoimune que pode atacar qualquer região do sistema nervoso central que tem a mielina, isso pode afetar diversos sistemas diferentes relacionados com sensibilidade, com motricidade ou com outras funções cerebrais e medulares e, portanto, é possível surgirem sintomas neurológicos. 

“Então, é muito comum que o paciente tenha inicialmente queixa de formigamentos em uma região do corpo, esse formigamento suma, queixas de alteração de movimento. Então, não são alterações agudas, não são alterações que começam e terminam em questão de minutos. São alterações que normalmente vão iniciando, ficando mais intensas, mais intensas, duram alguns dias e depois elas tendem a regredir”. 

Também existem diferentes tipos de esclerose múltipla. A forma mais comum é que a remitente recorrente, que é quando o paciente tem surtos da doença. “Então, ele tem surtos de alterações e essas alterações, entre os surtos, elas melhoram. Enquanto alguns pacientes podem ter as formas progressivas, que são aquelas formas em que não têm tanto surto de maneira tão clara. Esse paciente vai piorando sem que tenha de fato o surto acontecendo”, explica Felipe.  

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Principais sintomas 

A doença acomete principalmente jovens adultos e do sexo feminino. Segundo o neurologista, os principais sintomas estão relacionados a: 

  • Alterações de sensibilidade, 
  • Alterações motoras,  
  • Instabilidade de marcha,  
  • Alterações urinárias, 
  • Alterações da visão (neurite ótica). 

“São vários sintomas, muitas vezes, muitos pacientes têm sintomas parecidos com esse e não têm esclerose múltipla. Então, se você tem um formigamento, algo assim, isso não significa que tem esclerose múltipla, mas é algo que a gente tem que ter uma atenção especial e procurar um neurologista para investigar”, complementa. 

Qual é o tratamento? 

Assim como outras doenças autoimunes, a esclerose múltipla não tem cura, mas existem vários tipos de tratamento eficazes para controlar a progressão da doença. Por isso, o especialista destaca a importância de ter o diagnóstico.  

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“Hoje o paciente com o tratamento adequado consegue ter uma qualidade de vida excelente, consegue construir família, consegue trabalhar. eu tenho, inclusive, colegas médicos que têm esclerose múltipla e que têm uma qualidade de vida muito boa, que trabalham normalmente. O importante é tratar isso precocemente para essa doença não piorar”, finaliza o neurologista. 

Convivendo com a esclerose múltipla

Moradora de Hortolândia, Simone Cristina da Silva nunca tinha ouvido falar da doença até receber o diagnóstico, aos 35 anos de idade, mesmo sendo profissional da saúde. Na época, ela tratava um problema na coluna, quando a médica a orientou a fazer uma cirurgia bariátrica para tirar o excesso de peso. 

Durante o processo de preparo para realizar a intervenção, Simone também enfrentou internações de sua mãe, seguidas pela morte da mesma. Foi nesse período conturbado que os sintomas da esclerose começaram a surgir, o que ela imaginou inicialmente que seria apenas resultado do cansaço. 

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“Parecia que eu tinha agulhas embaixo do pé. Sentia dores na batata da perna, formigamento na mão, a fadiga, e por aí foi”, conta.  

O alerta veio quando ela passou por desmaios, um deles durante o expediente de trabalho. Ao relatar os problemas para a médica, ela fez uma ressonância magnética, que revelou o diagnóstico da esclerose múltipla.  

O tratamento começou alguns meses depois, com o uso de medicamentos. No início, ela também passou por internações por conta de surtos da doença que, segundo a moradora de Hortolândia, estavam muito associados a períodos de estresse, calor, entre outros fatores.  

A descoberta na fase inicial da doença contribuiu para que a esclerose não afetasse aspectos da mobilidade, visão e outras partes do organismo de Simone. 

Foram 10 anos passando por uso de diferentes remédios e adaptações para lidar com a doença no dia a dia. Hoje, aos 51 anos, Simone conta que já não precisa mais usar medicamentos para lidar com a doença e faz apenas acompanhamento médico, aliado a uma rotina ativa e de atividades física. Ela fala que a doença não limita a rotina dela, que segue trabalhando, se exercitando e tendo vida social. 

“A gente tem que procurar não passar nervoso, não passar estresse. Manter a qualidade de vida, quando a pessoa tenta ser mais ativa. A gente não pode se entregar, a gente tem que ser mais ativa. Eu já tinha um pouquinho de depressão por conta de tudo que eu tinha passado, e a esclerose em si me deixou depressiva também. Só que eu nunca deixei a peteca cair, sabe? Eu sempre procurava estar ativa. Eu faço com que eu não deixe a esclerose múltipla tomar conta de mim.” 

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Vitória Silva
Vitória Silva
Repórter no ACidade ON Campinas. Formada em Jornalismo pela Unesp, tem passagem pelos portais Tudo EP e DCI, experiência em gravação e edição de vídeos, produção sonora e redação de textos, com maior afinidade com temas que envolvem cultura e comportamento.

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