Um idoso de 77 anos está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), em coma, após cair de uma maca dentro do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas e sofrer traumatismo craniano. A Rede Mário Gatti de Urgência abriu uma investigação para apurar o caso.
Segundo relato da família de João Teixeira da Silva, ele foi internado no dia 2 de janeiro para passar por uma cirurgia de vesícula. A queda aconteceu enquanto ele estava em um dos ambulatórios do hospital.
Ainda segundo a família, após a queda, ele foi encaminhado para uma cirurgia na cabeça e está sedado, em coma, na UTI. Os familiares teriam sido avisados por médicos de que ele dificilmente vai retornar à consciência.
Para a família, houve negligência no cuidado ao idoso. Os familiares também estão em dúvida sobre a causa da queda e o horário em que o acidente aconteceu. Segundo os parentes do idoso, ele teria tomado Clonazepan e ficado desorientado, o que seria a principal causa da queda.
De dores abdominais a traumatismo craniano
Segundo o relato da família, no dia 29 de dezembro, João sentiu dores abdominais e procurou atendimento no Hospital Ouro Verde. Uma médica orientou que ele passasse por um ultrassom. O exame, que foi realizado na rede particular, apontou uma inflamação na vesícula.
“Ele chegou a desmaiar de dor, tinha uma causa”,
conta a fonoaudióloga Letícia Paliota, neta de João, sobre a urgência de fazer o exame na rede particular.
Foi então levado pelos familiares ao Hospital Mário Gatti, no dia 2 de janeiro. Na unidade, foi informado que ele precisaria passar por uma cirurgia. Como o paciente utiliza anticoagulantes, precisou ficar internado antes do procedimento. Sem vagas em quartos, ele foi encaminhado a um espaço na área vermelha do hospital, onde não era permitida a permanência de acompanhantes.
“Fomos impedidos de acompanhá-lo naquele momento. Ele também não podia ficar com o celular”, disse a neta. Vale lembrar que, por lei, pessoas acima de 60 anos têm direito a acompanhante.
Ao visitar o idoso, no dia 5 de janeiro, os familiares estranharam o comportamento de João. “Quando a gente entrou, ele estava conversando, mas grogue. Parecia que ele estava sonolento. Questionamos a equipe, que disse que ele havia tomado Clonazepan”, contou Thamires Teixeira também neta do paciente.
No dia 6 de janeiro, a família recebeu uma ligação do hospital informando que ele estava passando por cirurgia.
“A gente achou que era a cirurgia de vesícula. Só fomos receber a notícia que era cirurgia na cabeça quando o médico saiu do centro cirúrgico e falou com nossa avó. Foi quando ele contou da queda, que o traumatismo era muito sério e que ele havia sangrado muito”,
afirma Letícia.
“A partir dali, a gente não teve nenhum respaldo, nem informações do horário e de como ocorreu a queda. As informações que temos são do prontuário médico e de enfermagem”,
acrescenta.
“As informações são absurdas. No prontuário médico diz que a queda foi à 1h e que a equipe só foi chamada às 6h do dia 6. No relatório da enfermagem, diz que a queda foi às 19h30 do dia 5”,
conclui.
No dia 14 de janeiro, a família foi avisada por um neurocirurgião de que as lesões são muito extensas, afetando áreas importantes e que ele, provavelmente, não deve voltar à consciência.
“Se voltar, ele vai ficar acamado. Um senhor que era ativo, lúcido, está em coma, traqueostomizado. Um homem ativo, que ama pescar, e hoje a gente tem ele nessa situação”,
lamenta Thamires.
“Quando ele ficou na área vermelha, nos foi garantido que ele teria atenção 24 horas, que ele estava respaldado pelos profissionais”,
conclui.
A família registrou um boletim de ocorrência no dia 11 de janeiro e entregou um relatório à ouvidoria do hospital.
Advogado diz que acidente pode ser interpretado como erro médico
Em entrevista à EPTV o advogado Diogo Gonzales Julio, especialista em Direito da Saúde, afirmou que, primeiramente, precisa ser averiguado se o hospital seguiu todos os protocolos.
“Pode ter acontecido uma negligência, ou imprudência ou um imperícia. Pode ser caracterizado erro médico e o profissional pode responder na esfera cível e ser obrigado a pagar indenização; na esfera criminal e na esfera administrativa, sendo punido pela Administração Pública e pelo Conselho profissional”,
analisa o advogado.
Ele ressalta que pacientes a partir de 60 anos têm direito por lei a acompanhante, o que foi negado, segundo a família
Outro lado
Em nota, a Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar informou que foi aberta uma investigação para apurar o caso do paciente João Teixeira da Silva.
“O caso foi encaminhado hoje, 20 de janeiro, para a comissão de ética médica e de enfermagem, que vai apurar eventuais falhas e, se for o caso, as responsabilidades. O paciente segue na UTI recebendo o suporte necessário. No PS e na UTI não são permitidos acompanhantes. Somente no momento da visita o acompanhante é permitido.
Sobre o ultrassom no Ouro Verde: o aparelho de ultrassom está funcionando normalmente no hospital Ouro Verde. Aguardamos as informações (nome do médico, dados do paciente – CPF/RG, data de nascimento) para averiguar a informação da família”, diz a nota.
*Com informações de Bianca Rosa/ EPTV Campinas
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