
A estiagem deste ano pode levar a uma crise hídrica pior que a de 2014 no próximo ano. Isso é o que apontou uma análise divulgada na manhã desta terça-feira (21) pela Consórcio Intermunicipal das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). O órgão fiscaliza a situação dos mananciais na região.
O comitê do PCJ divulgou um levantamento da situação hídrica citando que, caso chuvas não ocorram nos próximos meses, no ano que vem a crise será ainda mais grave que 2014, já começando 2022 com menos chuvas.
O levantamento mostrou a situação de abastecimento das cidades e também a situação das chuvas esse ano. Foram apresentados os cenários de seis cidades Campinas, Piracicaba, Rio Claro, Americana, Jundiaí e Bragança Paulista, além de outras 70 cidades que integram os comitês PCJ.
No último mês, o órgão já alertava que seca deste ano é considerada igual a vivida no momento pré-crise hídrica. Na região, cidades já começaram a decretar racionamento, como Valinhos e Santo Antônio de Posse.
“Diferentemente de 2013 e 2014, hoje os órgãos responsáveis pela meteorologia no Brasil e no mundo estão alertando para uma crise pior ou parecida com o que foi 2014. Nesse sentido reunimos para que usuários conversem e se entendam para que não haja briga pela água. O grande e grave problema é o que está por vir, se outubro e novembro não chover, nossa situação começa a ficar ainda mais difícil”, disse o diretor presidente do PCJ, Sérgio Razera.
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ABAIXO DA MÉDIA
Segundo o coordenador técnico do PCJ, Alexandre Vivella, as vazões nos reservatórios da região estão em níveis críticos.
“As vazões estão muito abaixo da média. Tem vazões que estão 20% daquilo que se esperava neste momento”, afirmou Vivella. Segundo ele, o volume dos reservatórios trazem consequências econômicas aos consumidores.
“Levamos em conta ainda a qualidade em consideração, porque na medida que reduz a quantidade de agua, concentra poluição, o que traz uma dificuldade enorme para tratar agua, e isso custa energia elétrica, produto químico, traz uma consequência econômica e grande impacto na vida do cidadão”, alertou.
REFLETINDO NO BOLSO
A seca já impacta nos preços de principais alimentos básicos. Segundo a Abic (Associação Brasileira da Industria de Café), deve haver um aumento de até 40% nos preços do café em supermercados até setembro.
O açúcar também é outro item básico que deve ter alta. No acumulado de janeiro a agosto, o preço do refinado já subiu 27%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
“Estamos vindo de um período de 1 a 2 anos com as plantas sofrendo com a seca, uma geada que derrubou bem as folhas e matou algumas plantas. Então, talvez a gente não tenha uma safra de alta tão alta sim”, disse Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
O setor de carnes também precisa que chova para aumentar a qualidade das pastagens que alimentam os bovinos.
“A base da alimentação é pasto. Se não chove, eu tenho menos produção de pasto, menos boi gordo para o abate e o preço sobe”, disse Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da equipe de pecuária do Cepea.
Já faz tempo que o consumidor enfrenta preços altos da carne por conta dessa situação e, segundo Carvalho, não deve ter muita trégua.
“Nós já tivemos uma redução da oferta por causa da falta de chuvas desde outubro do ano passado. O primeiro impacto foi a diminuição do boi de pasto. O segundo é o retardamento da engorda dos bezerros que estão desmamando agora”, afirmou.
Segundo André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Varga, que a tendência para os próximos meses é de mais alta no preço do carne. Isso deve ser resultado de um verão que tende a ser “pouco chuvoso”, o que reduz ainda mais a qualidade das pastagens, e de um dólar ainda muito valorizado em relação ao real, estimulando aumento da exportação e queda da oferta interna.
*Com informações de EPTV*