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Mães sociais: conheça mulheres que atuam no serviço de acolhimento de crianças em Campinas

Mulheres atuam em Casas Lares, que recebem crianças e adolescentes que foram retiradas da família; entenda

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Você já ouviu falar em “Mãe Social”? Ele é um trabalho, em regime CLT e remunerado, e exercido por mulheres de Campinas que atuam em Casas Lares – um tipo de serviço de acolhimento provisório oferecido para crianças e adolescentes que por algum motivo precisaram ser afastados da família por medida protetiva.

A função de cuidar, ensinar, alimentar e proteger é exercida por essas mulheres, que atuam nessas casas que recebem menores, muitas vezes vítimas de violências, negligências e maus-tratos.

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Na residência, crianças e adolescentes são cuidados por essas mães, até que seja viabilizado o retorno ao convívio com a família de origem ou então sejam adotadas. Em último caso, os adolescentes ficam nas casas lares até atingirem a maioridade.

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MÃE DO CORAÇÃO

Maria Aparecida Andrade Costa, de 46 anos, é uma das mães sociais que atuam em Campinas. Na função há cerca de quatro anos, atualmente ela cuida de oito adolescentes em uma casa lar que funciona na Vila Industrial. Lá, ela conta que é a “mãe do coração” dos adolescentes, que têm entre 13 e 17 anos.

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“A rotina na prática é de mãe. Eu não sou mãe biológica, mas o trabalho é de mãe. Acordar cedo, incentivar a ir à escola, ficar em cima ensinando, ajudar nas tarefas para aprenderem a ter autonomia, cozinhar com eles, manter tudo na ordem, como uma mãe. A gente fala que somos ‘mães do coração’, do amor. Na prática é manter a organização, desde escola, trabalhos, tarefas. Como eu tinha que pegar no pé dos meus filhos, aqui é a mesma coisa”, conta Maria, que já tem dois filhos adultos e também já é avó.

TEM QUE SE DOAR

Antes de ser mãe social, Maria já tinha trabalhado como babá e em outras funções, como recepcionista, operadora de caixa e até supervisora de aeroporto, mas foi o desejo de ajudar e repassar o amor que levou ela para o trabalho na assistência dos menores.

“Eu desde muito nova gostei de ajudar as pessoas, dar o meu melhor. Quando eu vi o trabalho que era feito, com crianças que precisam de pessoas que entendam elas, que saibam conversar e se doar, pensei acho que isso vai dar certo, vou me encontrar nessa área, e foi isso que me chamou a atenção: poder ensinar passar valores, dar orientação. E deu certo”, contou.

Além dos adolescentes, ela conta que já cuidou de crianças menores, de 2 e 4 anos, que precisam ainda mais da figura de “mãe”.

“Já atendi uma menina de 2 anos, que era manhosa e agitada, tinha a irmã de 4 anos que acordava de noite gritando. Essas crianças menores são as que mais têm necessidade e problemas. Elas dormem em nosso quarto, para estarmos mais próximas”, conta.

Como toda casa, Maria relata que alguns adolescentes têm a personalidade mais forte, mas no fim todos acabam “discutindo e se resolvendo”, como uma família. Um dos desafios é o apego que se cria com a relação do dia a dia.

“É difícil, cria um vínculo, você fica 2, 3 anos com a mesma criança. Não é fácil, às vezes você quer levar para a casa, cria um vínculo, é inevitável. No outro trabalho fiquei quatro anos com meninas que depois foram adotadas e eu senti muito, não tem como”, contou.

 

Casas lares recebem até 10 crianças e adolescentes com até 17 anos (Foto: Luiz Granzotto/PMC)

COMO FUNCIONA A CASA LAR

Maria hoje trabalha pela AEDHA (Associação de Educação do Homem de Amanhã), ou popularmente conhecida como “Guardinha”, instituição que gerencia duas das 17 casas lares que funcionam em Campinas.

A coordenadora das Casas Lares da Guardinha, Lindalva Carvalho, explica que a casa é um dos tipos de serviço de acolhimento em Campinas, mas o que diferencia é que no local há uma pessoa ou casal que trabalha como mãe ou pai social, prestando cuidados a um grupo de até dez crianças e adolescentes, aproximando mais o cuidado.

Lindalva explica que as mães sociais são contratadas em horário intermitente, no plantão de 3×2, e no dia a dia recebem o apoio de um cuidador e de um auxiliar de limpeza. As crianças atendidas também contam com o apoio de uma equipe técnica composta por psicólogo, assistente social, pedagogo e o coordenador do serviço.

A ROTINA DOS ‘FILHOS’

Cada casa lar pode atender até 10 crianças ou adolescentes, com idades entre zero e 17 anos. O espaço busca desenvolver relações mais próximas do ambiente familiar, promovendo hábitos e atitudes de autonomia e de interação social entre as crianças e a comunidade.

“Em grande parte o público é composto por adolescentes, e eles possuem rotina de casa mesmo, participam ativamente desta rotina sempre com base no viés educativo, pois muitos sairão de lá para assumirem sua vida de forma autônoma”, explicou Lindalva.

No serviço, a coordenadora explica que os adolescentes possuem rotina, espaço coletivos e também individualizados, e são inseridos em atividades externas, como escola, médico, psicólogo, além de fazerem aulas como futebol, música, informática, e podem fazer atividades de Jovem Aprendiz e estágios, por exemplo.

MUITO TEMPO E COM TRAUMAS

Lindalva explica que a Casa Lar em Campinas foi pensada para receber crianças e adolescentes, preferencialmente grupos de irmãos, com longa permanência em serviço de acolhimento e com baixa perspectiva de reintegração ou inserção em família substituta.

“A Casa ainda configura um espaço mais adequado para adolescentes. a metodologia de trabalho tem como proposito acolher, proteger, orientar e principalmente incentivar eles na construção de projetos para vida após os dezoito anos”, explicou.

Ela explica ainda que a maioria dos acolhidos permanecem na casa até a finalização do processo (seja a reintegração na família, a adoção, ou a maioridade).

No período, é trabalhado o apoio também emocional, já que muitos menores vão para a casa após traumas e casos de grave violência.  “Muitas crianças e adolescentes trazem muito sofrimento na alma em função das violações sofridas e da ruptura com suas famílias”.

Maria conta que muitas crianças ficam anos na casa, e muitos chegam com grande carência por afeto, que não tinham nos antigos lares.

“Acontece de a gente sentir a necessidade de afeto, eles têm essa falta de carinho, mas isso é trabalhado aos poucos. As vezes alguns demonstram resistência, mas as poucos eles vão sentindo. Tem barreira mas também tem a nossa perseverança, é uma construção de afinidade e confiança”, completou.

O QUE FAZ A MÃE SOCIAL

As cuidadoras residentes ou, como são chamadas, “mães sociais”, são responsáveis pelo cuidado, educação e proteção das crianças e adolescentes acolhidos. Na casa, segundo a Guardinha, elas realizam as seguintes tarefas:

  • Organização da rotina doméstica e do espaço residencial;
    Cuidados básicos com alimentação, higiene e proteção
    Relação afetiva personalizada e individualizada com cada criança e/ou adolescente
  • Organização do ambiente (espaço físico e atividades adequadas ao grau de desenvolvimento de cada criança ou adolescente)
  • Auxílio à criança e ao adolescente para lidar com sua história de vida, fortalecimento da autoestima e construção da identidade
  • Acompanhamento nos serviços de saúde, escola e outros serviços requeridos no cotidiano

As mães têm o suporte do cuidador, do auxiliar de serviços gerais e da equipe técnica, e quando é necessário, um profissional técnico (psicólogo ou assistente social) participa do acompanhamento. Com a orientação dos técnicos, mães sociais também apoiam na preparação da criança ou adolescente para o desligamento.

O QUE PRECISA PARA SER MÃE SOCIAL?

Para ser mãe social é necessária formação mínima, em nível médio e é desejável experiência em atendimento a crianças e adolescentes. As mães também devem ter idade mínima de 30 anos.

Lindalva explica que as vagas para mãe social são publicadas em redes sociais e diversos outros meios de comunicação. “O processo seletivo é composto de análise de currículo, entrevista individual e vivência no ambiente”, explica, ressaltando a importância do perfil acolhedor.

“Para ser um cuidador residente o profissional deve ter clareza que ela desempenhará um trabalho de formação humana e, vai precisar usar de todos os recursos metodológicos possíveis para isto. Embora seja um trabalho desenvolvido em um espaço doméstico, o candidato precisa compreender que o trabalho desempenhado possui diretrizes a serem seguidas, e todas as ações a serem realizadas devem ter uma intencionalidade pedagógica”, explicou.

Maria Aparecida conta que desde que conheceu se interessou pelo trabalho.

“Na época uma amiga minha já trabalhava em uma instituição, falou do trabalho que era desempenhado e eu achei muito interessante, gostei. Não era minha área, mas queria tentar. Ela passou o e-mail eu mandei, passei por seleção, fiz teste, passei e estou até hoje”, contou.

MAS NÃO É UM TRABALHO FÁCIL

Apesar de já ter experiência com cuidado de crianças, a mãe social afirma que é um trabalho que demanda muita doação.

“Eu já tinha trabalhado muito tempo como babá, já tinha cuidado de gêmeos, mas a experiência a gente adquire na prática, porque é bem diferente. É um trabalho que é amor, dedicação. Se não tiver amor não fica. São três dias aqui, fora de sua casa, tem que estar disposta a dedicar, e muitos não estão dispostos a deixar sua casa, sua família”.

Ela dá um recado para quem se interessar no trabalho: “Se tiver amor em ajudar e dedicação, respeito, vai dar certo, é isso que essas crianças precisam: pessoas que passem isso, porque muitas vezes de onde vieram não encontraram”.

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