Um estudo realizado por pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) indica que a creatina, um dos suplementos mais consumidos no mundo fitness, pode perder eficácia quando exposta a condições inadequadas de temperatura, luz e preparo.
A pesquisa analisou produtos de marcas populares no Brasil e trouxe orientações importantes para consumidores e para a indústria.
O engenheiro de inteligência artificial Gabriel Rosati é um dos usuários do suplemento. Ele conta que utiliza a creatina como parte da rotina de treinos de musculação.
“Os nutricionistas me recomendaram, comecei a tomar também. Ajuda muito você deixar o músculo mais cheio”, afirma.
Como foi feita a pesquisa?
O estudo reuniu amostras de creatina de cinco das marcas mais vendidas no mercado brasileiro. Com o uso de equipamentos laboratoriais de alta precisão, os pesquisadores avaliaram como o suplemento reage a diferentes situações comuns no dia a dia, como calor, luz, variações de pH e mistura com bebidas.
Segundo a pesquisadora Patrícia Saiki, o objetivo foi entender como o produto pode ser melhor utilizado.
“A creatina está sendo utilizada em vários âmbitos, principalmente ali no mundo fitness e tudo mais. Então é bom que as pessoas consigam usar da melhor forma possível”, explica.
O coordenador do Laboratório de Biomarcadores da Unicamp, Rodrigo Ramos Catharino, destaca a relevância do tema.
“O suplemento hoje mais estudado no mundo. Tanto pela sua capacidade de recuperação muscular quanto da sua capacidade em agir de forma cognitiva, neuroprotetora”, afirma.
“Nós obtivemos então alguns resultados importantes, tanto para a indústria quanto também para o consumidor”, completa o pesquisador.
O que os cientistas descobriram?
Uma das técnicas utilizadas no estudo expôs as amostras à luz infravermelha, permitindo observar alterações na estrutura da molécula.
“Consigo ver alterações estruturais na molécula da creatina. Então eu consigo ver o que foi alterado, especificamente a creatina. Então, por exemplo, se for uma creatina que não está muito pura, pode ter outro tipo de interferência também”, explica Patrícia Saiki.
Os cientistas mediram a degradação da creatina em condições desfavoráveis e concluíram que, se não for usada e armazenada corretamente, a substância pode se decompor antes do consumo, perdendo sua eficácia.
Em altas temperaturas, por exemplo, a creatina pode se transformar em creatinina, um subproduto que não oferece os mesmos benefícios ao organismo.
“A creatina não pode passar de 60 °C. Café, chá, chega muito mais do que isso numa prática corriqueira na sua casa. Então não é recomendado”, alerta o coordenador.
Cuidados no preparo e no armazenamento
A pesquisa também aponta que não é recomendado misturar a creatina com substâncias ácidas, como suco de laranja. Além disso, o armazenamento inadequado pode acelerar a degradação do produto.
Os pesquisadores orientam que o suplemento não seja guardado em sacos plásticos, shakers sem proteção UV ou recipientes transparentes, já que a exposição à luz contribui para a perda de qualidade.
Os resultados do estudo foram publicados no fim de dezembro na revista científica internacional Food Research Internacional e podem ser consultados tanto por consumidores quanto por empresas do setor. O laboratório responsável pela pesquisa recebe financiamento do Ministério da Justiça para a análise de produtos alimentícios.
*Com informações da EPTV Campinas
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