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CampinasCotidianoNúmero de pessoas em extrema pobreza cresce 9,1% em Campinas

Número de pessoas em extrema pobreza cresce 9,1% em Campinas

Renda de pessoas em situação de extrema pobreza é de R$ 105; confira histórias de moradores de Campinas que lidam com dificuldade em sobreviver

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Comparativo é do primeiro trimestre deste ano com mesmo período do final de 2021 (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)
Comparativo é do primeiro trimestre deste ano com mesmo período do final de 2021 (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)

O reflexo da pandemia de covid-19 ainda afeta a renda das famílias de Campinas, que continuam a lidar com a dificuldade de se manter financeiramente. Na cidade, houve aumento de 9% das famílias vivendo em situação de extrema pobreza, ou seja, com renda de até R$ 105 por mês.

No último trimestre do ano passado, eram 47.558 pessoas nesta condição. Já nos primeiros três meses desse ano, o número subiu para quase 52 mil pessoas. Os dados são da secretaria municipal de Assistência Social.

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DA POBREZA À EXTREMA POBREZA

Segundo o levantamento da Administração, grande parte dessas pessoas que passaram a viver em situação de extrema pobreza já vivia em situação de pobreza, quando a renda mensal varia entre R$ 105 e R$ 210 por mês.

Nessa faixa de renda, houve queda no primeiro trimestre desse ano em comparação com o ano passado. O ano de 2021 se encerrou com 9.342 pessoas vivendo em situação de pobreza. Já no primeiro trimestre de 2022 esse número caiu 6,75% e foi para 8.711 pessoas.

CAMPINAS

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O aumento da extrema pobreza ocorre na décima cidade mais rica do Brasil, Campinas – assim como em outros centros urbanos. A cidade, considerada uma metrópole, tem quase 1% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

O índice, que é a soma dos bens e serviços finais produzidos, chegou a quase R$ 65,8 bilhões no último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Além disso, o rendimento médio do salário de quem mora aqui é de quase R$ 4,5 mil, ou seja, 3,7 salários mínimos. 

Situação de extrema pobreza é quando renda mensal é de até R$ 105 (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)
Situação de extrema pobreza é quando renda mensal é de até R$ 105 (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)

TRISTE REALIDADE

Os números colocam Campinas em um patamar difícil de ser alcançado. Mas é possível perceber a situação de vulnerabilidade de milhares de moradores da cidade.

Na Rua 1, localizada na comunidade do Rosália 4, todos vivem com pouco. Uma delas é Maria José, ou Raquel, como gosta de ser chamada.

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“O meu nome era o mesmo da minha mãe. Para não ficar duas Marias dentro de casa, me chamaram de Raquel e ficou. Faz dois anos que estou aqui em Campinas com minhas crianças. Um de 14, um de 13 e a menina tem 5 anos. Moramos em dois cômodos, a sala-cozinha e um quartinho. Consegui com ajuda de vizinhos e até eu mesmo catando tábua na rua”, contou.

Raquel diz ainda que não tinha condições de comprar as madeiras para fazer a casa. “Tudo que tenho na minha casa é doado. Agora não tenho cama para dormir, durmo em uma tábua com as crianças. Colocamos um lençol”, afirmou.

Sem um banheiro, as crianças tomam banho em um tambor de plástico exposto ao sol. “Hoje, praticamente, não entra nada de dinheiro. Às vezes eu vou na rua e cato um reciclável. Aí compro um leite e uma carne para as crianças. Vivo de doações”, disse Raquel. 

Criança tomando banho em tambor em Campinas (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)
Criança tomando banho em tambor em Campinas (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)

CASA PEGOU FOGO

Na Rua do Meio, também no Rosália 4, Cristiana vivia em um barraco de madeira. Há um mês, um incêndio tomou a casa e acabou com tudo que ela tinha. A vida, que já era difícil, piorou.

“Não restou nada. Ficou só a minha roupa do corpo. Quando cheguei, levei um susto, estava na rua trabalhando. Entrei aqui e estava tudo em cinzas, em brasa. Não tinha mais nada. Nem uma colher eu consegui salvar”, disse ela.

Cristiana afirmou que perdeu o emprego quando a pandemia de covid-19 começou, em 2020. “Agora, sou auxiliar de limpeza. O que eu tinha que fazer? Correr, fazer alguma coisa. Às vezes não tinha um pacote de arroz, de feijão. Tinha nada. O que eu ganho dá mal para comprar coisa de comer. E agora ficou difícil, porque estou sem moradia”.

Ela afirmou que tem vivido ainda de bicos, comprando água e revendendo. “Às vezes eu não tenho nem ganho. Nem R$ 5 de ganho”, disse. 

"Não consegui salvar uma colher", disse ela (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)
“Não consegui salvar uma colher”, disse ela (Foto: Reprodução/EPTV Campinas)

AÇÕES

Segundo Vandecleya Moro, secretária municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas, a Administração tem feito ações para tentar mitigar os danos da extrema pobreza na cidade.

“A Prefeitura tem intensificado ações para identificar quem são essas famílias, para que a gente possa saber onde elas estão e o que necessita”. Ela explicou ainda sobre os serviços oferecidos e opções municipais.

“Quando a família faz o cadastro no Cadastro Único é porque quer acesso os serviços de transferência de renda. A nível federal temos o Auxílio Brasil, temos a nível estadual algumas ações como Valé Gás, VivaLeite, e municipal temos o Cartão Nutrir, que foi ampliado o atendimento. Continuamos também com a Campanha Campinas Sem Fome, com alimentos arrecadados que são entregues a famílias carentes e o Campinas Protege, que auxilia famílias que tenham crianças e adolescentes que perderam pai ou responsável para covid. Todo esse conjunto de ações é para tentar mitigar os reflexos que a pandemia deixou”, disse.

Segundo a secretária, pessoas que precisarem de ajuda ou que conheçam alguém que precisa de ajuda podem ligar pelo 156, pedir auxílio pelos WhatsApps dos Cadastros Únicos ou pelo ainda Cras (Centros de Referência de Assistência Social) mais próximo, que faz cadastramento e encaminhado dessas famílias (confira como acessar o serviço aqui).

COMO AJUDAR

As moradoras que contaram a história nesta reportagem autorizaram a divulgação do celular para receber ajuda. Confira os contatos:

Raquel – (19) 99152-1969

Cristiana – (19) 99515-6634

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