Médicos que prestavam atendimento no Pronto-Socorro Santé, em Campinas, denunciam que estão há seis meses sem receber pelos serviços realizados para a GoCare, operadora de saúde que já havia sido alvo de reclamações de pacientes em novembro. As profissionais, que preferem não se identificar, relatam sucessivas tentativas de cobrança e respostas inconsistentes por parte da empresa.
As denúncias chegam um mês após a EPTV mostrar casos de pacientes que tiveram tratamentos oncológicos interrompidos devido a um desacordo entre a GoCare e hospitais da região. Agora, além dos usuários, médicos afirmam estar sendo prejudicados.
Três médicas relatam que os atrasos começaram ainda no primeiro semestre e se estendem até hoje. Segundo elas, o contato com a operadora tem sido difícil. Elas afirmam que, diante da falta de pagamento, muitos profissionais deixaram de atender no ambulatório, o que sobrecarregou o pronto-socorro.
Segundo as médicas, em vários momentos faltaram especialistas porque muitos deixaram de atender sem receber. Com isso, pacientes relatam filas, demora e encaminhamento frequente ao pronto-socorro.
Histórico recente de problemas
No mês passado, a EPTV Campinas exibiu duas reportagens sobre pacientes que tiveram o tratamento contra câncer interrompido após rompimento de contratos entre a GoCare e prestadores. Relembre os casos:
A Carol aguardava para fazer uma sessão de quimioterapia quando recebeu uma mensagem informando que o Hospital do Coração de Campinas estava cancelando todos os atendimentos pelo convênio, devido a um desacordo comercial. Já o Gilberto, que realizava tratamento paliativo por conta de um câncer, também ficou desamparado após a interrupção dos serviços.
A situação se repetiu com Talita, que teve o tratamento contra câncer de mama atrasado. Ela e a esposa precisaram se endividar para pagar, do próprio bolso, exames que deveriam ser cobertos pelo plano. Além disso, a médica responsável pela cirurgia dela solicitou descredenciamento da operadora, o que ampliou ainda mais a insegurança sobre a continuidade do tratamento.
Em Sumaré, Fabriccia descobriu um câncer em fevereiro, passou por cirurgia e iniciou quimioterapia, mas o tratamento foi interrompido em outubro, apesar de ela pagar o plano desde 2021. Sem alternativa, contou com a ajuda de amigos, que organizaram uma vaquinha para que ela pudesse seguir com as sessões.
Em novembro, a GoCare afirmou, em nota, que “em nenhum momento houve cancelamentos ou interrupções de pagamento aos prestadores de serviços de Campinas e região”.
As pacientes mostradas na reportagem anterior recorreram à Justiça e conseguiram realizar atendimentos emergenciais, mas ainda dependem de novas autorizações da operadora. Talita, por exemplo, tem cirurgia marcada para o próximo dia 20, mas não sabe onde fará os exames pré-operatórios porque aguarda aval da empresa.
O que dizem as partes
O Grupo EP procurou a GoCare, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O Pronto-Socorro Santé informou apenas que a questão deve ser tratada diretamente com a operadora médica.
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