
O líder espiritual que é investigado por suspeita de assédio sexual em um Centro de Umbanda teve a prisão preventiva decretada, em Campinas.
O inquérito, aberto no dia 14 de julho, foi concluído na 1ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Campinas e o suspeito já é considerado foragido da Justiça.
De acordo com a defesa das vítimas, ao menos 15 pessoas, entre mulheres e testemunhas, prestaram depoimento até o início de agosto.
O advogado de defesa não quis se manifestar sobre o pedido de prisão do seu cliente até o momento desta publicação.
SUSPEITA DE DESAPARECIMENTO
A Polícia Civil apura o desaparecimento do líder espiritual, que não é visto desde o dia 29 de julho, quando esteve em uma chácara às margens do Rio Atibaia em Campinas.
INQUÉRITO DA DDM
A 1ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Campinas instaurou no dia 14 de julho um inquérito para investigar as denúncias de assédio e abuso sexual contra o diretor espiritual de um terreiro de Umbanda, em Campinas.
Os relatos partiram de mulheres que integram a equipe de atendimento da casa. O homem trabalhava como terapeuta do local e foi afastado das funções em 29 de junho, assim que a associação espiritual soube das acusações contra ele.
VÍTIMA DETALHA
Uma das vítimas do líder espiritual afirmou que ele pedia segredo do ato criminoso porque isso podia “destruir a fé” das pessoas. No relato, a vítima, que preferiu não se identificar, afirmou que o Pai de Santo iniciou as ações durante um atendimento individual.
“Em 2014, eu estava ainda de licença-maternidade e passei na sala dele. Esse tipo de atendimento é comum, individual, a gente sempre pede ajuda. E na hora de sair da sala, eu levantei, ele levantou, ficou bem próximo a mim, e eu com a minha filha no colo. Eu assustei quando ele colocou a mão dele dentro da minha roupa. E eu assustei, dei um tranco para trás”, afirma ela.
SUSPENSÃO DAS ATIVIDADES
No dia 18, o terreiro de umbanda suspendeu o atendimento ao público após o caso ganhar repercussão. Na ocasião, a casa argumentou que a medida temporária foi uma medida de “prudência, bom senso, zelo e respeito”.
“Os recentes acontecimentos que vieram a público podem fazer surgir natural divergência de pensamentos, condutas e posturas relacionadas a cada indivíduo e sua forma de ver os fatos, de sentir a vida e a religiosidade”, afirma o texto.
O comunicado alega que o corpo sacerdotal está se dedicando a uma reorganização interna e que conta com o retorno à normalidade dos trabalhos.
“Estamos certos de que em breve a casa seguirá seu caminho de tradição e prática dos fundamentos da umbanda: a fé, o amor e a caridade”, finaliza.
REAÇÃO E REPÚDIO
O caso também chegou à Armac (Associação dos Religiosos de Matriz Africana de Campinas), que se manifestou por nota. Assinado pelo conselho de religiosos, o comunicado defende que o terreiro enfrente a apuração com transparência.
“Sem se descuidar das garantias do devido processo legal e de legalidade preservando as garantias constitucionais e que, para tanto, deve possibilitar imediato acolhimento, preservação e apoio para as vítimas”, alega a Armac.
A associação que representa as religiões de matriz africana diz ainda repudiar “veementemente a cultura do machismo presente na sociedade brasileira, bem como qualquer atitude da prática de crime de assédio sexual e assédio moral, racismo, homofobia, intolerância, ou racismo religioso”.