A quadrilha de roubo de caminhões que foi alvo da megaoperação da PF (Polícia Federal) de Campinas nesta quarta-feira (3) usava um criminoso como “olheiro” para identificar veículos estacionados e praticava os crimes usando disfarces. De acordo com o delegado da PF, Edson Geraldo de Souza, o esquema de venda ilegal superava o comércio oficial de caminhões na região – veja abaixo.
Em entrevista coletiva, Souza detalhou que o objetivo dos criminosos era permitir o desmonte e a revenda das peças dos veículos. Para isso, não buscavam cargas específicas, não praticavam os crimes em rodovias e preferiam roubar caminhões estacionados. “Um dos membros passava prospectando e filmando os veículos e passava as informações para o grupo”, explicou ele.
Sete pessoas foram presas até o momento em diversos locais de Campinas, Sumaré e Hortolândia e a investigação começou em dezembro de 2022, a partir de informações processadas pelo serviço de inteligência do grupo especializado em roubo de caminhões e de cargas da Polícia Federal com sede em Campinas.
MERCADO ILEGAL
O grupo praticava até seis furtos por dia para que os caminhões fossem revendidos rapidamente. Para isso, ofereciam os veículos a interessados que participavam de grupos de WhatsApp. O volume de crimes era tão grande que a investigação aponta que as vendas ilegais da quadrilha movimentavam mais operações do que o mercado formal em Campinas e outras cidades vizinhas.
“O mercado de caminhões furtados na região, em Hortolândia e Campinas, chegava a superar o mercado oficial de caminhões. Eles tinham uma facilidade muito grande de repassar caminhões pra frente. Inclusive, hoje nós tivemos que retardar o cumprimento dos mandados, porque eles estavam furtando um caminhão em Sumaré, que já foi devolvido à empresa vítima”, conta Edson.
PASSO A PASSO
Conforme a apuração da Polícia Federal, depois de receber os endereços onde os caminhões estavam, ladrões usando roupas de mecânicos trocavam as placas, furtavam o veículo e o levavam para outro local para garantir que o trajeto não fosse rastreado. As polícias Militar e Federal, no entanto, não agiam contra os bandidos intencionalmente, para monitorar e identificar os membros do grupo.
“Eles usavam roupas de assistência mecânica ou de órgãos de placas para disfarçar a troca dessas placas no meio da rua e só depois fazer a venda desses caminhões. A chance de um receptador comprar um caminhão sem saber que é roubado é zero”, argumenta o delegado responsável, Edson Geraldo de Souza.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
Ao menos 21 crimes foram praticados pela mesma quadrilha entre o final de 2022 e abril deste ano. Além de identificar os criminosos que adulteravam as placas, os investigadores querem agora chegar até outros membros da organização criminosa, assim como identificar os receptadores. A dificuldade, porém, é que a quadrilha especializada não tinha uma composição fixa.
“Não havia uma formação sólida. Eles levantavam quem estava disponível para trabalhar no dia e colocavam a pessoa para furtar caminhões. A principal dificuldade é delimitar quem são os participantes realmente”, conclui Edson.
A OPERAÇÃO
A megaoperação da Polícia Federal de Campinas foi deflagrada nesta quarta-feira uma para prender integrantes de uma quadrilha especializada em roubos e furtos de caminhões na região. Até o momento, sete pessoas foram presas e outros quatro alvos da investigação foram identificados em presídios da região.
Os mandados foram cumpridos em Campinas, Hortolândia e Sumaré contra 12 alvos. A ação teve o apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo), do MP (Ministério Público), e da PM (Polícia Militar). Ao todo, 100 policiais, entre federais e militares, cumpriram os 12 mandados de prisão temporária e os nove mandados de busca e apreensão.
Em Campinas, os mandados de busca foram cumpridos no Jardim Tamoio e no Jardim Bassoli. Em Sumaré, as buscas foram feitas no Parque Bandeirantes e Jardim Bom Retiro. Já em Hortolândia, as ações ocorreram no Parque Orestes Ongaro, Jardim Nova Hortolândia, Jardim Nova América e Jardim Santana.