A crise no atendimento oncológico da Go-Care em Campinas ganhou novos capítulos nesta semana, com o aumento de relatos de pacientes que continuam sem acesso a quimioterapias, consultas e cirurgias essenciais. Mesmo após a operadora afirmar que não houve interrupção de serviços, depoimentos colhidos pela EPTV mostram que a situação persiste, e tem se agravado.
No centro das denúncias, está a moradora de Sumaré Fabrícia Souza, que enfrenta um câncer na mão esquerda e viu seu tratamento ser interrompido de forma abrupta há quase um mês. O caso dela simboliza o desamparo vivido por dezenas de usuários do plano.
“Eu preciso de ajuda, qualquer ajuda”
Usuária da Go-Care desde 2021, Fabrícia descobriu o tumor no início do ano, passou por cirurgia em julho e iniciou a quimioterapia que deveria seguir até janeiro. Porém, no dia 31 de outubro, recebeu uma mensagem do hospital informando o cancelamento da sessão marcada para a semana seguinte, com a justificativa de “desacordo comercial” com o convênio.
Sem orientação, ela foi até a sede da operadora em Campinas, abriu protocolo e recebeu a promessa de retorno em cinco dias. O prazo passou e nenhum contato foi feito. Enquanto isso, o tratamento seguia paralisado.
Com o avanço do tumor como risco real, amigos organizaram uma vaquinha para custear as sessões.
“Eu consegui arrecadar o valor e voltei o tratamento na sexta-feira, dia 21. Mas o dinheiro só dá para quatro quimioterapias. E depois? O restante eu preciso de ajuda, qualquer ajuda”
Relatos se acumulam e indicam piora na situação
Além de Fabrícia, outros pacientes ouvidos anteriormente pela EPTV continuam sem atendimento e afirmam que nada mudou desde a primeira denúncia. Pelo contrário: muitos dizem que a situação piorou.
É o caso de Talita Liuzzi, que aguarda cirurgia para retirada de tumor de mama e reconstrução. Após a primeira reportagem, a mastologista responsável pediu descredenciamento do plano. A Go-Care marcou outra consulta para esta segunda-feira (25), mas Talita não foi atendida. A nova médica disponibilizada está marcada apenas para 5 de dezembro.
“Eles só postergam o problema, não tentam resolver. Meu tumor não pode esperar”
Também continuam sem tratamento pacientes como Ana Carolina Figueiredo e Gilberto Pereira Costa, que dependem da quimioterapia para controle da doença e relatam semanas de interrupção sem qualquer previsão de retorno.
Interrupções representam risco grave
O oncologista César Cabello, ouvido pela emissora reforça que atrasos entre ciclos podem levar ao crescimento acelerado dos tumores, redução da eficácia dos medicamentos, aumento da mortalidade e piora significativa do prognóstico. Cada dia sem quimioterapia pode comprometer meses de tratamento já realizado.
O que diz a Go-Care
Mesmo diante dos relatos, a Go-Care manteve sua posição. Em nota, a operadora afirmou que:
- não houve cancelamento ou interrupção de atendimento aos beneficiários;
- houve apenas substituição do fornecedor de medicamentos oncológicos;
- os ajustes “não geraram prejuízo aos pacientes”.
A declaração, no entanto, diverge de todas as situações constatadas pela reportagem: mensagens de cancelamento enviadas aos usuários, tratamentos interrompidos, consultas não realizadas e cirurgias adiadas.
O Hospital do Coração de Campinas, que aparece como origem do desacordo comercial, não se manifesta há mais de uma semana.
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que já colocou a operadora sob direção fiscal por problemas econômicos e administrativos, orienta que todos os pacientes registrem queixa pelo Disque ANS 0800 701 9656.
*Com informações do repórter Heitor Moreira EPTV Campinas
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