Vereadoras e deputadas do PSOL solicitaram ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) que investigue a conduta de estudantes de Direito da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) durante os Jogos Jurídicos, realizados no último final de semana em Americana, região de Campinas. Os estudantes foram filmados proferindo ofensas racistas, elitistas e discriminatórias contra alunos cotistas da USP (Universidade de São Paulo) durante uma partida de handebol. Além das palavras ofensivas, os futuros advogados fizeram gestos relacionados a dinheiro, em uma aparente tentativa de menosprezar os adversários.
Até o momento, pelo menos duas representações foram encaminhadas ao MP pedindo a apuração do caso. A bancada feminista do PSOL solicitou que, além das condutas individuais dos responsáveis pelas ofensas, sejam investigadas a atuação da universidade e de sua agremiação atlética. Além disso, três estudantes envolvidos nestes xingamentos racistas e elitistas foram desligados de estágios em escritórios de advocacia depois da repercussão do caso.
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A vereadora Letícia Oliveira, eleita pela bancada feminista e integrante da primeira turma de cotistas da USP, reforçou a importância de uma resposta rigorosa ao caso.
“Que haja uma ação civil reparatória e que por fim, as universidades envolvidas, como a PUC-SP, sejam parte de um Termo de Ajustamento de Conduta, para que dentro da universidade, os estudantes negros se sintam seguros, para que haja mecanismos efetivos, porque a denúncia dos estudantes é que hoje não existem esses mecanismos, para que existam mecanismos efetivos de combate às opressões dentro das universidades”,
afirma.
Alunos da USP foram ofendidos por estudantes da PUC-SP
Nas imagens, que circulam nas redes sociais, é possível ver um integrante da torcida da PUC-SP gritando a palavra “cotista” aos estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Outros envolvidos usam a palavra “pobre”, e uma menina chega a fazer gestos obscenos contra os uspianos.
O estudante de Direito da USP, João Vitor Reis, participou dos jogos e conta que ouviu as ofensas de perto.
“Foi algo que pegou a gente de surpresa, momento de tanta euforia, em que a gente está torcendo, gritando pela nossa faculdade, a gente ouve essas ofensas. Ouvimos justamente isso, de cotistas pobres, também ouvimos ironias, ‘sem minha cota eu não consigo’, como uma forma de, em um primeiro nível, deslegitimar a modalidade com a qual você ingressa na universidade pública, dizendo que as cotas não são uma modalidade legítima e em um segundo momento é até descredibilizar pessoas negras, afirmando que só entram na faculdade por meio das cotas”,
conta.
Faculdades de Direito se manifestam em nota conjunta
As Diretorias das Faculdades de Direito da USP e da PUC-SP e os Centros Acadêmicos XI de Agosto e 22 de Agosto das duas instituições emitiram nota conjunta sobre o caso e manifestaram repúdio a respeito dos episódios.
“Essas manifestações são absolutamente inadmissíveis e vão de encontro aos valores democráticos e humanistas, historicamente defendidos por nossas instituições. Diante disso, as entidades signatárias comprometem-se a apurar rigorosamente o caso, garantindo a ampla defesa e o devido processo legal, e a responsabilizar os envolvidos de maneira justa e exemplar”,
afirmaram em nota.
Nota da Associação Atlética Acadêmica 22 de Agosto
A Associação Atlética Acadêmica 22 de Agosto também emitiu nota de repúdio às ofensas proferidas por alunos da PUC-SP durante os jogos.
“Repudiamos veementemente os atos discriminatórios, seja este de cunho racista, homofóbico, classista ou qualquer outro cometido por todo e qualquer participante de nossos times, jogos e outros eventos. Dessa forma, tomamos as medidas que estavam a nosso alcance no presente momento, contribuindo para a identificação dos alunos, proibindo o acesso deles de todos os nossos eventos – sejam eles jogos ou festas”,
diz em comunicado.
Com informações de Rafael Castro/ EPTV Campinas
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