A Prefeitura começou a podar as copas de árvores na região do Bosque dos Jequitibás, em Campinas, após a queda de três árvores no local no mês passado. Uma delas caiu sobre um veículo que passava no local e matou um motorista, de 36 anos. Porém, a operação iniciada na tarde de ontem (3), foi bastante criticada por moradores. Eles afirmam que a poda das árvores no local está sendo muito rigorosa e excessiva.
Nesta quarta-feira (4), integrantes do coletivo ambiental SOS Piçarrão estiveram na região do Bosque para uma inspeção das condições das árvores no cinturão verde e disseram ter encontrado o portão do parque fechado e alguns trabalhadores realizando a poda. Segundo o grupo, os funcionários da Prefeitura estão cortando de forma excessiva galhos e troncos de árvores sem necessidade – veja o vídeo abaixo.
Preocupado, o grupo entrou com uma representação cautelar no Ministério Público do Estado de São Paulo, denunciando a poda com possível extração. No documento eles afirmam que a ação pode não estar seguindo critérios técnicos e o que pode ocasionar problemas futuros. Eles pedem a suspensão das atividades até que seja feita uma análise criteriosa e que uma perícia seja enviada pelo Ministério Público ao local (leia mais abaixo).
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“A manutenção precisa e deve ser feita, porém da forma correta, com os critérios técnicos, inclusive, os dispostos na ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Da forma que é feita, sem critério, as árvores acabam se contaminando por pragas e adoecendo. Além da perda ambiental ocorre risco a toda a comunidade”, afirmou Paulo Olivieri, técnico em Segurança do Trabalho e meio ambiente, e membro do coletivo que esteve no local.
ENGENHEIRO FLORESTAL
De acordo com o Mestre em Arborização Urbana, Engenheiro Florestal e Agrônomo, José Hamilton de Aguirre Junior, a poda ou supressão das árvores devem ser realizadas apenas mediante risco material ou à vida.
“Nós temos a lei de arborização, que é a 11.571, de 2003, que define todo o procedimento para lidar com a arborização da cidade. Então, a poda ou a supressão só podem ser realizadas mediante risco material e risco à vida, e tem que ser feita a avaliação técnica de um profissional habilitado, sendo engenheiro agrônomo, engenheiro florestal ou biólogo. Ele tem que fazer uma avaliação rigorosa da operação que precisa ser feita, de árvore por árvore”, afirma.
Segundo o engenheiro florestal, é necessária a elaboração de um laudo técnico com as características da árvore e uma justificativa para a poda, extração ou intervenção.
“Após a aprovação do laudo, para a operação precisa estar o engenheiro agrônomo, florestal ou biólogo orientando a operação lá. O profissional tem que orientar os funcionários para não cometer uma poda excessiva ou supressão desnecessária”, relata o engenheiro ambiental.
O QUE DIZ A PREFEITURA
O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, esclarece que a realização da poda de algumas árvores no Bosque dos Jequetibás, margeando as ruas Marcondes Salgado, Pedro Alvares Cabral e Uruguaiana, é totalmente necessária para evitar novas quedas que coloquem em risco a vida de pessoas.
As copas estão sobrecarregadas de umidade e o excesso de chuva tem deixado o solo saturado, prejudicando a fixação das árvores. Para o secretário, “as medidas são fundamentais para minimizar os riscos de quedas e garantir a segurança da população”.
A inspeção para avaliar a situação de momento das árvores do Bosque dos Jequitibás está sendo coordenada por um engenheiro agrônomo, especialista no assunto. A equipe é formada por cinco técnicos da pasta – quatro engenheiros agrônomos e um florestal. A área do bosque foi dividida em quatro lotes e serão tomadas todas as medidas necessárias para solucionar os problemas que forem constatados.
A estação excessivamente chuvosa ou seca é um fenômeno da natureza que vai ser cada vez mais comum por causa da mudança climática no planeta. “Assim, serão recorrentes temporais e índices pluviométricos assustadores, como também a falta de chuva em outros tempos. Este é um verão chuvoso”, explica Paulella.
A REPRESENTAÇÃO CAUTELAR
A representação cautelar foi apresentada pelo grupo ao Ministério Público do Estado de São Paulo, sob o protocolo nº 037.0739.0000087/2023. No texto, a queda das árvores é relatado:
“As podas, com possível extração, aparentemente não seguem critérios técnicos, assim sendo as árvores podem vir a adoecer e colocar toda a comunidade em risco. Relevo que há poucos dias duas árvores centenárias caíram no local, infelizmente com uma vítima fatal, somente a perícia realizada no local pela polícia civil, poderá identificar com precisão os motivos que levaram a queda da mesma, porém há relatos que as mesmas passaram há pouco tempo atrás por um procedimento de amputação de suas raízes, o que evidentemente pode ter desestabilizado as mesmas”, diz trecho.
No documento, o solicitante pede a suspensão das atividades até que seja feita uma análise criteriosa e que uma perícia seja enviada ao Ministério Público. O acidade on Campinas entrou em contato com o MP-SP, mas o mesmo está em recesso até o dia 6 de janeiro.
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