O número de viagens realizadas por passageiros no transporte público de Campinas vem caindo nos últimos anos, mesmo após a recuperação registrada no período pós-pandemia. Em 2024, o total de passagens pelas catracas dos ônibus urbanos foi de 120,2 milhões, quase quatro milhões a menos do que em 2023, quando o sistema registrou 124,2 milhões de viagens – uma queda de 3,17%.
O dado se refere à quantidade de viagens realizadas, ou seja, ao número de vezes que os passageiros passaram pelas catracas. Um mesmo usuário pode ser responsável por mais de uma viagem ao longo do dia.
A tendência de redução na demanda se mantém em 2025. Entre janeiro e abril deste ano, foram registradas 38 milhões de viagens, contra 39,8 milhões no mesmo período de 2024 — queda de 1,8 milhão. A média mensal passou de 9,97 milhões para 9,5 milhões.
Evolução das viagens de ônibus
Durante o auge da pandemia de covid-19, os números chegaram a níveis historicamente baixos. Em 2020, foram 85,7 milhões de viagens, número que subiu para 95,8 milhões em 2021. A recuperação foi mais expressiva em 2022, com 122,7 milhões de viagens, mas desde então a tendência tem sido de estabilização e leve recuo.
Veja a evolução do total de viagens de ônibus por ano:
- 2020 – 85.772.831 (média mensal: 7,1 milhões)
- 2021 – 95.803.878 (média mensal: 8 milhões)
- 2022 – 122.788.555 (média mensal: 10,2 milhões)
- 2023 – 124.220.714 (média mensal: 10,3 milhões)
- 2024 – 120.280.744 (média mensal: 10 milhões)
Comparação e novas possibilidades
O militar Adriel Mota é um exemplo dessa transformação. Em agosto do ano passado, ele deixou os ônibus para trás ao comprar um carro. Morador do Jardim Florença, a cerca de 15 km do local de trabalho, ele dependia de dois ônibus na ida e outros dois na volta. A decisão de migrar para o carro veio após uma análise prática do tempo e dos custos envolvidos.
“Foi uma comparação entre o valor da passagem e o tempo de deslocamento. Coloquei tudo na ponta do lápis. A passagem já não é barata, e no fim compensou usar o carro”, afirma. Segundo ele, o principal ganho foi no tempo: “Com dois ônibus, levava cerca de 1h30. De carro, faço o mesmo trajeto em 20 minutos. Gasto um pouco mais, mas vale a pena.”
A terapeuta Sophia Nogueira também optou por outra alternativa: o transporte por aplicativo, especialmente o Uber Moto. Para ela, o benefício maior está na agilidade — e, em alguns horários, até no custo.
“Pago cerca de R$ 5 ou R$ 6 e chego muito mais rápido. De ônibus, levo meia hora para chegar ao trabalho. De Uber Moto, gasto sete minutos”, relata. Com o tempo economizado, diz conseguir organizar melhor a rotina diária, incluindo os estudos na faculdade.
Tendência reconhecida pela Emdec
A Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) confirma a tendência de queda na demanda e aponta três principais motivos: a migração para transportes por aplicativo, o aumento do número de motocicletas — motivado por condições facilitadas de aquisição — e o crescimento do home office.
“Os transportes por aplicativo chegaram também, uma coisa que a gente não tinha. Também existe um aumento no número de motos, com facilitação de condições para aquisição para esse tipo de veículo”,
afirma o presidente da autarquia, Vinicius Riverete.
Frota de motos em alta
Dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) reforçam a percepção da Emdec. Em 2024, Campinas encerrou o ano com 140.050 motocicletas registradas — 4.845 a mais do que em 2023, quando o número era de 135.205.
Reclamações sobre qualidade do transporte público
Apesar das novas alternativas, os problemas no transporte público permanecem, e impactam quem ainda depende exclusivamente dos ônibus. A empresa está com nova licitação em consulta pública até julho, mas os efeitos da frota envelhecida seguem sendo sentidos pelos passageiros.
“Hoje mesmo vi dois ônibus quebrados. Está péssimo, sem condições. Além disso, os veículos vivem lotados e a passagem é cara. A gente sempre sai prejudicado”,
reclama Maria José Diniz, auxiliar de desenvolvimento infantil.
As críticas continuam mesmo após a conclusão da implantação do sistema BRT, que já opera 100% nos terminais. Para a dona de casa Maria Natividade Valentim, a mudança não trouxe melhorias.
“O BRT vive quebrando. Eu sempre pego e eles estão quebrando direto. A implantação não foi boa para mim nem para muita gente. Eles tiraram a linha do bairro. Antes, o transporte era melhor”,
lamenta.
** Com informações de Paulo Gonlçalves/EPTV Campinas
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