Na manhã desta quinta-feira (31), a Prefeitura de Campinas entregou oficialmente as obras de revitalização do Mercadão Municipal e admitiu que, durante a chuva forte que atingiu a cidade na última sexta-feira (25), o mezanino do prédio sofreu infiltrações por causa de vidros próximos ao teto que não puderam ser substituídos nem fechados devido a restrições do Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas).
Permissionários, no entanto, contestam a versão e afirmam que o problema vai muito além da área superior. Segundo os trabalhadores, a água invadiu quase toda a extensão do Mercadão, alcançando também boxes já reformados.
“Justamente naquela chuva que aconteceu muito forte na sexta-feira, nós tivemos essa infelicidade de ver entrar de todo lado do mercado. Pelo telhado atingiu o mercado no total”,
relatou José Antônio Peres, que atua no espaço há 46 anos.
Peres afirma que já teve prejuízos e não pretende voltar ao local sem garantias de reparo.
“Eu mesmo tive prejuízo que nem sei estimar, porque eu mandei fazer forro com luminária e a água realmente desceu muito. Meu box foi bastante atingido. Agora não sei o prejuízo, ainda não sei se o serviço que foi feito, terá que ser refeito.”
O comerciante teme novas perdas e critica a indefinição sobre os reparos e a reabertura.
“O telhado não nos dá garantia ainda que se retomarmos lá, não vamos ter um prejuízo com as mercadorias que estiverem expostas. Eu não tenho como voltar, porque a gente teme que se tiver outra chuva, vai molhar toda a mercadoria que estiver exposta lá.”
Segundo ele, a responsabilidade pela solução ainda é incerta.
“Até então, a secretaria de Infraestrutura parece que já entregou o prédio para a Setec. Agora, esses casos pontuais talvez fiquem com o departamento de engenharia da Setec, talvez ela resolva. Também a data definitiva de entrega, isso é uma inconstância que a gente tem, uma incógnita. E a gente fica também nessa ansiedade de quando voltar ou não. A única garantia que a gente espera ter, da secretaria de Infraestrutura ou da Setec é que esse caso do telhado já esteja definitivamente sanado.”
Prefeitura admite infiltração no Mercadão, mas minimiza
Durante evento na manhã de hoje, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) afirmou que a entrada de água ocorreu pelo “lanternim”, estrutura de ventilação original do prédio tombado, e que um projeto de adaptação já está em elaboração, mas depende de autorização do Condepacc.
“Nós temos o ‘lanternim’. É o desnível do telhado que consta no projeto original para ventilar o Mercadão. E não tinha autorização do Condepacc para fazer o fechamento do ‘lanternim’ ou ampliação do telhado. Então nós já vamos encaminhar para o Condepacc uma solução do ‘lanternim’. Essa chuva que deu e destalhou até o Parque Itália foi uma chuva de vento e a gente já está com projeto para fazer essa adaptação do ‘lanternim’.”

O secretário de Infraestrutura, Carlos José Barreiro, disse que nos dois anos de obras não houve registros semelhantes, exceto no temporal da última semana.
“Parte dessa água, nós sabemos que entrou por espaço de ventilação que é o ‘lanterninha’. Nós estamos estudando tecnicamente, a engenharia tem múltiplas soluções e vamos ver o que melhor se adapta, preservando as características do prédio tombado.”
Questionado sobre a possibilidade de novas ocorrências, respondeu: “Vamos ver. Talvez não. Se a gente conseguir minimizar definitivamente, acho que pode não acontecer mais.”
Entrega com pendências e reabertura indefinida
A revitalização do Mercadão custou R$ 8,5 milhões — R$ 5 milhões via convênio com o Ministério do Turismo, por emenda parlamentar do deputado Marcos Pereira, e o restante como contrapartida do município. Mesmo com a obra considerada concluída pela Prefeitura, a reabertura oficial segue sem data definida.

Segundo o prefeito, o adiamento atende a um pedido dos próprios permissionários, que ainda realizam reformas internas.
“Hoje poderíamos fazer uma inauguração formal, mas fizemos a entrega da finalização da obra e, em respeito aos permissionários, faremos uma festa quando todos estiverem aqui dentro. A partir da obra entregue, as mudanças continuam a acontecer porque as obras dos permissionários já começaram também. Vamos acertar com eles e quando todos terminarem, estiverem prontos e também com agenda do Ministério do Turismo”,
disse.
Ainda será preciso desmontar as tendas provisórias, recapar e pintar as vagas do estacionamento. Alguns comerciantes já concluíram suas reformas. Entre eles, Otacílio da Silva, do Empório do Mineiro, aposta em aumento de vendas.
“O Mercado Municipal é o coração de Campinas. A expectativa é de um aumento de vendas entre 40% e 50%.”

Histórico de atrasos e mudanças no projeto do Mercadão
Inaugurado em 1907 e tombado como patrimônio histórico, o Mercadão iniciou as obras em julho de 2023, mais de seis meses após o anúncio feito em novembro de 2022. O prazo original era de 12 meses, mas a conclusão foi adiada diversas vezes – de julho de 2024 para o fim do ano passado, depois para abril deste ano, e posteriormente para junho, promessa que também não se confirmou.


A Prefeitura atribui os atrasos à complexidade da intervenção e à necessidade de compatibilizar as obras com 97 reformas internas dos permissionários.
O “novo” Mercadão ganhou ampliação da área de atendimento, padronização dos boxes, elevadores e novos banheiros. A principal novidade é o mezanino sobre os boxes centrais, que deverá abrigar dois restaurantes, Empório do Fortão e Snack Meat Bar, vencedores de licitação da Setec.
O que diz a Prefeitura?
Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que “a empresa responsável pela obra já realizou a troca das telhas que foram quebradas por conta dos ventos fortes.”
“A substituição foi finalizada nesta semana. A reforma do Mercadão tem garantia de cinco anos”,
completou.
Além disso, o posicionamento informa que o Executivo “também estuda uma possível alteração no sistema de ventilação do Mercadão, que é feita por uma estrutura chamada de ‘lanternins’.”
“O objetivo é minimizar a entrada de chuva em condições extremas como a da última sexta-feira, 25/7, com ventos laterais muito fortes. A adaptação será submetida aos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio histórico e cultural, uma vez que os lanternins são tombados.”
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